Turenko é bom a beça - Filho de um dos artistas mais expressivos do Amazonas, artista herdou do pai o talento e atua em vários segmentos de expressões artísticas

Não necessariamente filho de artista, artista é, mas as vezes calha de ser. Anibal Turenko Beça traz o nome do pai famoso (falecido em 2009) no próprio nome e, por outros caminhos, mergulhou no universo artístico que o pai viveu. Anibal Beça era poeta, compositor e teatrólogo e gostava de se imiscuir onde houvesse qualquer tipo de manifestação artística. Turenko Beça se auto define como um artista visual, que atua com vários tipos de expressões artísticas.
“Claro que influenciou eu ser filho de Aníbal. Nossa casa vivia cheia de artistas, de todos os segmentos, e meu pai colecionava muitas obras de arte”, recordou.
Ainda garoto, aluno do Centro Educacional Domingos Sávio, Turenko teve suas primeiras experiências com as artes plásticas. “O professor Tuta Bessa nos ensinou a fazer tinta com corante xadrez, PVA e cola branca. Misturando, fazíamos as cores que quiséssemos”, contou.
Mas na adolescência o jovem enveredou pela música. Tocava bateria. Ao mesmo tempo ajudava o pai na escola de samba Sem Compromisso. Fazia alegorias. Idealizava e criava o enredo. Ainda sobrava tempo para fabricar papagaios de papel. “Fazia 100 toda semana, mas não eram papagaios comuns. Eu já dava um toque artístico neles e ficavam muito bonitos e disputados. Por mais de dez anos, dos 12 aos 23, Turenko produziu papagaios de papel artísticos. Na música, sua participação foi efêmera, dos 14 aos 18 anos. “Fiquei com problemas de audição. O médico disse que se eu não parasse, ficaria surdo antes dos 40. Preferi não arriscar”, contou.
Foi a senha para ele se voltar para as artes plásticas. “Cursei Educação Artística na Ufam e passei a frequentar o ateliê do Jorge Marques, onde aprendi a fazer tinta óleo e telas”, lembrou.

Artes visuais
sem limites
“Comecei pintando paisagens, no estilo primitivista e naif, mas aí conheci os trabalhos de Jair Jacqmont e do Sérgio Cardoso, então, busquei um estilo e conceito próprios. No início da década de 1990 enveredei pela pop art e quadrinhos. Acredito que tenha sido um dos primeiros do Brasil e o primeiro do Amazonas a trabalhar com arte digital. Sempre estou procurando novas formas de expressar a arte visual”, esclareceu.
Realmente é difícil contextualizar a arte de Turenko. Uma hora ele está na Fazenda Esperança, ensinando os internos, que lutam contra a dependência das drogas, a fazerem tintas, a montarem telas, a expressarem através do desenho e da pintura, as agruras e as dificuldades enfrentadas na vida. Outra hora pode ser visto em alguma das ruas da cidade, não interessa o local. Basta que hajam muros autorizados a serem pintados, ao lado de jovens grafiteiros, grafitando os mais inimagináveis desenhos, sempre com cores gritantes, cores complementares, como ele disse, cores que vibram. “É uma arte efêmera. Hoje ela está aqui, em sua plenitude. Amanhã alguém pode sujar-lhe ou pintar por cima dela. A arte de rua é assim mesmo. É para ser admirada pelo tempo de sua existência”.
Ou então Turenko pode ser encontrado em belos salões de exposições, só, com suas obras, ou ao lado de renomados nomes das artes visuais, em Manaus ou outras cidades do Brasil e do exterior, seja com sua arte digital, seus grafites ou suas esculturas em aço. Sua criatividade não tem limites. Aníbal Beça, que já se orgulhava do rebento quando este pintou o primeiro quadro, não deve estar conseguindo se conter agora. “Comecei a fazer esculturas em aço por acaso, aí viram, gostaram, começaram a me pedir e eu passei a produzí-las”, contou.
E ele ousou. Hoje, uma das suas maiores esculturas pode ser vista pendurada no teto do Manauara Shopping. Trata-se de um tucano, pesando mais de uma tonelada. “Mas não se preocupem. Ele não cai de lá, não”, brincou.
Rabiscando constantemente com caneta em pequenos pedaços de papel, o que irá transformar depois em arte, Turenko expõe ao menos uma vez por ano, em Manaus, ou fora daqui. “Sempre estou produzindo. Nunca paro de produzir. E vendo tudo. Minha obra está espalhada pelo mundo”, falou, orgulhoso.
Atualmente o artista trabalha num painel de seis metros, “mas é para um particular, se ele deixar, ela será exibida para o público”, concluiu, modesto. Como dizia o enredo da Sem Compromisso, no Carnaval de 1999, “Anibal (e agora Turenko) é Bom a Beça”.

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