Anarquismo: a teoria que rejeita o poder.

O anarquismo é, no senso comum, um tipo de conhecimento que resulta do uso espontâneo da razão, mas que também é fruto dos sentidos, da memória, dos desejos, da imaginação, das crenças e tradições…, mas, neste texto, se refere a uma palavra de origem grega avapxia-na (não, sem) arché (governador). Portanto, trata-se de uma teoria que defende a supressão do Estado enquanto autoridade imposta e detentora do monopólio do uso da força.
Os adeptos do anarquismo afirmam que a função primordial de qualquer governo é a manutenção do domínio econômico de uma classe social sobre outra ou sobre todas as classes de uma sociedade (hegemonia). Dizem, ainda, que, no modo social e histórico de produção capitalista, o Estado mantém a desigualdade social por meio da força, da coerção, objetivando garantir a uma minoria a propriedade sobre os meios de subsistência de todos.
O Estado liberal, como salão dos conchavos das classes dirigentes e como muleta do capital, atuava em dois momentos: persuasão e coerção, ou seja, convencimento e força. A corrente de pensamento anarquista luta por um sistema socialista, em que a posse dos meios de produção seja assegurada a todos os trabalhadores, responsáveis pela construção da riqueza de qualquer nação. Nesse sistema não haveria necessidade de nenhuma autoridade ou governo, da existência de uma classe social que dominasse a outra.
A sociedade seria dirigida por associações democráticas, constituídas por todos, e divididas em cooperativas e estas, em federações. O primeiro anarquista registrado na História foi William Godwin (1756* 1836†), inglês, que defendia uma educação que não fosse gerenciada pelo Estado dizendo que esta formação tornava as pessoas menos propensas a enxergar a liberdade que lhe era tirada. É importante salientar que a corrente anarquista é diferente do marxismo.
Por que o anarquismo é diferente do marxismo? Porque rejeita o uso do Estado para alcançar a hegemonia. Os defensores dessa teoria afirmam que não se deve delegar a solução de problemas a outrem, mas antes atuar diretamente contra o problema em pauta. Como podem ser percebidos, os anarquistas rejeitam meios indiretos de solução dos problemas sociais, com a mediação de políticos profissionais ou pelo Estado, porta-voz das elites dirigentes.
Os teóricos dessa corrente são defensores dos meios mais diretos como a greve, o boicote, a desobediência civil e outros meios mais agudos (ação direta violenta). De maneira mais resumida: a luta não se delega aos heróis. Para os menos informados, anarquismo não significa ateísmos ou agnosticismo. Significa que qualquer ser humano tem o direito e a liberdade plena de acreditar, crer e professar a fé que bem entenda, desde que a sua fé não seja uma manifestação institucional, que se torne um instrumento de promoção de poderes.
Os autores desse artigo entendem que os anarquistas negam a instituição Igreja em todas as suas manifestações e não a Igreja na condição de templo de fé, pelas seguintes razões: a Igreja apoia a dominação capitalista, em especial, pela defesa da propriedade privada; tem uma estrutura vertical, a qual segrega o corpo religioso e toda a humanidade de maneira a selecionar os benefícios e os dignos de poderes espirituais; pelo processo de alienação do ser humano em relação à sua realidade, induzindo as pessoas, muitas vezes, a delegar a entes imaginários as transformações humanas que, na verdade, cabem ao conjunto dos indivíduos organizados viabilizarem a promoção.
Para os que defendem o anarquismo, o Estado não é necessário para a sociedade humana. É até mesmo desnecessário. Os grupos humanos seriam naturalmente capazes de se auto-organizarem de maneira igualitária e não hierárquica, mediante os progressos originais no homem a partir da educação libertária. A presença de hierarquias baseadas na força, ao invés de contribuírem para a organização social, antes a corrompem, por inibirem essa capacidade de auto-organização e por dar origem à desigualdade.
O anarquismo e o anarco-sindicalismo eram tendências majoritárias entre o operariado brasileiro, culminando com um período de efervescência de contradições como as que aconteceram em 1917, em São Paulo, e 1918/1919, no Rio de Janeiro. Para os estudiosos do anarquismo a decadência do movimento se deveu ao fortalecimento das correntes do socialismo autoritário de orientação marxista-leninista e com a criação do Partido Comunista Brasileiro, em 1922.
Foi durante o governo do caudilho Getúlio Dorneles Vargas que o anarco-sindicalismo recebeu seu golpe fatal, com a criação dos sindicatos controlados pelo Estado e as perseguições estatais. Podemos dizer que até a primeira metade da década de trinta, o anarquismo permaneceu sendo a ideologia que influenciava os trabalhadores brasileiros. Em síntese, o anarquismo é ausência de coerção, e não ausência de ordem.

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