Aquicultura é alternativa no Amazonas

O pescado ainda é o maior produto de segurança alimentar do Estado do Amazonas. Segundo a Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas) uma preocupação urgente do governo é garantir o abastecimento da população à medida que diminuem os estoques dos peixes considerados populares, como Jaraqui, Pacu e Piau. Já se vislumbra o problema sério dessas populações ribeirinhas não ter o que consumir. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) o consumo é alto no interior do Estado, cerca de 160 quilos de peixe por pessoa/ano.
De acordo com o secretário Executivo Adjunto de Pesca e Aquicultura do Amazonas, Geraldo Bernardino, o Brasil consome de sete a nove quilos de peixe pescado por pessoa/ano. O normal seria 12 quilos por pessoa/ano, informou a OMS, entendendo como um consumo de boa qualidade. No Amazonas, esse consumo fica entre 45 a 50 quilos de peixe pescado por pessoa/ano, no geral, considerando a capital. “Mas, quando se trata dos municípios do interior, este consumo fica em torno de 160 quilos. Ou seja, são vinte vezes o consumo brasileiro e quase quinze vezes o consumo considerado ótimo pelas organizações mundiais”, relatou.
Segundo Bernardino o mais expressivo destaque da Sepror está na cultura do peixe nativo iniciada com a criação manejada do Tambaqui, a Matrinxã, o Pirarucu e o Surubim. O projeto vem sendo desenvolvido na Estação de Pesquisa localizada em Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo, Região Metropolitana de Manaus.
O carro chefe do projeto de manejo sustentável é o Tambaqui, com tecnologia definida, conta com amparo e arranjo produtivo local e uma perspectiva de aumento dessa produção considerando a instalação de grandes empreendimentos empresariais, com mais de 200 hectares, localizados na região de Canutama, de Humaitá e de Manacapuru. “Faz com que a tendência seja o crescimento dessa atividade, considerando que a dificuldade na nossa piscicultura de pequena escala é o custo de produção de ração”, disse o secretário de Pesca.
A ração no Amazonas é mais cara em relação aos Estados vizinhos, principalmente em Rondônia, que conta com uma produção em torno de 40 a 45 mil toneladas, motivada pelo custo do Tambaqui, que em Rondônia é vendido pelo produtor a R$ 3,50, enquanto essa mesma espécie é vendida em Manaus por cerca de R$ 5 o quilo, nessa relação, 42,86% mais caro.
Bernardino afirma ainda que a produtividade do Tambaqui no Amazonas, hoje, está em torno de 8 a 10 toneladas por hectares manejados, mas podendo chegar a 15 e 16 toneladas/mês ou mais com a continuidade da pesquisa alinhando conhecimento, tecnologia e ciência. “Para também evitar problemas causados pelos próprios parasitas que aparecem durante um processo intensivo de produção”, disse.
Na cultura a matéria-prima não é o peixe, não é a ração, é a água e o Amazonas tem água em quantidade e qualidade. Com a continuidade da pesquisa de produção em cativeiro manejada, o crescimento ocorrerá de maneira responsável, segundo Bernardino, fazendo o dever de casa sabendo que a cultura é o maior negócio do mundo.
Na visão de Bernardino o Estado de São Paulo, que tem de água disponível não pode criar peixe hoje porque a água ou está poluída ou não tem suficiente, como ocorre em outros Estados. “Por isso o Amazonas é a bola da vez, mas nós temos que transformar essa água, essa cultura de pesca em geração de emprego, em geração de renda e interiorização de conhecimento”, revelou. Ele afirmou que não tem uma atividade no Amazonas que possa deixar mais o trabalhador na sua cultura e nos seus municípios do que a pesca. “Basta olhar a geografia onde há rio para todo lado, em abundância, é aqui”, afirmou.

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