Amazonas tem destaque na inovação industrial, aponta pesquisa do IBGE

Dono de um parque industrial com mais de 500 empresas incentivado e um dos maiores produtores de petróleo em terra firme em todo o país, o Amazonas é um ponto fora da curva em termos de investimentos em inovação tecnológica, conforme apontam os dados da Pintec (Pesquisa de Inovação Tecnológica), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

O Estado tem a maior taxa de inovação (46%) entre as unidades brasileiras, dado que 417 de suas 906 indústrias implementaram alguma medida nesse sentido em seus produto e processos, entre 2014 e 2017. A média nacional foi de 33,88% – ou 34.732 em 102.514. Em torno 241 empresas amazonenses receberam apoio de algum programa do governo, seja por incentivo fiscal (92) – apoio à pesquisa (60) e Lei de Informática (32) –, seja por financiamento governamental (57) – projetos de pesquisa e desenvolvimento (25) e compra de máquinas e equipamentos utilizados para inovar (32).

Os aportes com atividades inovativas avançaram 124,6% entre 2014 (R$ 1,5 bilhão) a 2017 (R$ 3,4 bilhões), situando o Estado na melhor posição entre os demais das regiões Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste, ficando atrás apenas de unidades federativas do Sudeste, nos dispêndios com inovação. Na média nacional, os investimentos foram na direção contrária e caíram 17,68% de R$ 57,64 bilhões (2014) para R$ 47,45 bilhões (2017), no mesmo período.  

Além disso, o Amazonas obteve o segundo maior crescimento percentual (17,7%) de empresas que realizaram dispêndios em inovação entre 2014 a 2017, ao passar de 322 para 379. Só perdeu para a Bahia, que alcançou crescimento de 40,5%, com 679 (2017) contra 483 (2014). Em sintonia com a retração nos investimentos, a quantidade de industrias em todo o país que apostaram na inovação regrediu 15,31%, de 34.583 (2014) para 29.289 (2017).

Das 417 empresas amazonenses que implantaram inovações no triênio 2015/2017, 295 (70,3%) foram referentes a produtos, sendo que 90,8% deles eram novos para a empresa, e 35% eram uma novidade para o mercado nacional. Outras 395 empresas, implantaram inovações de processos (94,7%), sendo 94% processos novos para a empresa, e 12,3% processos novos para o mercado nacional.

Entre as indústrias do Amazonas que implementaram inovações de produto, 191 fizeram isso em algum manufaturado novo para empresa, mas já existente no mercado nacional. Outras 98 inovaram em algum item novo para o mercado nacional, mas já presente no varejo doméstico. Seis indústrias inovaram em algo inteiramente inédito para o mercado mundial. Um total de 347 fábricas aprimoraram processos apenas no âmbito interno. Outras 46 inovaram em uma novidade para o setor, mas já presente em outros países.

As inovações organizacionais também foram diversas e incluíram técnicas de gestão (73,4%), gestão ambiental (59,1%), organização do trabalho (58,7%) e relações externas (23%). No grupo das inovações de marketing, estética desenho e outras mudanças ocorreram em 53,9% das indústrias, e conceitos e estratégias de marketing foram mencionadas por 45,8%. 

Obstáculos à inovação

Das 461 empresas amazonenses que não implementaram inovações e sem projetos, 16,6% alegaram a necessidade de inovações prévias, 75,5% apontaram condições de mercado e outras 7,9% nomearam outros fatores, como risco econômico excessivo, elevado custo de inovação, escassez de financiamento, falta de pessoal qualificado e de informação sobre tecnologia e mercados, entre outros.

As indústrias que optaram por inovar também enfrentaram obstáculos. O principal foi o tamanho do custo da iniciativa, percebido por 46,8% delas. Outras 34,5% informaram a escassez de fontes apropriadas de financiamento como o maior entrave. Os riscos econômicos excessivos foram alegados por 29,4% das empresas, enquanto a falta de pessoal qualificado foi apontado por outras 13,9%.

Diferencial competitivo

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, considerou que a sondagem apresenta vários destaques positivos para o Amazonas, sendo que a liderança na taxa de inovação não é um fato isolado. O pesquisador ressalta, contudo, que ainda há uma quantidade relevante de empresas que veem dificuldades em perseguir esse diferencial de mercado.

“Os produtos e processos do PIM, principalmente, impõe à indústria a necessidade constante de processos e produtos inovativos. Apoio à inovação, fontes de financiamento e mão-de-obra adequada foram mencionados como fatores importantes. Mas, a inovação não alcançou um bom número de empresas, que alegaram fatores impeditivos de mercado. Isso indica que talvez algumas necessitem de ajuda na área. É fato que, sem inovação tecnológica, não há como ter produtos competitivos no mercado”, concluiu.

Fonte: Marco Dassori

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