Aquilo que está na esfera do potencial significa quase nada. Qualquer pessoa está potencialmente apta a se tornar qualquer coisa. Um embrião é um potencial ser humano, mas está pelo menos nove meses de distância de chegar a sê-lo. A ciência não convenceu todas as pessoas sobre a definição do exato momento em que um aglomerado de células passa a ser considerado gente, decisão que, no Brasil, ficará a cargo dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Ambos os lados, a favor e contra, têm suas razões e argumentos fortes para justificar suas posições, mas parece pouco provável que os juízes irão proibir, em nosso país, o uso de embriões humanos nas pesquisas de células-tronco. Trata-se da maior promessa da medicina para doenças degenerativas e de lesões da medula. Em alguns casos, remédios oriundos dessa técnica prometem milagres para pessoas que, hoje, não têm nenhuma esperança de cura.
A pesquisa de novas técnicas na medicina é uma marcha inexorável, praticamente uma ambição humana, que sempre almejou a saúde, a juventude e a vida eternas, muito antes mesmo do homem engendrar as primeiras intervenções curativas. O sonho de viver para sempre fez com que nossos ancestrais construíssem um universo paralelo, mítico e religioso, isso em todas as culturas da Terra, somente para perpetuar sua existência. Cedo começou a explorar os princípios ativos de certas plantas e nos legou um conhecimento enorme a respeito de ervas, infusões e tantas outras práticas medicinais que resistem e se aperfeiçoam com o tempo. Então, é natural que a medicina sempre estará em busca do bem-estar das pessoas, ainda mais quando o conhecimento genético dos dias de hoje nos permite sonhar com remédios verdadeiramente milagrosos.
As pesquisas com células-tronco é uma realidade no mundo. Cabe ao Brasil escolher entre o atraso, caso proíba a manipulação de embriões humanos congelados, que jamais serão implantados em um útero para se desenvolverem, ou se juntar aos cientistas que estão decifrando o código genético e nos mostrando enormes possibilidades de criar órgãos novinhos para transplantes e, assim, salvar vidas de pessoas que estão potencialmente mortas. Jamais na história da humanidade estivemos tão próximos de produzir remédios capazes de curar doenças que sempre nos atormentaram. Caso o Brasil proíba as pesquisas, outros países irão continuá-las, desenvolvendo tecnologias que, mais tarde, os brasileiros terão de pagar mais caro, simplesmente porque tapou os olhos para a realidade.
Encruzilhadas éticas sempre estiveram no caminho do desenvolvimento de todas as áreas do conhecimento humano. Foi assim na astronomia, nas ciências naturais, nas artes plásticas. Sempre que se atinge um patamar, o próximo passo há de ser discutido, debatido, brigado, e o tempo se encarrega de apontar as razões. A medicina atual encontra-se nesse limite entre avançar com as pesquisas de células-tronco embrionárias ou barrar o conhecimento perante o empecilho moral de usar potenciais seres-humanos em experiências científicas. A visão de pessoas sendo manipuladas em laboratórios é eticamente aterradora, mas a verdadeira imagem da manipulação genética é microscópica, está no mundo das células, aonde não há identidade, registro civil ou qualquer outro traço que lembre um ser humano.
Todas as espécies de mamíferos apresentam semelha em seu estado embrionário, embora esteja em cada um daqueles aglomerados de células todas as características que aquele indivíduo herdará. No entanto, é radicalizar demais a discussão ao se afirmar que o embrião congelado já é um ser humano, com sua espiritualidade, sua individualidade, sua identidade e seus direitos civis. Reconhecer a humanidade do embrião é elevar a vida humana ao paroxismo de todos os extremos absolutos. É colocar o homem no altar da criação como o ser perfeito, imagem e semelhança de Deus, cuja concepção está destinada a uma vida plena, absoluta, a ser defendida mesmo a despeito da infelicidade dos outros. Humanizar o embrião humano

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