10 de abril de 2021

Amazonas tem redução no número de devedores

O Amazonas seguiu tendência nacional, ao reduzir em 3,32% seu número de consumidores negativados, na comparação de dezembro de 2020 (1.437.468) com o mesmo mês de 2019 (1.486.921). A queda foi maior em Manaus (-4,74%), que respondeu por 68,59% do total (986 mil). É o que revelam os dados do Indicador Serasa Experian, fornecidos à reportagem do Jornal do Commercio.

Ao retirar 49.453 pessoas da lista de inadimplência, o Estado reduziu a parcela da população com contas atrasadas, de 54,5% para 51,5% do total, mas segue sendo campeão nacional no quesito. O levantamento da empresa verificadora de situação de crédito aponta que o Estado lidera uma lista de 15 unidades federativas que contam com percentuais populacionais na lista de mal pagadores acima da média brasileira (38,6%).

Em texto divulgado por sua assessoria de imprensa, a Serasa Experian informa que 2020 registrou a primeira queda na taxa de inadimplência em todo o país, após quatro anos seguidos de alta. O montante de brasileiros negativados diminuiu 3,1%, de 63,31 milhões (2019) para 61,36 milhões (2020) –o menor número desde junho de 2018 (61,2 milhões). Em abril de 2020, durante a primeira onda da pandemia, 65,9 milhões de pessoas (41,8%) estavam nessa condição. Os dados nacionais mostram ainda que o total de dívidas abertas por CPF caiu de 3,55 para 3,47.

A sondagem contempla a totalidade dos consumidores com contas atrasadas há mais de 90 dias e que tiveram o CPF incluído na base de dados. Segundo a Serasa Experian, as mulheres (49,1%) ainda superam os homens (47,3%) por uma pequena margem, na lista dos inadimplentes do Amazonas –embora 3,6% dos cadastros não informem o gênero do devedor.  A maioria tem entre 26 e 40 anos de idade (36,2%), sendo seguidos pelos consumidores de 41 a 60 anos (35,4%), pelos que já estão acima dos 60 (15,2%) e por aqueles que contam até 25 anos (13,1%).

Serviços públicos

No Amazonas, a maior parte dos débitos em atraso diz respeito às utilities (serviços públicos essenciais de água, eletricidade e gás): 31,8%. Na sequência, estão varejo (22,5%), bancos/cartão (18,9%), telecomunicações (10,7%), serviços (6,8%), “outro segmentos” e financeiras/leasing (ambos com 4,4%) e securitizadoras (0,5%). Não foi informado o mesmo detalhamento para Manaus.

Na comparação com os números de novembro de 2019, o único segmento que aumentou de participação foi o de utilities (+63,92%), enquanto securitizadoras (-64,28%) e financeiras (-41,33%) responderam pelas maiores quedas relativas. Bancos e cartões, que chegaram a liderar a lista em 2019 (22,2%), reduziram em 14,86% sua fatia no bolo das dívidas negativas no Amazonas, no ano passado. Já a participação do varejo amazonense no bolo encolheu 4,25% na mesma comparação e serviços, recuaram 17,07%.

Na média brasileira, as utilities de água, luz e gás também aumentaram sua representatividade, entre 2019 (20,4%) e 2020 (23,6%). A queda de 12,2% no total dos compromissos vencidos e não pagos junto a bancos, cartões e financeiras, fez com que sua representatividade registrasse a menor participação no setor financeiro, desde 2018 (35,7%). Os setores de telecom e o varejo, por outro lado, aumentaram suas fatias.

Pico e prioridades

No texto divulgado à imprensa, o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, lembra que o começo da primeira onda da pandemia registrou um pico na taxa brasileira de inadimplência, graças às dificuldades econômicas que o país enfrentava, agravadas pelas incertezas do que poderia acontecer com a paralisação dos setores da economia. “Porém, os pagamentos do auxílio emergencial, a manutenção da baixa taxa de juros e maior facilidade para renegociação explicam por que, mesmo numa crise sem precedentes que o Brasil continua vivendo, a inadimplência caiu”, ressaltou.

Na análise do economista da Serasa Experian, as políticas públicas para combater os impactos econômicos da pandemia –especialmente junto às populações mais vulneráveis – teriam contribuído para que o consumidor brasileiro passasse a priorizar a quitação de determinados pagamentos, em detrimento de outros. 

“Como o setor financeiro facilitou as negociações, ampliando os prazos de quitação, as pessoas endividadas optaram por priorizar estes compromissos ante os demais. Vemos um aumento em utilities, por exemplo, porque muitas concessionárias deixaram de cortar o serviço mesmo sem pagamentos durante a pandemia, fazendo que as pendências fossem jogadas para frente”, explicou. 

Auxílio emergencial

No entendimento do conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Júnior, a pesquisa da Serasa Experian demonstra uma tendência do consumidor amazonense, na busca de um nome limpo na praça para garantir acesso ao crédito, principalmente diante da necessidade de uma “válvula de escape”, imposta pela primeira onda e pela crise da covid-19.

“Teríamos de esperar novos números para ver se vai haver uma continuidade nessa preocupação, ou se foi só o efeito da pandemia. É lógico que essa tendência foi favorecida pela estabilidade proporcionada pelo auxílio emergencial, que ajudou muitas famílias a se organizarem financeiramente, mas acabou em dezembro. O próprio aquecimento da economia, decorrente da reabertura das lojas e da flexibilização das medidas de isolamento social, também ajudou. Se os números continuarem caindo nas próximas pesquisas, aí sim, poderemos dizer que é uma tendência”, arrematou.

Foto/Destaque: Divulgação

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