18 de maio de 2021

Amazonas registra maior alta do PIB no país em 2018

O Amazonas registrou o maior crescimento de PIB em todo o país, em 2018. O produto interno bruto do Estado foi de R$100,11 bilhões no período, com expansão de 5,1% sobre o exercício anterior. Sua participação no PIB nacional, contudo, se manteve nos mesmos 1,4% dos três anos anteriores. O desempenho do Estado foi puxado por indústria (+8,2%) – que aumentou sua participação no bolo (34,2%) – e serviços/comércio (+3,8%), embora a agropecuária tenha recuado (-1,6%).

Os dados fazem parte do Sistema de Contas Regionais e foram divulgados pelo IBGE, nesta sexta (13). Realizada em parceria com os órgãos estaduais e a Suframa, a sondagem aponta dados menos animadores para o PIB per capta do Amazonas. Embora este tenha avançado 233,64% entre 2012 (R$ 7.353,15) e 2018 (R$ 24.532,90), sua participação no ranking nacional caiu da nona para a 13ª posição, indicando que o crescimento econômico acumulado não acompanhou o aumento vegetativo da população.

O Amazonas foi seguido por Roraima (+4,8%) no ranking de altas do período – embora o Estado vizinho também tenha perdido PIB per capta, nos últimos anos. Mato Grosso (+4,3%), Santa Catarina (+3,7%) e Rondônia (+3,2%) vieram nas colocações seguintes, em uma lista que incluiu 15 desempenhos acima da média nacional (+1,8%), que responderam por 30,4% do PIB brasileiro de 2018. O único dado negativo veio de Sergipe (-1,8%).

Em âmbito regional, o Norte (+3,4%) obteve a maior variação em volume em 2018, sendo puxada por Amazonas (+5,1%), Roraima (+4,8%), Rondônia (+3,2%) e Pará (+3%). As regiões Centro-Oeste (2,2%), Sul (+2,1%) e Nordeste (+1,8%) vieram na sequência. O Sudeste (+1,4%), por outro lado, foi a única com variação em volume inferior à média nacional, já que apenas o Espírito Santo (+3%) superou a mesma.

Em termos de PIB per capita, Rondônia registrou a maior posição da região Norte, embora tenha ocupado o 12º lugar do ranking nacional. Tocantins, por sua vez, foi a unidade federativa que mais avançou, saindo do 21º para o 15º lugar no período. Maranhão (27ª) Piauí (26ª) e ocuparam as últimas posições, da lista sendo que os Estados da Região Nordeste se situaram majoritariamente abaixo do 20º lugar. O ranking foi encabeçado pelo Distrito Federal.

Indústria em alta

Em matéria divulgada pela Agência de Notícias IBGE, o técnico do órgão federal de pesquisas, Luiz Antonio de Sá, explica que a alta em cada uma das unidades federativas do Norte se deu por fatores diferentes. O Amazonas aparece como um ponto fora da curva, em virtude da “forte influência” da indústria de transformação, que cresceu 8,8% em relação a 2017, puxada pelo segmento de equipamentos de informática. “Por conta da Zona Franca de Manaus, o Estado tem um destaque não só regional, como nacional”, reforçou.

Além de apresentar o maior crescimento em volume entre os setores econômicos listados pelo IBGE no Amazonas, a indústria (+8,2%) também elevou sua participação entre 2017 (33,2%) e 2018 (34,3%). No caso das indústrias de transformação, o incremento também se deveu às performances dos subsetores de “outros equipamentos de transporte” e de bebidas. 

As indústrias extrativas (+6,6%), por sua vez, foram impactadas pelo desempenho positivo na extração de gás natural e de minerais metálicos não ferrosos (especialmente estanho), enquanto a produção de petróleo sofreu baixa. Também nas Indústrias extrativas, houve aumento em volume da extração. Os segmentos de eletricidade, gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação (+10,9%), assim como a construção (+1,9%) também contribuíram para alavancar o desempenho industrial do Estado.

Serviços/comércio (+3,8%) obtiveram o segundo melhor desempenho. Contribuíram principalmente comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (+7,5%), atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares (+7,5%) e transporte, armazenagem e correio (+7,6%). No comércio, o destaque veio do varejo e da venda de veículos. Nos serviços, a alta se deveu ao transporte dutoviário – atividade vinculada à indústria de extração de gás natural – e às atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares – especialmente atividades jurídicas e serviços de engenharia.

Já a agropecuária (-1,6%) foi o único setor elencado pelo IBGE que sofreu baixa de PIB no Amazonas, em 2018. A retração foi puxada pela agricultura, inclusive apoio à agricultura e à pós colheita, que teve decréscimo de 7,4%. Entre os principais produtos da agricultura com retração em volume, segundo o órgão federal de pesquisa, figuraram o dendê, o maracujá, o abacaxi e a mandioca. Destoando do comportamento médio da atividade, mamão e açaí tiveram aumento de produção no mesmo ano. Em contrapartida, houve alta para produção florestal, pesca e aquicultura (+6,3%), com destaque para a silvicultura de madeira em tora e para a extração de tucumã. 

Evolução relativa

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, o crescimento de volume apresentado pelo PIB do Amazonas, em 2018, mostra uma “ótima evolução” para o desempenho global da economia no Estado, mas o retrocesso experimentado em seu PIB per capta, nos últimos anos, inspira cuidados. 

“A única decepção veio da agropecuária que não acompanhou o ritmo de crescimento das outras atividades. Talvez se isso tivesse acontecido, certamente o resultado seria maior. Por outro lado, é importante verificar que o desempenho do PIB per capita não está acompanhando o PIB volume. Com isso, estão sendo registradas quedas periódicas no indicador. Sem ganhar participação, o Amazonas permanece com 1,4% do PIB nacional, evoluindo 73,5% de 2002 a 2018”, finalizou.

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