16 de abril de 2021

Amazonenses investem mais na bolsa de valores

Volatilidade é o principal motivo da atração de investidores do Estado, que destinam recursos principalmente para papéis das empresas Vale e Petrobras

Nos últimos dias, o panorama do mercado financeiro confirmou a volatilidade dos papéis no índice de referência Ibovespa. Mas um detalhe vem chamando atenção de um número cada vez maior de investidores amazonenses. Entre janeiro até o último dia 20 deste mês, as ações preferenciais (sem direito a voto) Petrobras e Vale vêm sendo as mais procuradas por investidores do Amazonas, que asseguraram uma participação de três para um entre os papéis de maior investimento.
O analista econômico da Hera Investment, Ricardo Loureiro, explicou que a carteira do índice Bovespa é formada pelas ações com maior volume nos últimos 12 meses e alterada a cada quadrimestre. Segundo o especialista, a última alteração contém 66 ações de 57 empresas e vale até o fim deste mês. “Ao isolarmos a carteira nos últimos cinco quadrimestres e traçarmos o comportamento da Bolsa em cada um dos períodos, percebemos que os papéis da Petrobras e Vale são grandes alavancas do principal índice brasileiro de ações”, disse.

Petróleo e ferro

O estudo da Hera Investment mostrou ainda que, neste ano, sem a Vale e a Petrobras, o Ibovespa teria caído somente 10,2%, e não os 16,5% oficiais até 18 de agosto. No entendimento de Loureiro, o movimento de alta ou queda da Petrobras e da Vale se reflete diretamente no Ibovespa, porém, a alta mundial do petróleo fez mais diferença que a do minério de ferro. “A Petrobras teve mais importância para a alta do Ibovespa do que a Vale”, completou o autor da pesquisa.
O ponto de vista de Loureiro sobre o comportamento distinto das duas gigantes em relação ao das outras companhias no índice concorda com a análise do presidente da Aiav-AM (Associação dos Investidores em Ações da Vale no Amazonas), Álvaro Smont, o qual avaliou que as turbulências para investimentos de curto prazo não impedem que Vale e Petrobras continuem sendo papéis com ótimo potencial de alta.

Valorização e prospecção

Smont disse ainda que a valorização das ações se deu em parte tanto pelas prospecções de aumento da produção de petróleo quanto pelos reajustes de preço da commodity ferro (no caso da Vale) que vêm sendo praticados no mercado internacional. O executivo frisou que as perspectivas para os amazonenses que desejarem investir nos papéis de ambas as empresas são muito boas, já que, por conta da forte queda das ações, o indicador preço sobre lucro da empresa está em torno de seis, metade da média. “Isso é mais um fator positivo para indicar a compra, já que quanto mais baixo for o preço em relação ao lucro, mas rapidamente o acionista deve obter o retorno do investimento”, explicou.

Comportamento das commodities influenciam ações

Apesar disso, desde o ano passado, o comportamento das commodities no mercado externo parece ter influenciado significativamente nas ações da Petrobras e da Vale. Essa turbulência de preços, que anteriormente afugentava os investidores locais, foi reconhecida pelos amazonenses como possível forma de ampliar sua margem de lucros a partir da compra de papéis. Pelo menos essa é a opinião do ana­lista econômico da Glo­bal Investment Manaus, Marcelo de Oliveira, segundo o qual o investidor amazonense vem aos poucos se familiarizando com as formas de investimento em Bolsa. “Os nossos associados já compreenderam que saber qual o maior peso de uma ação na Bolsa é uma informação preciosa na hora de decidir como montar uma carteira, mas é imprescin­dível dar a cada um deles uma noção do retorno do investimento”, completou.

Insegurança e recessão

A insegurança gerada com as consequências da recessão no mercado estadunidense, o recuo no preço das commodities petróleo e minérios, além da possibilidade do mercado chinês reduzir sua demanda de importados foram algumas das justificativas de Oliveira com relação à instabilidade. “O desempenho dos papéis da Vale e Petrobras no Ibovespa está ligado à liquidez. Isto se justifica porque os investidores amazonenses, ainda pouco afeitos à animosidade do mercado, têm preferência por eles”, asseverou.

Lucro espetacular

No caso dos trabalhadores locais que investiram o Fundo de Garantia nestes papéis, Álvaro Smont lembrou que estão com lucro espeta­cular de mais de 1.000%. “Só o que estas empresas pagam de dividendos já é superior ao rendimento do Fundo, por isso não aconselho a retirada”, disse. Para se ter uma idéia do acerto desse investimento, em cinco anos, os fundos FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) renderam 1.071,%.
No mesmo período, o próprio FGTS pagou um rendimento de 54,78%, enquanto a poupança rendeu 94,45%. O Ibovespa teve alta de 223,12%, segundo dados da Coinvalores.

Dados da Economática

Já Marcelo Oliveira, lembrando dados recentes da Economática, disse que, no Brasil, os dois papéis movimentaram, respectivamente, US$ 15.7 bilhões e US$ 13.5 bilhões entre janeiro e o último dia 20. “Quem estabelece o preço são os estrangeiros, pois negociam dez vezes mais do que nós. Mesmo assim, todos os números mostram que investir na Vale e Petrobras é um dos negócios mais seguros para a crescente massa de amazonenses”, finalizou.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email