7 de maio de 2021

Amazônia: nosso ministério é do empreendedorismo

“A geração de emprego e a qualificação técnica e na inovação tecnológica de nossos produtos são emergências para uma ocupação Sustentável e responsável da floresta, sua proteção e garantia de melhor qualidade de vida de nossos irmãos ribeirinhos.”

Por Nelson Azevedo(*)

Aparentemente descartada criação do Ministério da Amazônia, um tiro de festim como se diz na Caserna, gostaríamos de chamar a atenção para o trabalho que está sendo feito pela Superintendência da Zona Franca de Manaus. É hora de se envolver e apoiar do melhor jeito que a autarquia espera: com a participação efetiva do setor privado. Ministério, Conselho, Secretaria da Amazônia são repartições bem-vindas, mas nós não estamos precisando de mais autarquias, e sim ficar atento aos que estão fazendo as existentes na região. Ainda permanece válida a insistência do TCU, Tribunal de Contas da União junto ao MPF, Ministério Público Federal, já tem cinco aos, recomendando uma integração operacional e corporativa entre os entes federados que atuam na Amazônia. No mínimo, isso evitaria superposição e redução de despesas.

Integração esperada

A Suframa tem comunicado, embora timidamente, seus avanços e proposições robustas, como é o caso do Projeto da Zona de Desenvolvimento Econômico e de Conservação da Natureza dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia (Amacro), que será lançado oficialmente no próximo dia 20 de abril. Por que isso não foi pensado anteriormente não importa. Precisamos prestigiar a iniciativa pois preenche um dos requisitos mais importantes da economia gerenciada pela Suframa: desenvolvimento regional integrado, posto avançado de uma esperada integração da Amazônia com o resto do Brasil.

Taxas da interiorização do desenvolvimento

Cabe lembrar que foram as verbas do Polo Industrial de Manaus, as chamadas taxas da Suframa, que permitiram a construção e o desenvolvimento da Universidade Federal do Acre, hoje em pleno funcionamento produzindo ciência, tecnologia e formação básica dos professores que já estão atuando na região há algumas décadas. Recentemente, o Acre, maltratado por uma crise climática de inundação trágica, bem poderia ter recebido mais suporte solidário se nós tivéssemos uma linha direta de conexão rodoviária. Não temos. Mas o projeto da AMACRO supõe a recuperação efetiva da BR-319. Esta é uma outra razão adicional para apoiarmos a Suframa e assegurar que, neste penúria de recursos no país, não sejam confiscadas as verbas já alocadas para esta rodovia que aguarda há 40 anos sua recuperação.

Desenvolvimento com sustentabilidade

O critério sócio ambiental de implantação da AMACRO é o mesmo que norteia todos os novos empreendimentos do programaZFM. São critérios que envolvem um conjunto de ações para fomentar o desenvolvimento com sustentabilidade socioambiental. A área escolhida, região do sul do Amazonas, leste do Acre e noroeste de Rondônia, vai potencializar vocações locais de bioeconomia e circuitos produtivos agrosustentáveis por meio de ações público/privadas. São 13 eixos temáticos que englobam saúde, bioeconomia, energia renovável, fruticultura, extratos vegetais, piscicultura e por aí vai.

Os milionários de Rondônia

Atualmente, temos uma relação direta com Rondônia na área de alimentos, notadamente os peixes que de lá importamos em média 200 toneladas/ano. O Estado exportou quase 400 ton. em 2020. Eles não substituíram a pecuária pela piscicultura apenas integraram as duas atividades. Vale lembrar que Rondônia é o Estado brasileiro proporcionalmente com maior número de milionários. Vindos do Paraná nos anos 70/80 investiram em diversas atividades e, mesmo acusados de desmatamento, ganham destaque nacional pelos programas respeitáveis de reflorestamento. Nada como investir em atividades econômicas para cuidar do fator socioambiental.

Banco de projetos

O Amazonas e a Amazônia são almoxarifados de biodiversidade e de bioprojetos. Falta-nos uma estrutura publicitária e de financiamento de infraestrutura de energia, transporte e comunicação. Frequentemente, o superintendente Algacir Polsin destaca a necessidade de “vender” este banco de projetos, “para que os investidores e empreendedores saibam as melhores oportunidades para alocarem seus recursos, bem como investir na bioeconomia e no maior aproveitamento, beneficiamento e valorização da matéria-prima regional”.

Novas matrizes

É o caso do pirarucu, que tem proteína abundante e saborosa e apreciada pela população em geral. Mas será que essa é a sua parte mais valiosa? Pesquisadores do INPA não escondem que as grandes farmacêuticas pagam fortuna pelo plasma sanguíneo do pirarucu, e o mercado das beldades desembolsa polpudas quantias por uma bolsa de couro de pirarucu curtida de modo sustentável desde o manejo ao ordenamento racional dos resíduos. O governador Gilberto Mestrinho, professor em bionegócios, defendia o manejo de fauna do jacaré tanto para o consumo de sua proteína como na comercialização do beneficiamento de seu couro. Isso é diversificação da matriz econômica, responsabilidade do poder público para flexibilizar a legislação proibicionista e do setor privado ter Ambiente de negócios para investir. A geração de emprego e a qualificação técnica e na inovação tecnológica de nossos produtos são emergências para uma ocupação Sustentável e responsável da floresta, sua proteção e garantia de melhor qualidade de vida de nossos irmãos ribeirinhos. 

(*) Nelson é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus; conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM 
Foto/Destaque: Divulgação

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