Amazonenses estão mais pobres

A crise econômica empobreceu a população do Amazonas em uma involução mais intensa do que na média nacional. Mas, diferente do ocorrido no Brasil, o Estado reduziu a concentração de renda no mesmo período, já que as perdas afetaram também os mais ricos. A conclusão vem da análise dos dados da SIS (Síntese de Indicadores Sociais) do IBGE, estudo realizado a partir da PNAD contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e de outras fontes.

O “empobrecimento” solidário no Amazonas seguiu em paralelo com a descida inicial do PIB brasileiro nos primeiros anos de crise – quedas de 3,5% em 2015 e de 3,3% em 2016. A lenta e modesta recuperação da geração de riquezas em 2017 (+1%) e em 2018 (+1,1%), contudo, não se refletiu na média de renda per capta dos mais ricos e muito menos na dos mais carentes.

Diferente da média nacional, o rendimento per capta dos 40% mais pobres no Amazonas caiu 14,72%, de R$ 231 (2014) para R$ 197 (2018). Na média, os 10% mais ricos perderam mais: sua renda média encolheu de R$ 4.305 (2014) para R$ 3.345 (2018), uma diferença de 22,30%. No Brasil, os vencimentos dos mais pobres foram negativos em 8,38% no período, ao totalizar R$ 339 (2018) contra R$ 370 (2014). Os ganhos dos mais ricos, contudo, chegaram a R$ 5.764 e avançaram 2,82% em relação a 2014 (R$ 5.606).

Também na contramão do país, o índice que mede a razão entre os 10% que ganham mais e os 40% que ganham menos no Amazonas também caiu, de 18,6 (2014) para 17 (2018) – ou seja, os amazonenses com os maiores rendimentos ganhavam, em média, 17 vezes mais do que os 40% da população com os menores rendimentos, no ano passado. O Brasil, por outro lado, viu esse fosso aumentar de 15,1 para 17, em igual intervalo. 

A dinâmica se refletiu no índice Gini, indicador usado pela ONU que mede o quanto a população de uma região está próxima à igualdade (número próximo de zero) e desigualdade (mais perto de um). O Amazonas pontuou 0,546 em 2018, número pouco abaixo dos 0,566 de 2014 – e muito inferior ao topo da série histórica, em 2017 (0,594). No Brasil, o indicador escalou de 0,526 para 0,545 – tendo passado por seu ponto mínimo em 2015 (0,524).

Extrema pobreza

A sondagem aponta que o percentual de amazonenses na faixa da “extrema pobreza” – que sobrevivem com até US$ 1.90 por dia (ou R$ 145 por mês) – subiu de 8,5% para 13,8% entre 2014 e 2018. A piora, inclusive, foi mais acentuada do que a nacional, que aponta um aumento de 4,5% para 6,5% para esse segmento populacional, totalizando 13,5 milhões de pessoas, no ano passado.

O mesmo se dá, com menor intensidade, na faixa de “pobreza” – que inclui aqueles que ganham até US$ 5.50 diariamente (ou R$ 420 mensais). O percentual de amazonenses nessa condição aumentou de 41,7% para 45,7% no mesmo período. Em nível nacional, o número saltou de 22,8% para 25,3% e chegou a 52,5 milhões de brasileiros, em 2018.

Perdas sem ganhos

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, diz que seriam necessários mais dados para avaliar porque os 10% mais ricos do Amazonas também perderam com a crise. Apesar da redução atípica da distância entre o topo e a base da pirâmide socioeconômica do Estado, o especialista avalia que não há nenhum motivo para comemoração, em face dos números locais.

“De forma positiva, a concentração de renda no Amazonas diminuiu. Mas, isso não se concretizou no aumento dos rendimentos dos mais pobres. A consequência disso é que 45,7% dos amazonenses possuem renda inferior a US$ 5,50 dólares por dia e estão abaixo da linha de pobreza. E o elevado percentual de pessoas com rendimentos de até US$ 1.90 dólar por dia (13,8%) salta aos olhos de qualquer um”, lamentou.

Outro aspecto destacado por Adjalma Jaques é que o quadro de carência econômica piorou significativamente em tempos mais recentes. Enquanto o número de amazonenses abaixo da linha de pobreza diminuiu entre 2017 (1.836.285) e 2018 (1.792.125), a quantidade de habitantes do Estado em situação aumentou – de 494.588 (2017) para 539.878 (2018).
 

 

Salário Mínimo

Em contrapartida, o gerente dos Indicadores Sociais do IBGE, André Simões, disse à Agência Brasil que o aumento da desigualdade no país é reflexo da falta de ganho real no salário mínimo ocorrida em 2018, além da informalidade e da subutilização no mercado de trabalho, que atingem níveis recordes atualmente, com 41,4% das pessoas ocupadas nessa condição.

“Observamos uma pequena redução na taxa de desocupação no mercado de trabalho, entre 2017 e 2018, assim como um pequeno aumento do rendimento do trabalho. Apesar disso, vemos um crescimento da subutilização da força de trabalho, encampado pela maior proporção de pessoas com insuficiência de horas trabalhadas. A taxa passou de 15,8%, em 2015, para 24,6%, em 2018”, concluiu.

 

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email