Apicultura muda o cenário de Alagoas

Em meio à caatinga do sertão nordestino, onde o sustento das famílias depende, basicamente, da agricultura ou pecuária, uma nova atividade tem despontado como alternativa para geração de emprego e renda entre os sertanejos, a apicultura. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre 2005 e 2007 a produção nacional de mel cresceu 7,2%; por esses e outros indicadores na última sexta-feira, 22, Dia do Apicultor, os criadores de abelha têm muito que comemorar.
A apicultura é uma das atividades econômicas mais rentáveis para o pequeno agricultor familiar. O apicultor não tem gastos com rações, pode capturar os enxames na própria natureza e ainda continuar desenvolvendo outras culturas, já que a apicultura não exige que o produtor esteja todos os dias trabalhando no manejo. Em geral, duas vezes ao mês é o suficiente.
Em Alagoas, atualmente, cerca de 800 pessoas se dedicam a apicultura, que a cada ano soma novos adeptos. A atividade tem ganhado tanta importância que dos 75 projetos coordenados pelo Sebrae no Estado, sete estão voltados ao desenvolvimento da apicultura. E é no sertão de Alagoas que ela se destaca. A vegetação diversificada, composta por árvores de pequeno porte e o clima seco fazem da região um local propício para a produção de mel. De acordo com Alberto Brasil, gestor do Arranjo Produtivo Local Apicultura no Sertão, o potencial produtivo da região é o melhor se comparado as outras localidades do Estado. Segundo ele, enquanto na Zona da Mata uma colméia produz 30 quilos de mel por ano, no sertão, a produção chega aos 70 quilos.

Própolis Vermelha

De acordo com o engenheiro agrônomo da Seagri (Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Agrário), José Roberto Medeiros, a produção anual de mel em Alagoas chega a 150 toneladas, mas a meta para 2009/2010, é dobrar a produção. “Até 2010, a intenção é produzir 300 toneladas de mel. Para produzir bem é preciso muita dedicação e comprometimento por parte dos produtores”, disse José Roberto.
Mas além do mel, principal produto da apicultura, a produção de própolis vermelha vem ganhando espaço entre os produtores, por ter uma lucratividade superior aos demais derivados. Enquanto o quilo do mel é vendido por cerca de R$ 4, o da própolis pode ser comercializado por R$ 550.
Esse valioso alimento produzido nas colméias é uma mistura de substâncias resinosas coletados pelas abelhas de diferentes partes das plantas, utilizada para selar buracos e proteger a colméia. A própolis vermelha produzida em Alagoas é elaborada a partir da resina do Rabo-de-Bugiu, uma planta localizada próximo a manguezais. Apresenta propriedades antioxidante, antiinflamatória e antibiótica e por isso vem sendo procurada por indústrias de diversos países. No Japão, por exemplo, o produto brasileiro é utilizado em tratamento bucal, produção de solução de bochecho, balas, chocolates, cápsulas, entre outros.
De acordo com a coordenadora do Projeto Própolis Vermelha na Região Litorânea e Lagunar de Alagoas, coordenado pelo Sebrae/AL, Rúbia Barbalho, com o projeto de IG (Identificação Geográfica) da própolis, que está em andamento, essa própolis passará a ser ainda mais valorizado.
“A Identificação Geográfica determina a origem da própolis (local, região ou país), bem como as características e qualidades. Já para os consumidores, a IG é um certificado de garantia de autenticidade, o que valoriza o produto/serviço no mercado, tornando mais competitivo e com maior valor agregado”, explicou Rúbia.
A IG servirá de base para normatizar a produção da própolis vermelha em Alagoas, definindo aspectos como padronização e a delimitação da área geográfica de produção.

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