América Latina deve evitar aumento “abrupto” de gasto público, diz FMI

O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Rodrigo de Rato, aconselhou que os países da América Latina evitem aumentos “fortes e abruptos” do gasto público e mantenham uma atenção e uma atitude “cautelosa” em relação ao aumento da dívida.
O conselho foi dado durante seu discurso no Fórum Espanha-Iberoamérica, que começou hoje em Madri.
O diretor-gerente disse que, apesar de muitos países da América Latina terem melhorado sua política fiscal, nos últimos anos foi possível observar em muitos deles aumentos “significativos” dos gastos.

Rato ressaltou que a arrecadação fiscal poderia diminuir se os preços das matérias-primas caírem ou se o crescimento econômico for afetado pela crise internacional, referindo-se à originada nos Estados Unidos pelas hipotecas de alto risco (“subprime”).

Mesmo reiterando que a economia latino-americana é hoje menos vulnerável às “turbulências” internacionais, Rato insistiu em que os Governos da região “não podem cruzar os braços”, porque os riscos “aumentaram”.

Neste contexto, o espanhol advertiu que se houvesse uma recessão nos EUA esta “atingiria” a América Latina por meio das exportações, e, indiretamente, teria um impacto sobre outras economias avançadas e emergentes que também compram dos países ibero-americanos.

Se a crise creditícia “atingir” um mercado emergente pode causar revalorização do risco

No entanto, afirmou que o FMI não espera que esta situação ocorra “agora”.

Rato disse ainda que se a crise creditícia “atingir” algum mercado emergente, não necessariamente na América Latina, poderia causar uma revalorização do risco e encarecer o financiamento para os países em desenvolvimento. No entanto, ressaltou novamente que o FMI não espera que isto aconteça.

O diretor-gerente do FMI acrescentou que a política monetária das nações da região nos últimos anos foi “correta” por ter dado mais independência aos bancos centrais, o que permitiu controlar a inflação e, por isso, possibilitou o crescimento da área.

Rato recomendou às nações que continuem “de olho” nos riscos da inflação e naqueles que são gerados pelo atual aumento do preço dos alimentos.

Mas, devido à “incerteza” dos mercados de crédito mundiais, ele ressaltou que as autoridades precisarão contar com a informação “adequada” sobre o perfil de risco das principais instituições financeiras internas.

O responsável do Fundo Monetário Internacional disse que “preocupa” o fato de o investimento “estar ficando atrasado” na região e de a despesa de capital ter diminuído “proporcionalmente” ao gasto público total nos países da América Latina, enquanto na maioria dos casos os aumentos previstos de investimento do setor privado não se concretizaram.

Desta forma, Rato lembrou que é importante criar um entorno “competitivo” que dê estabilidade aos investidores e aos mercados e que também é “preciso” aumentar o investimento público e seu planejamento para orientá-lo aos “interesses produtivos”.

O diretor-gerente do FMI dedicou parte de seu discurso à “especial responsabilidade” que os governos latino-americanos têm na redução da pobreza e da desigualdade social.

Segundo ele, isto pode ser realizado através de políticas fiscais que façam com que certos impostos recaiam sobre a população de maior renda ou mediante a eliminação de isenções que favoreçam as pessoas com maior poder aquisitivo.

Rato defendeu o microfinanciamento, a flexibilização dos mercados de trabalho da região e a melhoria da prestação de serviço nas zonas rurais. O fórum é organizado pela Assembléia da Associação Ibero-Americana de Câmaras de Comércio (Aico) junto com a Conferência da Ciac (Comissão Interamericana de Arbitragem Comercial).

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