Aras e Mito lideram funeral da Lava Jato

O artigo resgata fatos históricos e aponta motivos pelos quais Aras e Mito tentam enterrar a Operação Lava Jato.

Recentemente, “celebrou-se” 198 anos de independência do Brasil, movimento que teve expulsão dos exércitos de Portugal em Pernambuco em 1821, momento no qual buscou-se criar o Exército brasileiro, com alistamento de civis e muita gente “boa”, os famosos mercenários.

Desde a chegada de Cabral, se passaram 520,38 anos, foram 3 séculos de apagão educacional, onde somente filho de rico podia estudar, mas na Europa. Além desse apagão, portugueses também trouxeram a corrupção,  valendo a pena estudar a pesquisa da Pós-Doutora Adriana Romeiro(UFMG), descrita em seu livro “Corrupção e poder no Brasil: uma história, séculos XVI a XVIII”.

A Dra Romero durante seu Pós-Doutorado na USP e na Universidad Autónoma de Madrid, estudou documentos em bibliotecas do Brasil, de Portugal e de Espanha, a fim de investigar a corrupção no Brasil, entre os séculos 16 e 18. Ela descobriu coisas assustadoras que são omitidas em escolas, especialmente as militares, envolvendo desde escândalos sexuais até enriquecimento ilícito na época.

Ao estudar o livro, descobre-se que:

1) a impunidade é secular, pois já havia práticas que vemos hoje: tráfico de influência, nepotismo, favorecimento, abusos de autoridade, etc;

2) no governo do RJ, a corrupção não é exclusividade de clãs de Garotinho, Cabral, Pezão, Witzel, Pr Everaldo e do Mito, ela é centenária, pois mercadores de escravos que saíam da África e que tinham que parar no RJ, sabiam que para abastecer tinham que pagar propina ao governador da capitania, com direito de subir a bordo e escolher os melhores escravos, ficando famoso por estas práticas ilícitas o então GENERAL MEM DE SÁ (1558-1572), várias vezes acusado de enriquecimento ilícito, ou seja, corrupção já envolvia os militares graúdos da época;

3) No Rol dos corruptos, nem religioso escapava. Uma parte do livro mostra outro comandante militar e também religioso da Ordem de Cristo, Dom Lourenço de Almeida, que governou MG entre 1720 e 1732. Ele foi acusado de ter constituído fortuna a partir do ouro e diamantes por meio de práticas ilícitas. Rapidamente, ficou riquíssimo, com mais de 100 contos de réis, um valor considerável para a época. A autora encontrou o testamento dele em Portugal e seu inventário, e com base na reconstituição do patrimônio, conseguiu identificar o enriquecimento ilícito, dando razão às sátiras que já denunciavam isso;

4) No Brasil, a impunidade era um privilégio que o rei concedia às elites, as quais prestavam serviços, participavam da obra, abriam estradas, faziam o comércio funcionar, tendo em troca, o direito da impunidade, bem parecido com o que foi revelado pela Lava Jato;

5) A corrupção era tão alta no RJ que havia um ditado popular no fim do século 17 “Mestres de navios preferiam cair nas garras dos piratas do que enfrentar a cobiça dos governadores do RJ, que exigiam propinas para que os navios pudessem atracar no porto”.

Pois então, os achados da Dra. Romero permitem entender que o trabalho contra a corrupção é hercúleo, exigindo coragem, eficiência, transparência e organização, nesse sentido, a Operação Lava Jato é um divisor histórico em nosso país.

A Operação Lava Jato pode ter cometido erros? isso é possível, pois ela é constituída de homens e mulheres falíveis, porém, no balanço geral, ela é um marco revolucionário no combate à impunidade e corrupção no Brasil, sendo reconhecida internacionalmente.

Então, vejamos alguns fatos e números:

1) do site da PF <https://bit.ly/3lV2vmq>: 1a) 844 mandados de busca e apreensão no Brasil e exterior; 1b) 6 prisões em flagrante; 1c) 650 procedimentos de quebras de sigilo bancário e fiscal; 1d) 326 inquéritos policiais instaurados; 1e) R$ 12.500.000.000.000,00 analisados em operações financeiras investigadas; 1f)  R$ 2.400.000.000,00 de bens bloqueados ou apreendidos em operações; 1g) R$ 745.100.000,00 repatriados; 1h) 475 laudos de exame de equipamento computacional portátil; 1i) 95 laudos de exame financeiro e 51 de exame contábil, etc;

2) do site do MPF <http://bit.ly/30ZyqrL>, apenas a atuação da instância mais eficiente do Brasil, Curitiba: 2a) 119 denúncias; 2b) 116 ações penais; 2c) 49 acordos de colaboração; 2d) 14 acordos de leniência; 2e) 165 condenados em 1a e 2a instâncias, incluindo nesse rol criminosos altamente perigosos como Lula (PT), Cabral (MDB) e Cunha (MDB), presos e condenados com fartas provas, cujos esquemas ultrapassam as fronteiras do Brasil; 2f) 70 operações; 2g) 163 prisões temporárias e 130 preventivas; 2h) R$ 4.000.000.000 devolvidos aos cofres públicos; 2i) R$ 14.300.000.000 previstos de recuperação, etc.

Esta operação não apenas alcançou lideranças de empresas e de partidos com alto histórico de corrupção no país (PT, PSDB, PP, DEM MDB, etc), mas do Judiciário e dos Tribunais de Contas, incluindo citações envolvendo dois Magistrados do STF: o Ministro Dias Toffoli citado por Marcelo Odebrecht como sendo o amigo do amigo de meu pai, quando era advogado da AGU (era Lula); o Gilmar envolvido com graúdos do PSDB como Aluysio Nunes, apontado pelo MPF como tendo em fev/19, atuado em interesse próprio e do operador Paulo Vieira, junto ao Gilmar, como base em histórico de conversas telefônicas e mensagens.

E o que Aras e Mito têm a ver com isso? muita coisa:

1) primeiro: o clã do mito coleciona várias investigações que estão se acumulando na justiça com potencial explosivo de denúncias e condenações;

2) segundo: mito é raposa velha do centrão, só no PP, partido com mais denunciados da lava jato, ele atuou 11 anos, justamente no período da roubalheira descortinada pela Lava Jato;

3) terceiro: desde metade de 2019, tem “governando” o país com lideranças condenadas ou réus do centrão, alvos da Lava Jato, deixando mais escancarado o envolvimento em 2020, após acumular 53 pedidos de impeachment <https://bit.ly/338dnom> assinados por 1457 pessoas e organizações;

4) quarto: para não cair, mito conta com apoio do centrão, que em troca exigiu a saída de Moro, enfraquecimento da Lava jato, bem como nomeação de seus indicados para tomar conta de pastas bilionárias, consideradas pelo TCU como frágeis no controle e fiscalização de fraude e corrupção <https://meapffc.apps.tcu.gov.br/>;

5) quinto: a partir de novo relatório do COAF, o MPRJ e MPF já miram os repasses da JBS (cerca de R$ 9 milhões) para Wassef e familiares no período em que também atuou como advogado do clã do mito (2015 e 2020). A JBS se negou a entregar ao MPF a cópia dos contratos e comprovação de prestação de serviços feitos com Wassef. Vale lembrar que em entrevista recente feita para a Veja <https://bit.ly/326ujfJ>, a advogada que conviveu com Queiroz, descortina o modus operandi da quadrilha e afirma que Wassef é o Anjo, o dono da casa que escondeu Queiroz e Márcia enquanto os advogados tentavam na justiça anular a investigação do caso da rachadinha. E vai mais além, afirmou que foi ameaçada e aconselhada a esquecer tudo que viu e ouviu na casa do Anjo.

Assim, é possível entender porque Aras e Mito lideram o funeral da Lava Jato e da Operação Greenfield, em parceria com Noronha (STJ), Dias Toffoli e Gilmar Mendes (STF), restando saber o que os historiadores escreverão a respeito daqui a dez anos.

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