Aplicativos revolucionam transporte em Manaus

Economia, mais conforto em relação ao transporte coletivo, rapidez para chegar ao destino, praticidade e comodidade para solicitar o serviço. Essas são algumas das vantagens comumente enumeradas pelos usuários dos transportes de aplicativos. Um dos mais populares é o da empresa internacional Uber – que chegou a Manaus em abril de 2017 –, mas já existem serviços similares que foram criados no Brasil. E é inegável a mudança que a criação desses apps tem representado na rotina tanto de usuários quanto de quem se aventura em trabalhar como motorista.

A funcionária pública Jane Lima conta que, antes da criação desses aplicativos, ônibus e mototáxi eram os meios de transporte que ela utilizava com mais frequência e, logo que os apps surgiram, não demorou a recorrer a esse serviço. E ela só enumera vantagens. “Gosto da comodidade de fazer o pedido para uma corrida no meu celular ou no de outra pessoa, basta ter internet e wi-fi”, diz. “Outra vantagem é o tempo ágil com que os motoristas chegam”.

A facilidade para se deslocar de um lugar a outro representou uma grande mudança na rotina da funcionária pública. “Quando pretendo chegar rapidamente a algum lugar distante ou para voltar de algum evento na madrugada, esses apps ajudam muito”, observa.

Jane revela que nunca enfrentou nenhuma situação inconveniente durante corridas solicitadas. Mesmo assim, acredita que deveria existir um reforço na segurança dos apps. “Além de ter uma central de ajuda e ouvidoria para que os usuários possam reclamar ou esclarecer dúvidas”, sugere a funcionária pública, que às vezes ainda recorre a transportes alternativos ou mototáxi.

Rapidez

O professor de danças urbanas Ronan da Silva Pires conta que começou a os serviços do Uber desde uma viagem que fez para Belo Horizonte, em Minas Gerais. “Foi onde conheci o Uber e, depois que retornei a Manaus, esse serviço ainda não tinha chegado. Fiquei na espera, e quando chegou aqui (a empresa começou a atuar na cidade a partir de abril de 2017) comecei a utilizar também”, afirma.

A rapidez no transporte foi a principal mudança na rotina de Ronan. “Nem sempre o fluxo no trânsito aqui em Manaus é tão livre, constante; é imprevisível. Mas, o transporte de aplicativo nos dá uma garantia de mais rapidez em relação ao ônibus”, analisa, lembrando ainda que, em relação aos coletivos, esse tipo de transporte oferece um pouco mais de conforto.

Ronan comenta que, hoje em dia, raramente recorre a outros meios de transporte, e lembra que a falta de troco é a única situação ruim que já enfrentou numa corrida. “Não são todos os motoristas, mas alguns, às vezes, não têm o troco correto, e fica uma situação meio embaraçosa”.

Complemento de renda

Há sete meses, a funcionária pública Raquel Pereira de Souza Daniel decidiu complementar a sua renda atuando como motorista de transporte de app nas horas vagas. Desde que começou, contabiliza mais de 960 corridas. Ela revela que sua rotina mudou totalmente. “É uma loucura, é muita correria, e eu digo para os meus colegas que é um vício, você já acorda pensando em ir pra pista”, diz.

A oportunidade de obter um lucro razoável e de forma rápida é uma vantagem citada por Raquel. “Não dá pra ficar rica, mais dá para pagar as contas e oferecer um conforto melhor para sua família”, garante. “Para você ‘fazer um dinheiro’ todo dia, precisa estar direto nas ruas. Tem colega que não para nem pra almoçar, outros já levam a marmita no carro, justamente pra não perder as chamadas. E tem pessoas que traçam uma meta para elas mesmas”.

A possibilidade de conquistar uma renda extra foi também uma das mudanças na rotina de Reginaldo Araújo, que estava desempregado até decidir trabalhar como motorista de aplicativo, há um ano e meio. “É uma renda melhor do que se eu estivesse trabalhando no Distrito Industrial para ganhar um salário mínimo”, observa Reginaldo, que atua em duas plataformas.

Na opinião de Reginaldo, a segurança é o principal item que deveria passar por melhorias quando o assunto é transporte de aplicativo.

“Quem faz a segurança do nosso trabalho somos nós mesmos, os motoristas. A gente é quem decide quem é a pessoa que entra no carro, se vai levar determinada quantidade de passageiros”.

Para ele, deveria haver mais informações sobre os usuários. “Nós, motoristas, oferecemos nossos dados pessoais, tiramos selfie para o cliente reconhecer se é mesmo o motorista. E se nossa a habilitação ou a documentação do carro estiverem desatualizadas, a gente não consegue rodar. E algumas empresas verificam os antecedentes criminais do motorista. Poderiam fazer isso com o cliente também através da consulta do CPF. Todos os aplicativos deveriam pedir a selfie do cliente, os dados pessoais”, sugere.

Raquel também acredita que deveria ser dada uma atenção especial à questão da segurança que envolve o trabalho como motorista de app. “Quem trabalha com aplicativo sente um pouco de aflição, pois não sabemos, por exemplo, quem é o passageiro que vamos buscar. Acho que a gente deveria saber um pouquinho mais sobre o passageiro”, sugere. “Quando aceito uma corrida, às vezes o aplicativo só mostra que a corrida é direcionada a um determinada zona da cidade. Não sei qual é o bairro, não sei como é a localização”.

Para auxiliar com essa insegurança, Raquel conta que há grupos para que os motoristas possam compartilhar as suas localizações. “Assim, um motorista dá suporte para outro. Hoje em dia, como a violência está muito grande, não dá pra gente andar feito ‘lobo solitário’. Sempre temos que compartilhar a nossa localização com familiares ou com os colegas que estão na rua”.

Reconhecimento

Reginaldo Araújo gostaria ainda que as plataformas dessem mais valor aos motoristas de aplicativos. “Antes, fazíamos uma renda legal em menos tempo de corrida. Hoje, a gente ‘rala’ demais porque as plataformas ofereceram muitos descontos ao cliente e o motorista fica mais cansado de tanto trabalhar”, diz.

E mesmo sabendo da existência de clientes “maldosos”, Reginaldo buscar fazer a sua parte para oferecer sempre um ótimo atendimento.

“Eu, de minha parte, oriento muito o cliente. Tem uns que ouvem e recebem o que a gente fala; outros já rebatem, não querem saber. Mas eu sempre oriento para não pegar corrida de terceiros, verificar quem você está chamando, verificar se a localização realmente está correta, se realmente é o motorista que está no carro, se a placa do veículo confere. Em relação a tudo isso, eu oriento bastante”, revela.

Raquel comenta que o clima de “aflição” que pode surgir por causa das questões que envolvem a segurança nesse universo de corridas de app é “quebrado” graças à variedade de usuários e de assuntos. “Tem pessoas muito fechadas, que mal dão bom dia, e tem pessoas que entram, já se identificam com você e começam a conversar. As pessoas acabam falando o que se passa na vida delas, conversamos sobre o governo, o preço das passagens, como as coisas estão difíceis. São várias conversas, a gente ri muito”, comenta Raquel.

“A gente se torna várias coisas do cliente, às vezes somos psicólogos, às vezes nos tornamos um amigo, um parceiro”, afirma Reginaldo. “Eu digo que estou passando por um momento único. Ouvir o passageiro se abrir com você, contando histórias, é muito gratificante. É uma terapia”, finaliza Raquel.

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