Amazônia: cobiça e soberania

José Fernando Pereira da Silva
Assessor Econômico da Fecomércio AM
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O principal desafio neste século, para o nosso País, será conhecer a Amazônia. Entretanto, para conhecê-la de verdade, é preciso torná-la mais próxima e mais aberta para entender sua verdadeira vocação e sua posição estratégica no planeta. Desta forma, qualquer política de governo, deverá necessariamente estar voltada para a realização desse grandioso esforço de integração e torná-la conhecida de todos os brasileiros, no duplo sentido da sua descoberta e de sua humanização. Consciente dessa máxima, o general Mourão, titular do Conselho da Amazônia, tem se manifestado consciente dessa máxima.

Em todos os seus pronunciamentos, o ilustre general aborda importantes questões sobre esta região, que deverão ser objeto de ampla discussão nos mais diferentes segmentos de nossa sociedade, principalmente em nossos meios empresariais e acadêmicos. Ele defende a tese de um amplo plano de desenvolvimento para a Amazônia, que parta da premissa total, completa e absoluta da soberania nacional, visando ao aproveitamento amplo e compartilhado dos nossos recursos naturais.

A cobiça internacional da Amazônia remonta à época do descobrimento do Brasil, quando à coroa portuguesa coube evitar, mediante cruentas guerras incursionistas contra franceses e ingleses, que objetivavam se estabelecer no nosso território.

Nos dias atuais, vários são os pretextos que escamoteiam essas intenções. Com a criação da Unesco, por ocasião da Primeira Conferência Geral, em 1946, foi aprovada a ideia de criação do Instituto Internacional da Hiléia Amazônica.

Dois anos mais tarde, em Iquitos, a convenção criando o Instituto foi assinada, sujeita à aprovação dos países amazônicos. Logo em seguida, descobriu-se a verdadeira intenção da ideia, na qual países industrializados procuravam tirar proveitos. Além do mais, a convenção continha diversos dispositivos inaceitáveis, como por exemplo, o diretor do Instituto não seria escolhido entre os representantes da região.

Em seguida, surgiu a loucura da ideia do grande lago amazônico, patrocinado pelo Hudson Institute de Nova York, que previa a construção de sete lagos destinados a ligar todas as bacias hidrográficas, inclusive a do Prata, com o objetivo de melhorar a navegação na região.

Nos dias atuais, a defesa do meio ambiente tem sido pretexto ora pra justificar intervenção na Amazônia. É a pratica da desinformação à qual os países industrializados têm recorrido diante da grita contra o “efeito estufa”.

Presentemente, assistimos depoimento de líderes europeus para quem a soberania dos países que possuem florestas equatoriais úmidas é relativa. Propunham a criação de uma entidade supranacional com poderes de reprimir “crimes ecológicos”.

Entrementes, cabe salientar que no Brasil torna-se imperativo a adoção de uma política diferenciada para Amazônia, tendo em vista que teremos de conviver com essa cobiça, que não cessará. As discussões sobre os direitos da biodiversidade estender-se-ão indefinidamente. O mesmo ocorrerá com relação à exploração de nossos recursos naturais, notadamente os minérios e a madeira.

Como observação final, segundo os especialistas, os bens mais valiosos do terceiro milênio são: a água e as proteínas, abundantes em nosso território, haja vista sermos detentores de 20% das reservas de água doce do planeta.

Por outro lado, a escassez de água doce já está se constituindo em sérios problemas em vários continentes.

Desta forma, o meio mais adequado de mantermos nossa soberania sobre o espaço amazônico, será ocuparmos os seus espaços, através de um amplo programa de Pesquisas e Desenvolvimento Tecnológico, Turismo, Valores Culturais, investirmos maciçamente no Capital Intelectual e no Capital Infraestrutural, imperiosas ferramentas ao nosso desenvolvimento sustentável, além da vontade política de nossas autoridades.

A Amazônia Brasileira pertence unicamente a nós brasileiros e a sua soberania cabe a nós preservá-la às gerações vindouras.

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