10 de abril de 2021

Amazonenses pagam R$ 5,5 bilhões em impostos

O volume de impostos arrecadados dos contribuintes amazonenses chegou a R$ 5,5 bilhões ontem, de acordo com o contador eletrônico da ACSP (Associação Comercial São Paulo), o Impostômetro

O volume de impostos arrecadados dos contribuintes amazonenses chegou a R$ 5,5 bilhões ontem, de acordo com o contador eletrônico da ACSP (Associação Comercial São Paulo), o Impostômetro. Manaus representa 41,82% do total recolhido neste ano, sendo 12,72% superior ao patamar alcançado no mesmo período de 2008, mesmo em um ano cuja primeira metade foi marcado pela crise financeira internacional.
Dos 62 municípios do Amazonas, apenas a Coari (a 368 km de distância da capital) chegou perto da arrecadação de Manaus. Neste caso, perto quer dizer ir além dos R$ 100 milhões. Coari recolheu R$ 445,2 milhões dos 66,9 mil de cidadãos neste ano, deixando uma conta de R$ 6.654,71 para cada coariense. Se considerarmos um trabalhador que ganha um salário mínimo (R$ 465) por mês, mesmo entregando todos os ganhos do ano (R$ 5,580) ao governo, não conseguiria oferecer sua contribuição integral ao fisco municipal.
Em Manaus, onde a soma dos tributos em 2009 chegou a R$ 2,3 bilhões, a cota de cada um dos 1,7 milhão de manauenses –segundo a contagem aferida neste ano pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)– ficaria em R$ 1.352,95. Ainda no cálculo do salário mínimo, seria necessário trabalhar três meses para ajudar a encher o caixa da prefeitura.
As três cidades com os menores índices de pagamento de impostos foram Barcelos (405 km de Manaus), Santa Izabel do Rio Negro (628 km) e Santo Antônio do Içá (888 km). Enquanto Barcelos acumulou apenas R$ 2,3 milhões os outros dois municípios tiveram arrecadações de R$ 7,1 milhões e R$ 7,6 milhões, respectivamente.
A quantidade de habitantes por localidade e o poder de “gerar riqueza”, como definiu o economista Assis Mourão, é proporcional à arrecadação de impostos. Em Barcelos, por exemplo, onde foi anotada a menor quantia recolhida, existem 25,4 mil moradores e o PIB (Produto Interno Bruto) per capita (por cabeça, em latim) é de apenas R$ 2,6 mil. Ou seja, a população da cidade produz somente R$ 2,6 mil em riquezas por ano. Rateando o valor para cada pessoa resta R$ 219,67 – um barcelense contribuiu com esta quantia para a produção de dividendos no município durante 2009.
“Os números do PIB per capita não são o instrumento ideal para medir a riqueza de uma cidade, mas com eles podemos ter uma idéia de como o desenvolvimento econômico está atrasado no interior do Amazonas”, afirmou Mourão. Segundo ele, estatísticas sobre ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), entre outros, compõem a gama de tributos que também devem ser considerados na análise.
Para o especialista, a ausência de empresas de grande porte dispostas a investirem nas cidades interioranas e a falta de perspectivas de crescimento profissional para os jovens e adolescentes, aliada a geração de empregos para fixá-los nas suas cidades de origem, contribuem para a estagnação econômica do Estado.
A equipe de reportagem do Jornal do Commercio tentou contactar os prefeitos dos municípios citados e não obteve retorno na sede da prefeitura ou na representação em Manaus até o fechamento desta edição.

Fiscalização e investimentos

Na avaliação do presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, é necessário maior divulgação sobre o desempenho tributário do interior do Amazonas, para que haja fiscalização e possíveis investimentos. “Temos que incentivar o aumento da renda no interior para manter as pessoas nas cidades onde nasceram e, com isso, iniciar o processo de desenvolvimento. Não há como desenvolver uma cidade vazia e sem empresas interessadas em investir”, opinou.
O presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), Gilberto Luiz do Amaral, adiantou que a arrecadação de impostos no Brasil, em 2010, atingirá R$ 1,225 trilhão. A expectativa é que as 23 horas e 59 minutos do dia 31 de dezembro, o Impostômetro marque R$ 1,090 trilhão, aumento de 3% sobre 2008. O Impostômetro está localizado na entrada da ACSP, na capital daquele Estado e pode ser consultado no website www.impostometro.org.br.

IBPT prevê arrecadação recorde

A arrecadação tributária brasileira deve bater a marca histórica de R$ 1,090 trilhão até hoje, estima o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). Caso o número seja confirmado, trata-se de um aumento de 3% sobre o total arrecado em 2008. Para o ano, as projeções sobre o crescimento da economia oscilam entre zero e 0,2%.
O IBPT leva em consideração o ritmo de atualização do chamado “Impostômetro” – painel eletrônico instalado na sede da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) que mostra, em tempo real, o total da arrecadação no país.

Incremento do PIB

O Impostômetro ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão no último dia 14. Ele foi inaugurado em 2005 e é mantido pela ACSP, sendo baseado nas estatísticas realizadas pelo IBPT. O painel busca refletir o total arrecadado pela soma de União, estados e municípios.
Para 2010, o instituto estima uma arrecadação ainda maior do que essa marca, na casa de R$ 1,25 trilhão. Economistas projetam um incremento do PIB (total das riquezas do país) em torno de 5% para o ano que vem.

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