Amazônia em novo estágio de genocídio (Parte 1)

Dedicamos este espaço, em todo o mês de julho, para ressaltar o crime de lesa-pátria que o atual Governo Federal presencia e vem demonstrando incapacidade de resolver: desenvolver uma política pública à Amazônia que permita a conservação da floresta e dos povos da floresta em pé.

O tiro de misericórdia à Amazônia, e em especial, ao Amazonas, foi o anúncio de venda pelo presidente da ‘PETROBRAX’, Roberto Castello Branco, do nosso complexo industrial petrolífero de Urucu, instalado no coração da floresta.

Concomitantemente, ao tempo em que caminhamos para 100 mil vítimas brasileiras da pandemia do Covid-19, consigo identificar no Programa Pátria Amada Brasil, que chega ao seu 20º mês, a indiferença com o pacto federativo que exigiria a coordenação de Estados e municípios, e, uma certeza: parte do Governo Bolsonaro trabalha para concluir a desestatização da Petróleo Brasileiro S.A., nosso maior patrimônio nacional da Engenharia e da Geologia.

Não posso ser leviano em creditar a destruição da nossa PETROBRAS, exclusivamente, ao atual governo. Apenas, ficou muito explícito ‘os interesses difusos’ por trás da indicação de um dos filhos do presidente à Embaixada do Brasil nos Estados Unidos da América. Recordo aos leitores que, em 2019, o Brasil negociava os seus ativos da Cessão Onerosa (o controle sobre o excedente de petróleo encontrado) em campos no pré-sal da Bacia de Santos.

Acompanhei atentamente, no último dia 22 de julho, as discussões promovidas pelo Sindicato de Geólogos do Estado de São Paulo, sobre o Desmonte da Petrobrás e a desmobilização das unidades regionais: impactos econômicos e sociais na baixada santista.

Segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (IBEPS), o fechamento da unidade em Santos fará a região perder por ano R$ 309 milhões de reais, considerando a massa salarial que os cerca de 2100 trabalhadores injetam na economia em um ano.

Guilherme de Oliveira Estrella (foi diretor de Exploração e Produção da PETROBRAS – 2003-2012) e Luciano Seixas Chagas (46 anos de trabalho na atividade de avaliação de ativos de Exploratórios e de Produção da indústria petrolífera) foram os convidados; e, Rosângela Buzanelli (geofísica da PETROBRAS e representante eleita dos empregados no Conselho de Administração da PETROBRAS), Ana Patrícia Laier (geóloga da PETROBRAS por 20 anos, conselheira da Associação dos Engenheiros da PETROBRAS e diretora do Sindicato dos Petroleiros do RJ), Adaedson Bezerra da Costa (secretário geral da Federação Nacional dos Petroleiros) e Leandro Vasconcelos Thomaz (prof. Dr. pela UFRGS e geólogo da PETROBRAS há 13 anos) participaram como debatedores.

Todos foram unanimes: os crimes que a atual diretoria da ‘PETROBRAX’ vem realizando a partir das ações de desinvestimento, não só ferem a soberania nacional, como recolocam o Brasil na qualidade subserviente de nova colônia mundial: de dono da principal descoberta petrolífera do século XXI, o Pré-Sal, sob o comando da dupla Castello Branco e Guedes, estamos, hoje, exportando óleo bruto, e importando gasolina da Suíça…

E eu pensava que a Suíça era especialista em produzir chocolate e relógio.

O neocolonialismo liberal de Guedes e de seus comparsas financistas da atual Diretoria da ‘PETROBRAX’, abastecem seus bolsos com altos salários, advindos não pela maior produtividade, ou eficácia da empresa, mas, por ganhos extras previstos em bônus contratuais relacionados ao balanço positivo pela venda de ativos preciosos ao Brasil e cobiçados pelo mercado.

Como, constitucionalmente, não podem privatizar a Petróleo Brasileiro S.A., fatiam-na e a vendem, de forma inescrupulosa, independentemente, dos baixos preços das commodities internacionais pela crise econômica mundial instalada pela pandemia, ou dos impactos sociais e ambientais nos estados e municípios produtores.

O que estão fazendo com nossa PETROBRAS?

Criada no século XX pelo militar Vargas como uma empresa estratégica nacional, agente da sinergia ao desenvolvimento econômico e social do Brasil, caberá ao ‘capitão’ presidente e ao ‘general’ vice-presidente discernir sobre o papel do seu Governo na história.

Continuarão omissos, junto com ministro de Minas e Energia, na covardia da perpetuação no poder, como fizeram as organizações partidárias que os antecederam, ou reagirão como militares em defesa da pátria livre, morrendo pelo país?

Energia é a base do trabalho de uma Nação, e devoto que sou de São Francisco de Assis, aprendi, em sua prece: “e morrendo, é que nascemos para a vida eterna”.

(Continua)

*Daniel Borges Nava é Geólogo, Analista Ambiental e Professor Doutor em Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia.

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