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Arroz e soja puxam alta da safra de grãos no Amazonas

A Conab voltou a diminuir a estimativa da safra de grãos do Amazonas 2022/2023, em julho. Foi a terceira vez em que os números foram corrigidos para baixo, mas a projeção ainda aponta para um aumento na escala de dois dígitos. A sondagem de agosto manteve os mesmos números. No cálculo da Companhia de Abastecimento Nacional, a alta deve ser de 15,3%, elevando a produção de 47.800 para 51.100 toneladas. Entre as quatro culturas listadas, os destaques positivos são, mais uma vez, o arroz e a soja, em detrimento do milho e do feijão. O prognóstico é positivo também para a área de plantio e produtividade.

O 11º levantamento para a atual safra é o sexto em que a produção de grãos do Amazonas aparece em campo positivo. Mas, confirmou também que os números estaduais continuam muito abaixo das médias de todo o Brasil (+17,4% e 320,06 milhões de toneladas) e da região Norte (+18,2% e 16,92 milhões). O Estado aparece com o 13º maior crescimento proporcional nas 26 unidades federativas sondadas pela estatal, em uma lista liderada por Alagoas (+120,9% e 177,6 mil) e encerrada pelo Acre (+2,20% e 190,1 mil).

O arroz sequeiro comparece com o maior índice de crescimento entre as culturas de grãos presentes no Amazonas, com projeção de 103,7% de expansão em relação à safra 2021/2022 e um total de 16,5 mil toneladas. A soja (+47,4% e 19,9 mil toneladas) conta com o segundo melhor desempenho. Em contraste, milho (-30,7% e 16,5 mil toneladas) e feijão caupi (-8,3% e 2,2 mil toneladas) – que tem o diferencial de vir exclusivamente de agricultura familiar, sendo cultivado principalmente em Lábrea e Boca do Acre – aparecem novamente com estimativas de produção negativas para o atual período.

Área e produtividade

A Conab calcula que o Estado deve usar uma área 1% maior para o cultivo da atual safra de grãos, que se encerra em setembro de 2023. A estimativa é que ela passe de 19.600 para 19.800 hectares, na comparação com o período de 2021/2022. Entre as quatro culturas de grãos listadas no Amazonas, apenas o arroz (+72% e 5.000 hectares) e a soja (+53,3% e 6.900 ha) devem acompanhar esse movimento. O mesmo não pode ser dito do milho (-41,1% e 5.600 ha) e do feijão (-14,8% e 2.300 ha). Na média nacional, a área de semeadura deve ser 5% (78,33 milhões de ha) superior.

A boa notícia é que, mesmo com o avanço da produção e área de cultivo, o Estado também apresenta ganhos de produtividade, que deve passar de 2.439 quilogramas por hectare (2021/2022) para 2.783 kg/ha (2022/2023), por uma diferença de 14,1%. O avanço é estendido ao arroz (+18,2% e 3.309 kg/ha), ao feijão (+4,9% e 944 kg/ha) e ao milho (+18,1% e 2.953 kg/ha), mas não à soja (-4% e 2.880 kg/ha). A expectativa é que a produtividade da atual safra de grãos seja 11,8% (4.086 kg/ha) maior para o restante do país e ganhos difundidos em 23 unidades federativas.

A Conab informou que uma das áreas do Amazonas que produzem arroz se encontram em trechos de terra firme de Humaitá (na calha do Rio Madeira). Os outros estão no distrito de Vila Extrema (em Lábrea), e no Sul de Canutama. Estes dois últimos estão situados na calha do Rio Purus, “que dispõe da aplicação de tecnologia de manejo do solo e uso de sementes melhoradas”. Mas, a estatal não entra em detalhes sobre o andamento das demais culturas no Estado, embora destaque que o tempo é favorável aos cultivos. 

“Na região Norte, foram observados acumulados de chuva maiores que 50 mm, e que ultrapassaram 200 milímetros em áreas do extremo-Norte da região, principalmente em Roraima, Nordeste do Pará e Noroeste do Amazonas, mantendo os níveis de água no solo elevados. Entretanto, em Tocantins e em Rondônia não foram observados volumes de chuva, o que impactou negativamente os níveis de água no solo, mas favoreceu a maturação e a colheita dos cultivos de segunda safra. Nas demais áreas, como no Acre e sul do Pará e Amazonas, os volumes de chuva foram inferiores a 40 milímetros, o que também impactou negativamente a umidade do solo”, apontou o texto.

O órgão ressalta que o cenário permanece positivo para o Estado. “Há previsão de chuvas abaixo da média em praticamente toda a região Norte, com exceção de áreas do Noroeste do Amazonas, onde as chuvas previstas, dentro ou acima da climatologia, serão responsáveis pela manutenção dos níveis de água no solo”, informou.

El Niño e sustentabilidade 

Indagado a respeito dos números mais recentes da Conab, o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, assinalou que as perspectivas do arroz apontam para a continuidade da ampliação da cultura, que já se mostrou com “boa produtividade”, principalmente em Humaitá. O dirigente salienta que a projeção para o restante do Brasil também indica queda para o milho – que vem cedendo espaço para a soja e o arroz – e acrescenta que isso é compensando com mais produtividade.

“De maneira geral as estimativas confirmam o crescimento da produção e isso também temos verificado junto ao setor privado, principalmente em relação à soja, grão que situa o Brasil em boa posição no comércio mundial. Teremos que observar como se dá a projeção dos próximos meses, sob o eventual impacto de questões climáticas, no contexto de efeitos do El Niño. E também a trajetória dos preços, hoje em baixa no caso da soja”, ponderou.

O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, diz que o Amazonas se encontra em “estágio avançado” de preparo para o cultivo de cereais, em áreas antropizadas e em formato mecanizado. Adianta que a cultura da soja conta com investimentos privados em curso para a aplicação de tecnologias de produção mais avançadas. E salienta que, por ser “cultura desbravadora ou de primeiro cultivo”, o arroz está em área novas, o que ajuda a explicar seu crescimento. O secretário estadual ressalva, contudo, que as condições climáticas são decisivas.

“Temos intensificado as relações com os agentes financeiros, propiciando condições de tecnificação de processos produtivos os empreendedores, de forma sustentável, dentro de parâmetros técnicos, e por meio dos recursos recordes do Plano Safra 2023/2024. Também atuamos de forma vigilante no processo de escoamento da produção, observando a política de desenvolvimento do governo federal para o setor, bem como ações de pesquisa e oferta de oportunidades a essa cadeia produtiva. Cabe também registrar nosso olhar para os efeitos do El Niño, que poderá afetar a trafegabilidade de escoamento pelos nossos rios”, ponderou.

Já o ex-superintendente da Conab e administrador com especialização na gestão de informação ao agronegócio familiar e empresarial, Thomaz Meirelles, considera que, embora os números do Amazonas sejam “pequenos”, não deixam de ser animadores por apontarem altas. “O aumento do agro no Amazonas é irreversível, mesmo com a trava ambiental. Precisamos de emprego, renda, soberania e segurança alimentar. Só a ZFM não será capaz de reduzir a pobreza, que já chega em 60%. Se fizerem o ZEE, e tirarem a regularização fundiária e o licenciamento ambiental do discurso, o financiamento rural vai aumentar e a produção também”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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