Artistas usam criatividade para não perderem tudo

Um dos segmentos profissionais mais atingido pela quarentena tem sido a dos artistas da música. Eventos musicais reúnem público, e é o que menos se quer neste momento. Quem tinha feito um ‘pé de meia’ ou tem outro meio de sustento, está conseguindo passar estes dias aguardando o fim da pandemia. Quem não tinha, se desespera vendo o dinheiro acabar.

Humberto Amorim é jazzista conhecido em Manaus. Sua banda ‘All That Jazz’ reúne cinco músicos. Todos estão parados.

“Muitos artistas amazonenses trabalham em outras áreas, mas a maioria vive somente da música, de tocar num evento aqui, em outro ali”, falou Humberto.

“Só para o mês de março, tínhamos agendados seis eventos, quatro de grande porte. Teríamos cinco dias seguidos de apresentações. Agora, não sabemos quando vamos voltar”, lamentou.

Humberto exerce outras duas atividades, que também foram paralisadas: de tradutor e mestre de cerimônias.

“Conheço alguns músicos que têm escolas. Tenho um amigo dono de uma escola de bateria, com 15 alunos. Parou. O que o pai desses alunos vai escolher: pagar aulas de música pro filho ou comprar alimentos para casa? A música virou um supérfluo. E os músicos que têm filhos pequenos?”, indagou.

Humberto está se mantendo graças à sua profissão de jornalista.

“Faço comentários (de casa, pelo telefone), o ‘Cotidiano Baré’, para a CBN. Minhas entrevistas para o Portal do Holanda também estão sendo feitas de casa. Para o meu programa na rádio Diário, ‘Aqui Jazz’, mando tudo gravado”, informou.

Ajudando o próximo

“Tudo estagnado, sem shows, sem expectativas, ansiosa, apreensiva, aguardando tudo por se definir”, lamentou a cantora Márcia Novo.

“Estou fazendo lives no Face e procurando produtores que possam vender meus conteúdos musicais”, disse.

Márcia é a proprietária do flutuante Tarumanos Float, no Tarumã, inaugurado no início de janeiro, no qual, além de outros cantores e músicos, ela própria se apresenta ao menos uma vez por mês. O flutuante também fechou.

“Eu faço show toda semana no Tambaqui de Banda, agora parado. No flutuante eu não fiz nada em fevereiro porque realizei muitas apresentações no Carnaval. Iria voltar agora em março”, lembrou.

“Felizmente no Carnaval deu pra ‘juntar uma grana legal’ e é como estou conseguindo passar esses tempos”, informou.

Márcia Novo tem três CDs gravados: ‘O novo som do beiradão’, ‘Tudo novo’, ‘Amazônia pop’ e vários singles. Também tem algumas músicas em plataformas como o Deezer e o Spotfy, mas prefere que, agora, as pessoas acessem e monetizem as músicas de outros artistas.

“Com certeza tem muita gente aí que não tem de onde tirar dinheiro. Há anos realizamos um trabalho de conscientização ambiental no Tarumã, o Tarumã Alive, e lá existe uma tribo indígena que já está sem comida. São pessoas humildes, que trabalham naquela região, mas agora estão sem trabalho e sem dinheiro, então, quem quiser ajudar, pode entrar no meu Face para vermos como podemos fazer”, avisou.

Voltar, nem pensar

O rapper e beatmaker Victor Xamã está no olho do furacão. Em busca de melhores condições para se estabelecer artisticamente, o artista se mudou de Manaus para São Paulo. Apesar de não ser do grupo de risco, o artista disse estar confinado em seu apartamento, na capital paulista.

“Com certeza aqui está pior do que Manaus”, revelou.

Xamã vive somente dos shows que realiza, além de produções musicais. Duas vezes por semana ele se apresenta no Espaço Mundo Pensante, agora com as portas cerradas. Em Manaus, ele gravou dois CDs, ‘Janela’, de 2015, e ‘Verde Esmeralda, Cinza Granito’, de 2017, disponíveis em todas as plataformas de música.

“Mas a monetização é muito pouca. Não dá para nada”, afirmou.

“Não. Nem estou pensando em voltar. Planejei minha vinda para São Paulo, vendi tudo em Manaus, comprei móveis para o meu apartamento aqui. Não tem como me desfazer de tudo isso e voltar atrás. Seria um tiro no pé. Quando essa pandemia passar vou fazer uma música sobre ela”, avisou.

Mapeando os artistas

A Sec (Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa) está mapeando os representantes de diversos segmentos que compõem a cadeia produtiva da Cultura e da Economia Criativa no Amazonas, com a finalidade de identificar o perfil e a situação dos artistas, produtores culturais, técnicos e demais profissionais criativos do Estado.

“A cadeia produtiva da Cultura e da Economia Criativa é enorme, abrange diversos segmentos, e este mapeamento vai nos ajudar a entender quem mais precisa de apoio neste momento emergencial”, falou o secretário da Sec Marcos Apolo Muniz.

Para participar, os interessados devem responder a um formulário disponível no Portal da Cultura (https://cultura.am.gov.br) e preencher o cadastro com dados socioeconômicos, além de específicos, como segmento que faz parte, frequência que realiza as atividades e tempo de atuação na área.

O mapeamento vai mostrar o cenário atual da cadeia produtiva e nortear as ações emergenciais voltadas para profissionais da área no período de isolamento social. As demandas serão encaminhadas para a comissão técnica criada para avaliar as soluções cabíveis ao momento.

Fonte: Evaldo Ferreira

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