19 de abril de 2021

Artesanato cria polo de renda em Novo Airão

Inspirado pelo proprietário de embarcação Miguel Rocha, quando viajava para o Festival Folclórico de Parintins em 1992, o suíço Jean-Daniel Vallotton lidera a FAM, direcionada ao desenvolvimento de artesãos para a manufatura de esculturas de madeira

Inspirado pelo proprietário de embarcação Miguel Rocha da Silva, quando viajava para o Festival Folclórico de Parintins em 1992, o suíço Jean-Daniel Vallotton lidera a FAM (Fundação Almerinda Malaquias), direcionada ao desenvolvimento de artesãos para a manufatura de esculturas de madeira em Novo Airão.
Desde a visão para implantar a FAM, transcorreram cerca de cinco anos para obter os recursos necessários para tocar o projeto, fato que levou Vallotton a fundar, em conjunto com amigos da Suíça, uma ONG para captar estas verbas, conforme explicou, no último sábado, 11, ao dizer que o poder público pouco contribuiu para a iniciativa.
De acordo com o coordenador de produção da Nov’Arte Artesanato, espécie de incubada da FAM, Simeão Anhape Bezerra, a organização produz cerca de 600 peças artesanais por mês e dá ocupação para 32 pessoas, oriundas da formação proporcionada pela Fundação Almerinda Malaquias. A Nov’Arte já foi premiada com o Top 100 de Artesanato concedido pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa).
A madeira utilizada nas esculturas, que podem ser miniaturas de animais regionais como tatu, sapo, araras, caixas de madeira para embalagens, porta-jóias, entre outros, são resíduos de itaúba e de roxinho obtidos tanto em Novo Airão, onde são descartados pelas duas serrarias existentes, quanto de restos de árvores caídas no entorno da cidade.
Ao preço médio de R$ 30, os objetos produzidos em Novo Airão têm lojas que os revendem em Manaus, no Tropical Hotel, e conta também com distribuidores em São Paulo e no Rio de Janeiro. A ausência de certificação, conforme explicou Simeão Bezerra, dificulta as vendas para o exterior.
O coordenador contou que é difícil obter a certificação uma vez que a Nov’Arte, assim como a FAM, trabalha com resíduos, daí a impossibilidade de comprovar a origem da matéria-prima utilizada na produção das esculturas comercializadas pela associação.
O trabalho diferenciado produzido pelos artesãos da Nov’Arte pode ser visto, em Manaus, no Shopping Manauara, recém-inaugurado, nas esculturas gigantes expostas a cada andar da sede do estabelecimento, como um tamanduá modelado pelos profissionais da organização. O empreendimento comercial, com sua decoração temática, também buscou a Associação de Artesãos de Novo Airão como parceira para o fornecimento de material trabalhado em fibras vegetais.

Formação profissional

Nascida dentro da Fundação Almerinda Malaquias, fundada por Jean-Daniel Vallotton, a Nov’Arte deve ser vista como exemplo do objetivo que a FAM pretende alcançar ao levar formação profissional para uma população carente como a do município de Novo Airão, onde, conforme explica, não existem opções de renda, as quais vêm declinando com a redução da atividade das empresas que produziam barcos tempos atrás.
Vallotton informa que “dos nove ou dez estaleiros que existiam quando chegou a Novo Airão, hoje apenas um ou dois ainda operam”. Para ele, desde o asfaltamento da rodovia que liga Novo Airão a Manaus, em 2005, a AM-352, a população praticamente dobrou sem que as ofertas de emprego e trabalho tenham se expandido.
Jean-Daniel Vallotton vê os resultados obtidos pela FAM como positivos e elenca outros projetos, além da formação profissional, que oferece disciplinas como custos de produção, marketing, atendimento, além das técnicas de entalhe em madeira, como o Ateliê da Criança, destinado à faixa etária de 5 a 12 anos; o Profuturo, para adolescentes de 13 a 16 anos e a Escola Silvestre, como iniciativas que visam criar uma consciência ambiental nos habitantes da região.
Vallotton disse que se assustou ao ver o desperdício de madeira e de água logo que veio para o Amazonas em paralelo com a educação que teve na Europa. “Desde criança, lá na Suíça, a gente é educado a respeito de preservação. Não pode sujar, não pode jogar coisas no chão, coisas assim. Em termos de matéria-prima, se economiza qualquer pedaço de madeira, tão caro é esta matéria-prima. O objetivo é economizar tudo, tudo.”
Uma das ideias de Vallotton, que vê a produção artesanal como complementar à atividade turística, é a fundação de um museu de construção naval, em Novo Airão. Para ele, o conhecimento da construção de embarcações regionais tende a se perder caso não se tenha o cuidado de preservar este tipo de informação.

Serviço

Fundação Almerinda Malaquias

Nov’ Arte Artesanato

AM-352, km 0, Quadra J

Novo Airão

Tel: 0055-92-3365-1000

E-mail: [email protected]

www.fam-na-am.com.br

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