Há algum tempo a escrita impressa vai perdendo espaço para a escrita virtual. Existem programas, sempre mais usados, que transformam a voz em escrita e a escrita em voz. É muito bom que uma pessoa, que perdeu a capacidade de ver, possa ouvir um romance falado, mesmo num programa de computador. Contudo, transformar a voz em escrita pode ser bom para quem está num ambiente barulhento, ou dentro de um veículo, onde digitar é difícil. Porém fora disso é um atestado de preguiça e não aprimora a comunicação, nem a escrita.

Enganam-se aqueles que acreditam que a escrita está acabando porque jornais e revistas impressas estão caindo em desuso. Mesmo para transmitir virtualmente, há necessidade de escrever com esmero. Embora muitos não considerem a escrita como um trabalho, nem antes, nem agora, aquele que escreve não deixa de fazê-lo. É a sua satisfação pessoal, como aquele que anda de bicicleta apenas para voltar ao mesmo lugar. No entanto o prazer de pedalar foi intenso. Muitas vezes, quando estamos escrevendo somos interrompidos, sem nenhum remorso como se não estivéssemos fazendo “nada de útil” e a interrupção seria benéfica. Pode ser que a nossa escrita caia no vazio. Até porque não é função de quem escreve, ensinar alguma coisa, mas ele gostaria de ser lido, até como entretenimento.

Um pouco na contramão desta tendência, a Associação Brasileira de Poetas e Escritores Pan Amazônicos (ABEPPA) e a Academia de Letras e Ciências da Amazônia (ALCAMA), tendo à frente o escritor Paulo Queiroz, lançam o audacioso projeto Escritor Estudante, visando despertar nas crianças e adolescentes o prazer pela escrita. O piloto acontecerá no Lar Mãe Margarida, no São José. O tema deste início é “Sonhos”. Para quem não sabe, o Lar Mãe Margarida acolhe crianças em situação de risco, quer porque venham de uma família desestruturada, ou de lar algum. Na maioria das vezes, são crianças que já sofreram abusos de toda sorte. 

Segundo a Professora Eneila Lima e o escritor Paulo Queiroz, o histórico triste destas crianças jamais as deve impedir de sonhar e como consequência natural, colocar estes sonhos no papel. O objetivo é sempre trazer estes vulneráveis a praticar atos sadios.  O Escritor Estudante visa arrecadar livros usados para incentivar a leitura.

Não que o Leitor Estudante pretenda se ater apenas a esta escola. Os criadores do projeto já receberam convites de escolas públicas e privadas para o levarem a mais crianças. Os educadores aplaudem a ideia porque acreditam que ela desviará as mentes em formação do besteirol das mídias sociais, encontráveis no celular, e as ocupará com algo mais saudável. É como ensinar a criança a não se empanturrar com comidas que podem ser nocivas, oferecendo um substitutivo saudável. 

A expectativa e a esperança são grandes. É a sociedade organizada ajudando o governo na educação. O local do início foi estrategicamente escolhido por tratar-se de crianças que trazem uma educação distorcida na origem. No Lar Mãe Margarida, todos estão conscientes que não podem se limitar a ensinar somente as matérias comuns de outras escolas. O aprendizado do currículo escolar não é suficiente, há necessidade premente de educação mais esmerada. A expectativa e esperança são que iniciativas como estas não sejam exceção.

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