10 de abril de 2021

Aos 60 anos, jornal investe alto em inovações

O jornal “A Crítica” entra para a terceira idade neste domingo com o compromisso de construir os próximos 60 anos. Os projetos são audaciosos

O jornal “A Crítica” entra para a terceira idade neste domingo com o compromisso de construir os próximos 60 anos. Os projetos são audaciosos. A RCC (Rede Calderaro de Comunicação) está investindo pesado em novos equipamentos para dotar o parque gráfico do jornal de maquinários de última geração, o que deve acontecer até o fim do ano. A empresa está focando suas atenções também para a TV digital, uma prioridade da TV a Crítica, que está se preparando para operar com o sistema digital até dezembro.
O diretor de Marketing Corporativo de “A Crítica”, Dissica Tomaz Calderaro, disse que todas as ações da rede neste ano são comemorativas aos 60 anos do jornal, criado em 19 de abril de 1949, por Umberto Calderaro Filho, já falecido. Como o atual cenário econômico não está propício para festas, os dirigentes da empresa jornalística optaram por investir em melhorias internas, inclusive na qualificação dos seus colaboradores.
“Nos 50 anos fizemos uma festa no Teatro Amazonas, agora preferimos retribuir os nossos leitores, ouvintes e telespectadores com o que há de melhor em termos de tecnologia de ponta”, informou Dissica ressaltando que como os investimentos não são baratos as mudanças vão acontecendo gradativamente. “Tudo feito com audácia e coragem, assim como o Calderaro nos ensinou”, completou.
No ano passado Dissica Calderaro participou de uma feira internacional de rádio e televisão, na Alemanha, e desde então traçou um plano de melhorias para dotar a Rede Calderaro de Comunicação do que há de moderno. “Neste ano a Rádio A Crítica passou por reformas, incluindo todo o cenário da programação local que foi mudado e os estúdios reformados, com nova programação”, informou

Cabeça de rede

Neste domingo, Dissica embarcar com mais três diretores da rede para Las Vegas, onde irá participar da Feira de Rádio e Televisão, onde participará de reuniões para tratar sobre a cabeça de rede (saída) da TV A Crítica. A emissora tem um compromisso com a Rede Record de que até o fim do ano vai estar operando no sistema digital de televisão.
Dissica af que já foram comprados novos equipamentos, como câmeras e ilhas de edição. Também está investindo em áudio e no treinamento de pessoal. “Muda tudo, desde a maquiagem da apresentadora, a iluminação do estúdio, a acústica, porque a TV digital tem uma definição absurdamente maior, mostra as imperfeições que não são vistas hoje, como por exemplo a ruga do apresentador, o cenário mal feito, erros de iluminação”, disse, ressaltando que atualmente 50% dos equipamentos já foram adquiridos e o restante esta por vir. “Internamente está tudo resolvido só faltam, os equipamentos de saída (transmissão)”, afirmou o empresário.
Quanto à rádio digital, Dissica afirmou que deve acontece nos próximos dois anos, porque o governo brasileiro ainda está definindo o padrão a ser adotado. “Estão sendo feitos estudos, mas há divergências em torno do assunto”, comentou.

Trajetória inicial

“A Crítica” nasceu de um sonho de Umberto Calderaro Filho que partiu para sua realização em um grande mutirão de família envolvendo seu pai Humberto Calderaro, a mãe Maria Calderaro e a esposa Ritta de Araújo Calderaro, a atual diretora-presidente da rede de comunicação.
Como membro da terceira geração, Dissica Calderaro define seu avô como um visionário, entusiasta que num tempo muito duro e difícil acreditou no projeto e colocou em prática. Ele começou a rodar o jornal num prelo emprestado da Arquidiocese de Manaus.
Os primeiros exemplares de “A Crítica” foram rodados em uma máquina impressora emprestada pelo Dom Galvêncio Ramos, o arcebispo da época. “O jornal foi às ruas às 11h, porque naquela época os ‘gaseteiros’ vendiam os jornais fortes, a exemplo do Jornal do Commercio e ‘O Jornal’, bem cedo e no fim da manhã vendiam o ‘A Crítica’, um jornal de quatro páginas, que já trazia a notícia toda trabalhada em sua capa”, afirmou.
Segundo Dissica, a primeira logomarca de “A Crítica” foi feito por sua avó Ritta Calderaro, que era professora de desenho. Ela ilustrou também as cabeças de colunas e dos anúncios. Ele conta que dessa união de esforços, amor, energia e a vontade de fazer dos Calderaros que contaram com a ajuda dos primeiros colaboradores, além dos amigos –que também se uniram acreditando nesse sonho –nasceu “A Crítica” com um DNA de lutas a favor do povo. “No seu primeiro exemplar já trazia o slogan ‘De mãos dadas com o povo’ que já perdura 60 anos”, contou, ressaltando que “‘A Crítica’ inova a cada dia, mas sem perder a essência inicial que é educar e informar”.

Episódio da bomba

Apontado por Dissica como um visionário, que conseguia enxergar décadas na frente, Calderaro enfrentou muitas lutas com os poderosos do regime militar. O episódio da bomba, que por pouco não lhe tirou a vida nos primeiros anos de “A Crítica”, é lembrado pelo neto. Ele disse que seu avô se levantou e em seguida jogaram uma bomba que explodiu a mesa e a cadeira onde estava sentado, no prédio do jornal, situado na rua Lobo Dalmada. “Se ele tivesse saído 3 segundos depois, essa história hoje não seria tão bonita”, disse, lembrando que hoje “A Crítica” continua enfrentando esses ataques só que de uma forma diferente.
Dissica explicou que as bombas deram lugar a ataques contra a liberdade de expressão, de comunicar, de informar o que é pior, porque na hora que se faz um atentado contra uma pessoa só ela e os seus são atingidos, porém, quando cerceia a informação atinge uma gama da população que precisa ser informada. “Quando tentam tirar uma TV, uma rádio do ar e calar a edição de um jornal impresso, como já aconteceu conosco, a gente chega a pensar que talvez enfrentar uma bomba fosse mais fácil”, comparou.

A gente está aqui

Tocar a empresa sem o criador não foi tarefa fácil. Dissica afirmou que seu avô sempre foi o guia e como pensava na frente começou a preparar a atual vice-presidente de “A Crítica”, Cristina Calderaro, bem cedo. Ele lembrou que na última entrevista de Calderaro antes de morrer, em 1995, teria dito que “a Cristina é um ‘senhora executiva’, está preparada para trabalhar em qualquer grande jornal do mundo”, disse.
Mesmo com toda a preparação, a família sentiu a falta do chefe da família, do guia, da figura humana que agora estava ausente. “Ele vivia com a gente 24h, com a sua partida nos unimos ainda mais, fizemos um mutirão de família e com lágrimas tocamos tudo”, contou, ressaltando que “Ninguém vai fazer jamais o que eles (Calderaro e Ritta) fizeram, porque foi feito com luta e amor, nós estamos apenas dando continuidade”.
Os cinco anos morando fora de Manaus, para se formar em comunicação social, propiciou a Dissica Calderaro a certeza de que existem dois conhecimentos: o prático e o técnico. “Eu tinha a convivência dentro da redação desde criança, gostava de toda a movimentação, mas para ser um técnico precisa de conhecimentos e como não poderia desapontar a minha família, em especial o meu avô, corri atrás para dar essa resposta”, disse.
Segundo Dissica, a pior coisa é discutir o que não entende, por isso foi se qualificar para entender tecnicamente todo o funcionamento de um meio de comunicação, inclusive a relação com os colaboradores. “Não quero estar como diretor de Marketing Corporativo de “A Crítica” porque sou membro da família Calderaro, mas porque tenho condições de estar aqui”, assinalou, ressaltando que ele e seus irmãos vão passar e que já está vindo a quarta geração que tem que ser preparada. “Eles também precisam conhecer essa história de 60 anos e dar continuidade”, completou.

Copa do Mundo

Dissica não tem dúvidas de que Manaus será uma das sedes da Copa de 2014 porque o projeto para a cidade é muito bom. O Amazonas, segundo ele, tem que brigar para sediar a final ou a semifinal em Manaus. Com isso o Estado será o foco da imprensa internacional. “O Teatro Amazonas é um lugar apropriado para a Fifa realizar o sorteio das chaves”, assinalou Dissica Calderaro.

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