Finalmente o Facebook deixou de lado sua posição de indiferença em relação a conteúdos racistas e anunciou no último dia 27 que vai suprimir anúncios que contenham algum tipo de preconceito contra pessoas, em razão de origem, nacionalidade ou etnia. Também decidiu rotular publicações duvidosas e de cunho político que gerem algum tipo de desinformação. O executivo-chefe da empresa que controla a rede social, Mark Zuckerberg, comunicou que a plataforma agora vai excluir anúncios que afirmem que pessoas de determinadas raças, origem, nacionalidade, gênero ou orientação sexual são uma ameaça à segurança ou saúde das demais.

Invocando a defesa da liberdade de expressão, o Facebook adotava uma política mais flexível em relação a anúncios pagos e postagens de usuários. Mesmo conteúdos visivelmente ilícitos ou racistas não eram bloqueados ou de alguma maneira rotulados, pois o Facebook considerava que as próprias pessoas deveriam retirar suas conclusões sobre o que era publicado. A mudança na política de “moderação de conteúdo” ocorreu após sofrer um boicote de empresas que anunciam na rede social. O movimento foi liderado pela Liga Antidifamação (ADL — Anti Difamation League)  e a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP — National Association for the Advancement of Colored People), que pediram aos anunciantes que boicotassem o Facebook como forma de pressioná-lo a fiscalizar conteúdos que incitam ódio, racismo e violência. Essas duas organizações iniciaram a campanha “Stop Hate for Profit”, pedindo às empresas que anunciam no Facebook e no Instagram que deixem de contratar anúncios pagos durante o mês de julho.

O boicote publicitário ganhou corpo, com a adesão em poucos dias de cerca de cem grandes empresas. Aderiram à campanha e anunciaram a suspensão de publicidade no Facebook empresas de porte como a Coca-Cola, Unilever (dona das marcas Dove, Hellmann´s e Lipton), a fabricante de veículos Honda, a empresa de telecomunicações Verizon e a Levi Strauss, entre outras. Depois foi a vez de a Starbucks anunciar adesão à campanha. As ações do Facebook tiveram uma queda de 8,3% no dia 26 — uma perda de US$ 56 bilhões (R$ 306,8 bilhões) do valor de mercado da empresa. Com essa desvalorização, Mark Zuckerberg viu seu patrimônio pessoal diminuir em US$ 7,2 bilhões (R$ 39,4 bilhões).

Facebook já vinha sendo pressionado pela sociedade civil e pelos seus próprios funcionários a adotar uma política de fiscalização de conteúdos mais efetiva. Ao contrário do Twitter, no final de maio se recusou a moderar mensagens do presidente Donald Trump. Numa delas o presidente dos EUA fez comentários sobre o sistema de votação por meio de cédulas enviadas pelo correio, que denominou de fraude eleitoral. Na outra atacou os protestos pela morte de George Floyd — o homem negro que morreu sufocado por um policial branco em Minneapolis —, ameaçando com o uso da força para reprimi-los. O Twitter marcou a primeira postagem com uma sugestão para que os usuários “checassem os fatos” e a segunda com um aviso. O Facebook, por sua vez, se manteve inerte, sem intervir nas publicações.

No Brasil, o momento não poderia ser mais oportuno para se discutir esse assunto. É preciso discutir com sobriedade qual o grau da responsabilidade que deve ser atribuída aos provedores, na contenção de conteúdos ilícitos.

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