Amazonas segue positivo no saldo de empregos em setembro

O Amazonas registrou seu terceiro saldo positivo seguido em empregos com carteira assinada, em setembro. O incremento foi de 1,39%, graças à criação de 5,693 postos de trabalho, mas o desempenho foi inferior ao do mês anterior (+1,74% e +7.019 vagas), já que o mês registrou mais demissões. No total, 15.444 trabalhadores foram admitidos, superando em boa margem o número de desligamentos (9.751). Praticamente todas as vagas (5.649) vieram de Manaus, que teve expansão de 1,51%, no mesmo período. 

Foi o segundo melhor número apresentado pelo Estado neste ano, perdendo apenas para os registros de agosto, mas superando em muito a performance pré-pandemia apresentada em janeiro (+0,18% e 738 postos de trabalho) e fevereiro (+0,37% e 1.516). Pela terceira vez no ano, o Amazonas superou a média nacional (+0,83%) no incremento de saldo de vagas celetistas e, pela segunda, fez o mesmo em relação ao número relativo contabilizado pela região Norte (+1,15%). 

O desempenho mensal do Amazonas conseguiu também tirar do vermelho o saldo acumulado de postos de trabalho formais, pela primeira vez, desde o começo da pandemia. De janeiro a setembro, o Estado avançou 0,12% na criação de vagas (+493), graças à eliminação de 108.711 empregos e a criação de outros 109.204. O estoque registrado no mês passado foi de 415.782 ocupações. Os dados foram extraídos da mais recente edição do “Novo Caged”, divulgado pelo Ministério da Economia, nesta quinta (29).

Indústria e serviços 

O levantamento não inclui variações anual e acumulada para as atividades econômicas nos Estados. Assim como no mês anterior, todos os cinco setores econômicos listados tiveram elevações mensais. O maior saldo de vagas veio de serviços (+2.682 empregos), que apresentou sua segunda alta, desde a eclosão da pandemia no Amazonas. A maior parte veio das atividades administrativas e serviços complementares (+1.602), seguido de longe por transporte, armazenagem e correio (+309), alojamento e alimentação (+293) e saúde humana e serviços sociais (+163). O único dado negativo veio de atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-11).

Na segunda posição, veio a indústria em geral (+1.705 empregos) – que encolheu em relação ao número de agosto (+2.785). O desempenho foi carreado pela indústria de transformação (+1.664), com bons resultados em águas, esgoto, gestão de resíduos e descontaminação (+52), mas não no subsetor de eletricidade e gás (-11). A indústria extrativa, por sua vez, pontuou estabilidade.

Na sequência, estão os setores de comércio e reparação de veículos (+1.156 postos de trabalho) – superando a margem de agosto (+1.031) – e de construção (+124) – com enfraquecimento ante o mês anterior (+695). Em último lugar, a atividade agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+26) apresentou performance melhor do que a de 30 dias antes (+16).

Perdas e ganhos

No entendimento do presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, os números de ocupações geradas pelas atividades de comércio e serviços do Amazonas confirmam que a economia local continua em recuperação, embora ambos os setores ainda “naveguem” por problemas gerados pela pandemia, assim como deficiências estruturais do país. 

“Temos a falta de containers, a alta de preço de insumos que prejudicou o setor industrial e, agora, a falta de embalagens, que vem provocando um desabastecimento do varejo. Ainda não conseguimos reverter totalmente a tendência de desemprego e o fim do auxílio emergencial somente agrava a situação. O que atrapalha o governo são seus gastos excessivos, que não ajudam a população mais pobre e a massa de pessoas que vive na sombra da informalidade. Mas, apesar desse quadro de fatos, o índice de confiança dos empresários continua crescendo”, analisou.

Custos e incertezas

Já o diretor de Relações de Trabalho do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), José Carlos Paiva, considera que a desaceleração do setor se deu em função da alta dos preços – e eventuais problemas de desabastecimento – de insumos para setor, especialmente no caso do cimento, madeira, aço, PVC e tijolo. O dirigente, entretanto, diz que não há obras paradas e que, a despeito das dificuldades, o cenário macroeconômico é positivo para a atividade.

“Tivemos um crescimento de 10% na demanda, nos últimos três meses, mas os fornecedores haviam reduzido a produção em razão da pandemia. Mas, há outros fatores que contribuem para isso. No caso do aço, tem a alta do dólar, que torna mais atraente para a empresa exportar, do que vender no mercado interno. Já a madeira enfrenta obstáculos de fiscalização ambiental, o que contribui também para a falta de material de queima nas olarias. Mas, os juros baixos e a maior concorrência dos bancos privados trazem expectativas de boas vendas para a construção civil”, ponderou. 

“Arrancada de produção”

Já o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, avalia que o fato de a geração de empregos na manufatura amazonense ter perdido alguma força, entre agosto e setembro é normal, em função do desarranjo produzido pela pandemia e medidas de isolamento social. O dirigente lembra que o aumento de produção foi puxado pela expansão do consumo e que, com a gradativa flexibilização e retomada dos negócios, os estoques da manufatura começaram a cair, gerando necessidade de reposição e abertura de mais vagas de emprego.

“É normal que, no início da arrancada de produção, a geração de saldo positivo de emprego seja maior, porque há um número de vagas na produção que vão sendo gradativamente preenchidas. Na aproximação do final do ano vai decrescendo o saldo positivo de emprego na indústria e crescendo no comércio. Mesmo assim, como de uma forma geral os estoques de produtos estão menores, a tendência é que outubro e novembro ainda apresentem crescimento no saldo de empregos. É o que esperamos”, finalizou. 

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