Arte e decoração feitos com papel

O isolamento social foi um dos piores acontecimentos econômicos já ocorridos em Manaus, especificamente, nas últimas décadas, talvez só igualado pela crise após fase áurea do comércio da borracha, a partir de 1911, e por outra pandemia, a da gripe espanhola, em 1918.

Em maio deste ano Manaus chegou a ser a capital com maior taxa de desemprego no país. O economista Moisés Júnior foi um dos que perdeu o emprego por conta do ‘fique em casa’ e foi exatamente nas horas de tédio por ficar em casa que ele reavivou uma habilidade até então adormecida, a de fazer arte com papel, a pepakura, um ‘parente’ do origami. Enquanto no origami objetos e figuras surgem a partir da dobra de papéis, no pepakura, objetos e figuras vão aparecendo com a colagem de peças de papel, e ganham forma tridimensional. A pepakura também tem um nome em inglês, papercraft.

“A arte de dobrar e criar objetos com papel é antiga igual a do origami, mas o papercraft ou artesanato em papel (em tradução livre) começou a aparecer durante a Segunda Guerra Mundial e os modelos mais populares eram miniaturas de navios e aviões”, contou Moisés.

“Na realidade, a palavra papercraft pode se referir a qualquer arte e ofício feito com papel, seja modelado por dobras, como no origami; ou no pepakura, onde a escultura é formada por partes cortadas e coladas, que também podem ser quadros com imagens ou paisagens formadas por camadas de papel”, completou.

Com o surgimento da internet e a popularização dos computadores, esse passatempo meio esquecido ganhou outro ânimo pela comunicação entre entusiastas, surgimento de home pages com centenas de modelos disponíveis para downloads gratuitos, feiras e exposições ligadas ao mundo dos animes e HQs.

Começou ainda criança

Desempregado, sem poder sair de casa, Moisés se viu obrigado a fazer alguma coisa que ajudasse a passar o tempo. Pesquisando na internet, redescobriu o papercraft/pepakura, que conhecia desde a infância, e vislumbrou a oportunidade de ganhar algum dinheiro com aquele trabalho.

“Desde criança já gostava de desenhar e fazer objetos com papel. Conheci o papercraft/pepakura em gibis e revistas infantis, que traziam modelos simples pra gente fazer. Alguns modelos vinham, inclusive, no verso de embalagens de biscoito, então, da minha cabeça fazia carrinhos e aviões até com embalagens recicladas”, recordou.

Os modelos que Moisés trabalha hoje ele já conhece há uns dez anos, descobertos na internet.

“Pesquisando sobre ilustradores, descobri essa reinvenção da técnica na qual as esculturas são criadas com programas de modelagem em 3D. Desde então, ao longo desses anos, ocasionalmente montava um ou outro modelo, como hobby. Como fiquei desempregado desde o início do isolamento social, o hobby foi transformado numa maneira de ganhar dinheiro”, disse.

Foi então que o rapaz descobriu que, há muito, aquela arte milenar não era mais encarada apenas como um passatempo.

“Os modelos estavam se popularizando novamente principalmente como itens de decoração tanto para casas quanto para festas. Vi nisso uma oportunidade de fazer renda. Criei o King Paper Studio, uma página profissional onde demonstro minhas montagens e recebo encomendas e projetos personalizados”, destacou.

Empresas especializadas

Os modelos mais populares de papercraft/pepakura são de animais e personagens de filmes e desenhos animados. Têm designers especializados em fazer peças personalizadas de qualquer pessoa, outros retratam personalidades como Freddie Mercury, Lady Gaga e o jogador Cristiano Ronaldo.

“Participo de um grupo de troca de experiências e compartilhamento de dicas onde alguns montadores têm peças em tamanho real do Homem de Ferro e do Homem-Aranha, entre outros. Alguns alugam as peças, que fazem um grande sucesso em festas infantis. Acompanho um designer europeu que montou um dragão de 12 metros de comprimento para uma loja em um shopping”, revelou.

Empresas digitais, especializadas no assunto, disponibilizam modelos com excelente qualidade, de aviões civis e militares, tanques, navios, naves espaciais, personagens de games.

“Em breve a King Paper Studio chegará lá. A maioria dos modelos que monto, geralmente, têm entre 50 e 70 cm e estou trabalhando num projeto maior, que em breve estará exposto no Café Palácio junto com algumas das outras peças para apreciação e encomendas”, adiantou.

Atualmente a quantidade de pessoas que faz papercraft/pepakura por hobby está crescendo, assim como quem trabalha com artesanato decorativo para festas onde é possível ganhar um bom dinheiro dependendo do serviço oferecido.

“Meu foco são peças para decoração, ótimas para deixar o ambiente mais descolado e exclusivo e projetos comerciais de decoração de empresas. Penso consolidar um negócio promissor. Essa é minha pretensão”, avisou.

Orçamentos e projetos podem ser solicitados pelo Instagram ou Facebook da King Paper Studio, ou pelo fone: 9 8152-7978.

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