O homem amazônico é fruto da confluência de sujeitos sociais distintos -ameríndios da várzea e/ou terra firme, negros, nordestinos e europeus de diversas nacionalidades (portugueses, espanhóis, holandeses, franceses, etc) -que inauguram novas e singulares formas de organização social nos trópicos amazônicos (FRAXE, 2009).

A região carrega estereótipos e selos que dizem por si só, alguns deles trazem uma imagem positiva do espaço, temos: Amazônia “pulmão do mundo”, área verde preservada, Amazônia Sustentável, berço da biodiversidade, etc. Em contraponto temos os discursos: local quase inabitável, lugar exótico, lugar dos povos ameríndios, os quais mostram uma Amazônia como se precisasse ser descoberta, uma Amazônia que em relação a outros locais do Brasil como Sul, Sudeste, é posta como inferior. Dizendo de outra maneira, enquanto estes locais são postos e evidência – principalmente na mídia, o espaço e o homem da Amazônia são interpelados a ocupar um outro lugar, o lugar do exótico, da floresta, como se não houvesse civilização e tecnologia ali, fazendo com que ao se sentir amazônida, esse sujeito sinta-se inferior, e até excluído diante do resto do país (MARTINS, 2005).

Falar dos povos da Amazônia requer um (re)conhecimento da grande diversidade ambiental e social da região, noutras palavras, é preciso tomar como ponto de partida o desenvolvimento histórico da região.
Ocupa cerca de 42% do território nacional e representa no Brasil cerca de 50% da área total que ela ocupa na América do Sul, não é de agora que a Amazônia é falada em diferentes discursos que circulam nos mais variados espaços, desde a biologia até ao turismo, desperta cada vez mais interesse e curiosidades (CARDOSO, 2013).

Os inúmeros grupos sociais que habitam a Amazônia desenvolvem um estilo de vida próprio, transmite seus costumes e práticas culturais de geração em geração, sem, muitas vezes, haver um reconhecimento sócio-político de suas existências. Cada palavra, cada gesto, cada pedacinho dessa gente e de seus lugares, quase invisíveis, foram-se acumulando, revelando uma forma singular de vida. (FRAXE, 2009)

Essa mata, essa gente, essa nação, seu jeito, sua história e sua canção, seus mitos, seus gritos, seus gemidos, seus sons que não são audíveis mas são perceptíveis, demandam um socorro, uma ampliação, uma libertação. O convite já foi feito, revelar, resgatar e preservar. Vamos dar as mãos?

*é Psicóloga/ Especialista em Avaliação Psicológica – CRP 20/08003.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email