Amazônia, os caminhos da convergência empresarial

Wilson Périco(*) Convergência Empresarial da Amazônia

É na dificuldade que aparecem as oportunidades ou a acomodação. Em tempos de pandemia da Covid-19, optamos por ir à luta e promovemos aproximação ainda maior entre as entidades que atuam na Zona Franca de Manaus e este foi e continua sendo nosso maior acerto. É bem verdade que já estávamos trabalhando em sintonia e o impacto sanitário nos aproximou intensamente. Em pouco tempo nos demos conta que, aliançados, FIEAM, CIEAM, ELETROS E ABRACICLO, se tornaram um Comitê ZFM Covid-19, ficamos mais forte e alinhados, na busca de soluções para ajudar o poder público no suporte às equipes de saúde no cotidiano do combate à pandemia, e depois para ajudar as famílias em vulnerabilidade social. No final, isso rendeu um trabalho ímpar de mobilização solidária, com atores do tecido social, especialistas locais e de todo o país, todos querendo trabalhar voluntariamente para salvar vidas e resguardar a economia, os empregos, a retomada de nossa luta e avanços na solução dos de problemas.

Mobilização regional

E como não poderia deixar de ser, olhando a relevância e eficácia dessa experiência, nos sentimos fortes e motivados para seguir trabalhando neste formato, agora já olhando para o futuro, instalamos a “Convergência Empresarial da Amazônia”, com a somatória de esforços e competências para buscar alternativas, consolidar metodologias, avançar no enfrentamento dos desafios e contradições e ainda balizar, com subsídios e demandas, a ação parlamentar, assim como promover o alinhamento junto ao governo do estado de ações e posicionamentos por conta das reformas que se avizinham. Estamos envolvidos intensamente coma reforma tributária, mas não apenas. Esse movimento acontece, inicialmente, no âmbito das questões do Amazonas mas seu alcance e pretensões – esperamos e trabalharemos para isso – projetam desde já uma amplitude amazônica. Nossos gargalos, necessidades e demandas não divergem na essência dos demais unidades da Amazônia. Por isso, olharemos com muita atenção e prioridade tudo aquilo que nos une, deixando em segundo plano eventuais diferenças que nos possam afastar. Isso nos fortalecerá mais ainda no contexto da CNI e da Pró-Amazônia e, melhor ainda, fomentará a consolidação de uma bancada parlamentar da Amazônia, nossa tribuna coletiva de luta.

Nova ZFM

Na ordem de nossas prioridades, portanto, temos aquilo que estamos chamando de a Nova ZFM, nosso modo de adensamento, diversificação e regionalização da economia e de redução das desigualdades regionais. E para começar o encaminhamento é preciso explicitar as premissas de sua viabilidade. Até aqui ficou por conta do poder público, tanto Federal como Estadual, a gestão dos generosos recursos gerados pela ZFM, especialmente por seu Polo Industrial. É de extrema importância pontuar e priorizar essa questão. Temos uma legislação muito clara e bem fundamentada norteando essa aplicação, que se baseia  na Carta Magna e que condiciona a contrapartida fiscal à redução das desigualdades regionais. Como reduzir a pobreza e exclusão social quando impõem ao Amazonas o papel de ser um dos 5 estados que mais recolhem recursos aos cofres federais? Essa questão precisa de ordenamento político para que se respeitem os estatutos legais.

Centro de Excelência

Assim procedendo, e considerando que o manejo inteligente e sustentável da diversidade biológica é um dos principais instrumentos de concordância na mudança na paisagem econômica, estes recursos deverão formar um Fundo de Desenvolvimento da Amazônia para dar suporte ao Centro de Excelência em P&D&I, que possa fomentar novos negócios, orientar a formação de recursos humanos e mobilizar as instituições e empresas existentes Embrapa/CBA/UEA/UFAM/Bionorte/INPA… e parcerias que irão se formar. Isso mobilizará, também, novas fontes de financiamento (BASA – FDA) e vai impulsionar a diversificação da atividade produtiva na região. Esta será uma das características centrais do novo Polo Industrial de Manaus, com novos polos de bioindústria, mineral, de piscicultura e fruticultura, preferencialmente com a extinção do atual PPB, flexibilizando a estrutura burocrática e proibicionista. Só assim, vamos trabalhar com novos marcos regulatórios, com menor proibicionismo e com novas atitudes colaborativas entre o poder público e o setor produtivo, a partir do Amazonas visando consolidar, ampliar e aliançar a Convergência Empresarial da Amazônia.

(*) Wilson é economista, empresário, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas e coordenador da Convergência Empresarial Amazônica – FIEAM, CIEAM, ELETROS e ABRACICLO

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

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