Artistas e feirantes de Manaus querem voltar a trabalhar

Este ano não foi igual aquele que passou. Em 2020 foi o último Carnaval em que aderecistas, artesãos, costureiras, escultores e artistas plásticos que trabalham em festas populares atuaram em suas profissões. Desde então não teve mais Carnaval, Boi Manaus, Festival Folclórico, e outros eventos tanto em Manaus quanto no interior, local onde estes profissionais também conseguem trabalho quando elas não acontecem na capital. Fantasias, esculturas, alegorias e carros alegóricos deixaram de ser criados em todo esse tempo.

“Estamos há um ano sem conseguir exercer nossas profissões, tendo que mostrar que realmente somos artistas e nos reinventando para nos manter e à nossa família”, lamentou a aderecista Bel Costa.

No mês passado, Bel Costa tomou uma atitude mais ousada para enfrentar a situação de falta de trabalho ao criar a Uniarte (União dos Artistas de Manaus) um movimento que reúne os artistas que não estão na linha de frente e não aparecem nos eventos, mas sem os quais, estes não aconteceriam. Bel chamou alguns amigos, na mesma situação, o artista plástico Itamar Marinho e os artesãos Alexandre Aires e Ney Silva. Montaram um grupo de WhatsApp e em pouco tempo mais de 120 profissionais já haviam se juntado aos quatro amigos.

Como são artistas, foi menos difícil para eles realizarem outras atividades remuneradas. Começaram a vender fantasias, que estavam no depósito, o marido de Bel construiu totens para álcool em gel, Bel passou a fazer máscaras, promoveram lives solidárias, no Natal montaram árvores e iluminação para particulares, e assim foram passando.

“Mas teve muita gente que não conseguiu nenhum tipo de trabalho e teve que viver da solidariedade de amigos, e até hoje está sendo assim”, falou.

Sem depender de doações

Agora, com a Uniarte existindo, Bel pretende transformar o movimento numa associação, toda documentada, para começar a apresentar projetos em editais das prefeituras e dos governos estadual e federal.

“Visitamos várias secretarias em busca de apoio e todos os secretários nos têm recebido com grande interesse em ajudar e, na medida do possível, têm ajudado, como agora com a participação de 19 artesãos integrantes da Uniarte na feira de artesanatos, que aconteceu durante uma semana no Casarão da Inovação (Cassina), organizada pela Semtepi (Secretaria Municipal do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação)”, falou.

Na feira os artistas levaram esculturas, pinturas em tela, e peças de artesanato. De acordo com Bel, não houve uma maior participação de outros artesãos porque muitos deles estão sem dinheiro até para conseguir a matéria-prima para a produção de seus trabalhos.

“Estão conseguindo dinheiro apenas para comprar o alimento suficiente para não passarem fome”, destacou.

A feira no Casarão da Inovação encerrou na sexta-feira, mas Bel vai solicitar autorização a outras secretarias para que a Uniarte organize suas próprias feiras montadas de forma itinerante em vários pontos de Manaus.

“Não vamos resolver os problemas desses artistas, que já estão a mais de um ano sem ter ganhos com suas profissões mas, com certeza, suas situações financeiras serão amenizadas com essas feiras. Queremos trabalhar, e não ficar dependendo de doações”, afirmou.

Até sábado interessa

Outros profissionais que estão há meses sem ter o dinheiro certo no fim de semana são os permissionários da Feira de Artesanatos da Eduardo Ribeiro. Em junho a feira completará 21 anos de existência, e nunca ficou tanto tempo com suas barracas fechadas. A primeira paralisação das atividades da feira aconteceu logo após o primeiro decreto do governo estadual, em março do ano passado. Foram meses parados. Em 21 de dezembro veio a liberação para a volta da feira, proibida novamente em janeiro deste ano após a segunda onda da pandemia.

“Felizmente o comércio está voltando à normalidade, porém, os domingos ainda não foram liberados, e a Feira da Eduardo Ribeiro só abre aos domingos. Gostaria que o governador olhasse com mais atenção para a nossa situação”, falou Wigson Azevedo, presidente da Feira.

A Feira da Eduardo Ribeiro funciona como uma vitrine para muitos dos permissionários, que durante a semana têm outros pontos de venda, mas muitos deles não têm outros pontos.

“Até sábado nos interessa fazer a feira acontecer. Precisamos trabalhar. Um levantamento realizado pela ACA (Associação Comercial do Amazonas) mostrou que a Feira da Eduardo Ribeiro cria cerca de 5.000 empregos diretos e indiretos. Muita gente, além dos permissionários, ganha trabalhando no entorno dela”, revelou.

No dia 21 de fevereiro, a lei nº 5401, tornou a Feira de Artesanato da Eduardo Ribeiro Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas. Entre a avenida Sete de Setembro e a rua 24 de Maio, no espaço que já chegou a ter 320 permissionários e hoje tem apenas 180, são encontrados alimentos; cama, mesa e banho; confecções; arte e decoração; livros e peças indígenas; artigos infantis; bijuterias; couros e acessórios.

Foto/Destaque: Divulgação

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