Apesar da crise, Meirelles diz que Bacen mantém previsão do PIB

A crise nos mercados financeiros mundiais, provocada pela bolha imobiliária nos Estados Unidos, não altera a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 4,7% em 2007, afirmou na sexta-feira, no Rio de Janeiro, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. “Não temos indicações de que possa haver uma revisão para baixo”, afirmou.
Segundo o presidente do BC, porém, o país não está imune de sofrer as conseqüências da crise que afeta o mercado financeiro.
“Uma desaceleração mundial muito forte, caso ocorra, prejudicará o crescimentos de todos os países de maior importância na economia mundial. Não há dúvida que uma recessão muito forte nos EUA e uma contração da economia mundial afetaria o Brasil”, afirmou Meirelles, para quem qualquer previsão ainda é prematura.
Para o presidente do BC, Henrique Meirelles, porém, apesar de ainda ser difícil prever a intensidade, está claro que deve haver uma certa desaceleração da economia norte-americana.

Na quinta-feira, o ministro Guido Mantega (Fazenda) também voltou a defender que o crescimento da economia brasileira não ser afetado pelas recentes turbulências.
Ele aposta que a expansão do PIB será de ao menos 4% neste ano e que o país não sairá da rota de crescimento sustentável. Mantega afirmou ainda que não há necessidade de realizar um esforço fiscal maior.
Neste ano, a meta de superávit primário (receitas menos despesas, excluindo gastos com juros) é de 3,8% do Produto Interno Bruto. Uma economia maior, segundo ele, significa reduzir investimentos em infra-estrutura ou reduzir os programas sociais.

Críticas à carga tributária

O debate entre economistas brasileiros no Congresso Internacional de Derivativos e Mercado Financeiro, da BM&F, em Campos do Jordão, concentrou a discussão da alta carga tributária brasileira como impedimento de médio e longo prazo para o desenvolvimento do país.
Diferentemente dos economistas estrangeiros que participaram do evento, a crise nos mercados financeiros desta vez ficou um tanto à margem do debate. O ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, disse que o governo Lula perde uma oportunidade única de baixar a carga tributária sem um custo alto para a sociedade e a economia. “Só haverá reforma tributária se diminuírem os gastos federais. Não adianta falar em reforma tributária com a criação, por exemplo, do IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) porque ele teria de ter alíquota de 50% e ninguém vai querer cobrar 50% do consumidor”, disse.
Ele afirmou que essa omissão terá seu preço em um futuro não muito distante quando o país não tiver as mesmas condições favoráveis para manter um crescimento de 4% a 5% ao ano.
Para Barros, a redução da carga tributária passa pela discussão da redução dos gastos públicos -hipótese a que o governo Lula não dá qualquer sinal de consideração.

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