14 de abril de 2021

Amazônia perdeu um ‘São Paulo’

Desmatamento foi de 240 mil quilômetros quadrados, 3% da área total da floresta, durante o período

Estudo realizado em nove países sul-americanos revela que, entre 2000 e 2010, a Amazônia perdeu 240 mil quilômetros quadrados de floresta, o que equivale a 3% de sua área total, algo como o território do Estado de São Paulo. O estudo foi coordenado pela Raisg (Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada), que congrega 11 ONGs e institutos de pesquisa regionais, como mostra a BBC.
O atlas “Amazônia Sob Pressão” mediu, com base em imagens de satélite, o desmatamento no período em todos os países que abrigam a floresta, além de ter mapeado as principais ameaças ao ambiente e à população local.
Segundo o levantamento, dentro do período, 80,4% do desmatamento da Amazônia ocorreu no Brasil, país que abriga 58,1% da floresta.
Dono da segunda maior porção de cobertura florestal, com 13,1%, o Peru foi responsável por 6,2%, seguido pela Colômbia, que possui 8% da floresta e desmatou 5%.
O trabalho considera como principais pressões sofridas pela floresta as estradas, a mineração, a exploração de petróleo e gás, as hidrelétricas e os focos de calor.
“É importante manter em evidência uma visão geral sobre o que está acontecendo na Amazônia”, disse Beto Ricardo, coordenador-geral do estudo e membro do ISA (Instituto Socioambiental), à BBC Brasil.
Para país, garante, trata-se de um estudo especialmente importante porque boa parte das cabeceiras dos grandes rios amazônicos que cortam o país está em nações vizinhas.
“O que acontece lá nas nascentes afeta todo mundo aqui rio abaixo”, afirmou.

Noruega dará US$ 180 mi ao Brasil para conservação
Atualmente, o Brasil tem se destacado inter­nacio­nal­mente no que se refere à proteção da floresta amazônica. A redução do desmatamento, constatada este ano, abriu novas fontes de recursos baseadas nas compensações por manter a floresta saudável.
O governo da Noruega anunciou na quinta-feira (6) na COP-18, conferência do clima da ONU que vai até amanhã em Doha, no Qatar, a liberação de 1 bilhão de coroas norueguesas (cerca de US$ 180 milhões) para a preservação da Amazônia.
O anúncio foi feito após uma reunião da ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, e de seu colega norueguês, Bard Vegar Solhiel.
Segundo a ministra, o dinheiro está prestes a ser entregue ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico).
A verba da Noruega faz parte de um acordo bilateral assinado em 2008 que prevê a liberação de financiamento de US$ 1 bilhão até 2015, em repasses anuais condicionados aos bons resultados brasileiros na conservação da floresta amazônica.
O repasse atual é referente à taxa de desmatamento do período entre julho de 2010 e junho de 2011, que ficou em 6.418 quilômetros quadrados, o que representou o terceiro recorde de consecutivo de redução do desmatamento.
Embora ainda sejam estimativas, os números mais recentes do governo sobre a perda de cobertura florestal na Amazônia, que foram estimados pelo sistema Prodes do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em 4.656 para o intervalo entre julho de 2011 e junho de 2012, já animaram os noruegueses.
O repasse das verbas é feito somente após os resultados consolidados do governo, que em geral saem em meados do ano seguinte ao anúncio da estimativa. Com o dinheiro anunciado agora, de acordo com representantes do Ministério do Meio Ambiente, o total repassado chegou a cerca de US$ 600 milhões.
‘Estamos muito felizes em anunciar esse repasse. A redução no desmatamento no Brasil foi uma grande contribuição do país para o mundo em termos de redução das emissões de gases-estufa‘, afirmou o representante europeu.
A ministra brasileira, Izabella Teixeira, também celebrou a iniciativa. “Isso mostra que nossas políticas estão no caminho certo e que o Brasil tem feito um trabalho tremendo para evitar o desmatamento”, disse a ministra.
O dinheiro repassado irá para o Fundo da Amazônia, uma iniciativa do governo federal para financiar projetos de conservação no bioma.
Os resultados do fundo têm sido apresentados como trunfo pelo governo brasileiro nas negociações climáticas em Doha e foram mencionados também na primeira vez que a chefe da delegação brasileira se dirigiu à plenária no evento, na manhã de quinta-feira.

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