Antes renegada, Netflix será protagonista no Oscar no ano do streaming

Antes renegadas, plataformas de streaming começam a era do protagonismo

Depois de um recorde negativo de público no Emmy, Globo de Ouro e, muito recentemente, no Grammy Awards, o Oscar pretende manter sua relevância e, para isso, tenta atrair o público do streaming. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas revelou suas indicações para o 93ª edição do Oscar essa semana e, ironicamente, a melhor esperança da cerimônia não render outro desastre de audiência pode estar em um participante recentemente convidado para a festa, que, em outro momento, sofreu resistência: a Netflix.

Por conta da pandemia, a academia removeu temporariamente um dos requisitos para indicação de filmes, que é a exibição nos cinemas. Com a flexibilização desta regra, a edição de 2021 conta com inúmeras produções sendo transmitidas em plataformas de streaming como NetflixAmazon PrimeApple TV, Disney+ e até Globoplay.

No entanto, essas medidas, anunciadas em abril do ano passado, foram sucedidas por um ano sem grandes sucessos de bilheteria ou grandes campões de audiência. O que se viu foi um certo desânimo entre os espectadores.

Para os assinantes da Netflix e do Amazon Prime Video, há 17 longas indicados ao Oscar facilmente acessíveis. Entre eles, está “Mank” (2020), de David Fincher, que recebeu o maior número de indicações (10) e faz parte do catálogo Netflix. “O Som do Silêncio” (2020), de Darius Merder, concorre em seis categorias e está na plataforma Amazon.

Alguns especialistas e comentaristas da indústria cinematográfica disseram que, neste ano, pode haver uma dinâmica um pouco diferente do que se viu em outras edições do Oscar. As pessoas não terão visto os filmes indicados – e provavelmente não assistirão à cerimônia -, mas os filmes que ganharem os prêmios importantes devem ser beneficiados pela curiosidade do público após a premiação. A expectativa é que as pessoas confiram as produções para ver se foram dignas dos prêmios.

É aí que, teoricamente, a Netflix entra. No início desta semana, o serviço de streaming mais popular recebeu três indicações, assim como a concorrente a Amazon, para a lista de indicados a melhor filme do Prêmio do Sindicato de Produtores da América com as produções A Voz Suprema do Blues, Mank e Os 7 de Chicago. O primeiro deles teve a atuação notável de Chadwick Boseman. A premiação póstuma do ator, que ficou famoso após seu papel em Pantera Negra, foi o principal momento do Globo de Ouro.

Para a academia, as indicações das produções da Netflix para o 93º Oscar poderiam ajudar a dar a um grande número de pessoas a chance de se familiarizar com mais filmes indicados, já que a plataforma conta com a força do seu marketing para divulgar suas produções, enquanto as demais ficaram um pouco no escuro por conta da falta de acesso do público.  

A Netflix, é claro, não estará sozinha entre as plataformas de streaming, embora seja a maior entre elas, com mais de 200 milhões de assinantes em todo o mundo.

A Amazon recebeu indicações durante a preparação para o Oscar por filmes como Uma Noite em Miami e Borat: Fita de Cinema Seguinte. O Hulu, outra plataforma de streaming, poderia deter os direitos de um potencial ganhador depois da aquisição de Nomadland, drama americano escrito e dirigido pela chinesa Chloé Zhao. O recém-lançado no Brasil Disney + estreou Soul, favorito entre as animações.

Mesmo assim, isso pode não ser suficiente para poupar o Oscar do destino vivido por outras cerimônias durante a pandemia. A Federação Americana de Artistas de Televisão e Rádio pareceu reconhecer as mensagens deixadas pelo público após o fracasso das exibições do Globo de Ouro e do Emmy e reduziu seu próximo evento a um especial de uma hora, gravado com antecedência, bem diferente do tradicional jantar repleto de estrelas. (Os prêmios são televisionados pela rede irmã da CNN, WarnerMedia, TNT.)

Muita coisa mudou desde a histórica vitória de Parasita como melhor filme no Oscar do ano passado, mas a audiência tem caído constantemente. Talvez o maior problema enfrentado pela indústria de programas de premiação seja olhar além dos últimos 12 meses, para o que todos esperam que seja um mundo pós-pandêmico: depois de um ano de compreensível indiferença aos programas de premiação, esses eventos irão se recuperar junto com o interesse reprimido em ir ao cinema?

Parafraseando uma heroína de cinema famosa, isso é um problema para outro dia. Até a premiação, que só vai acontecer no domingo, 25 de abril, dá tempo de relaxar no sofá e assistir a maioria dos filmes escolhidos pela Academia. 

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