As efêmeras altercações de Brasília

O imbróglio que tomou as atenções mostrou a composição de sempre quando do gênero. Os participantes, o tema de fundo, o enredo, os disparates, o final. De diferente, o Presidente Bolsonaro em entrevista mostrou seus dotes de versado no campo biomedicinal, a rigor, ao assegurar o diagnóstico de que o Brasil padece de um câncer que o está corroendo e que sabe como extirpá-lo. Mais não disse nem lhe foi perguntado …

De concreto, temos aí um modelo de bate-boca, que não convém aqui rememorar, eis que divulgado à exaustão, mas que bem se prestaria para analisar os conflitos da espécie no dizer dos catalizadores versados no ramo upgrade da comunicação, quando tratam dos figurantes de falante e de ouvinte, cuidando, quem sabe, para não monopolizar um ou outro, e sem desatenção ao vernáculo, uma lição bem a caráter para uso nos concursos de oratória, ou matéria do Curso de Comunicação Social, segundo recorda este redator que assina esta estação de escritos semanais, tal quando de sua consistente frequência naquela faculdade.

Seguinte. Um diálogo, se a ideia for esta, pede que haja alternância nos polos de ouvinte e falante, mesmo nos dias em curso em que as comunicações reclamam uma natureza cristalina que tem, em que as partes podem ser apesnamente ouvintes ou leitores, como, aliás, cuida-se do caso em comento, parecendo um monólogo, uma palestra, uma declaração ou algo do gênero, que partiu do Presidente e alcançou autoridades do Judiciário Federal que resolveram retrucar.

Esse descompasso na alternância de papéis tanto pode ocorrer porque um dos interlocutores não quer abrir mão de sua posição de falante ou de ouvinte. O primeiro feitio, ou seja “pessoa que fala demais” é mais comentado por aí do que o segundo “pessoa que ouve demais”, ou então “pessoa que fala de menos”, vejamos como se sai quem inventou os modelos …

O que fala demais. É compulsivo, permite-se a licença de fazer todas as associações e desenvolver todos os assuntos que lhe chegam à cabeça. Parece interessado em se exibir, desabafar ou provocar certas reações em quem lhe escuta, sem estar movido de interesse por este. Sucede, falar demais gera um dilema: ou suporta aquele falante chato ou age rudemente para interrompê-lo. Aconselha-se duas alternativas para evitar esse embrulho, que são: falar no máximo por cinco minutos e passar a palavra; e anunciar os temas e só desenvolvê-los à medida que o interlocutor mostre interesse.

O recusar a palavra. Há quem se recuse claramente a ocupar a posição de falante. Quando sob pressão, falam o mínimo possível e da forma menos comprometedora que der. Tal, sempre mostra uma conversa pouco simétrica, ou quase nada, calhando de se mostrar nada ou pouco interessante. É certo que quem fala pouco contribui menos, não expõe a sua posição, dá a impressão de pouco interesse e da falta de confiança em si mesmo e no interlocutor. Trata-se este manejo na participação bem insatisfatória, sobretudo para os interlocutores que não são compulsivos para falar.

O procurar empurrar para o outro a tarefa de manter o debate. Sabe-se que algumas pessoas fogem da obrigação de contribuir para o sucesso da conversa. Esforçam-se para desagradar e propiciar ao interlocutor a não se sentir bem. Cuida-se que seguem a regra seguinte: ‘’O outro que se vire para tornar as coisas diferentes.” Inúmeras as formas para salvar a qualidade do debate, como contestar à altura unicamente a questão de fundo, sem tergiversar e prender-se ao tema o mais veemente possível não demonstrando debilidade. Quem sabe foi o que se deu no imbróglio brasiliense, não? (Conclusão). 

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