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Amazonas registra aumento significativo na frota de veículos

Andreia Leite

Insta: @andreia_leite_  Twitter: @JCommercio

De acordo com as informações do Detran-AM (Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas), houve um significativo aumento na frota de veículos em Manaus e no estado. Entre janeiro e abril de 2024, mais de 22.000 veículos foram registrados mensalmente, sendo mais de 5,5 mil deles no Amazonas, resultando em um aumento de quase 2%. 

Em Manaus, foram mais de 16 mil veículos registrados, com uma média mensal de mais de 4 mil  veículos, o que representa um crescimento de 1,73% nos primeiros quatro meses de 2024. Apenas em motocicletas, foram 10.576 novos registros, com uma média mensal de 2.644 motos, um aumento de +2,22% no mesmo período. As motocicletas correspondem a 32,0% da frota total de Manaus e 41,0% da frota do estado, enquanto os automóveis representam 52,1% da frota total do estado, mas em Manaus ultrapassam os 60,0% do total de veículos da capital.

De acordo com as informações fornecidas, na Região Metropolitana de Manaus (RMM), que representa 88,0% de toda a frota do estado do Amazonas, 60,0% dos veículos registrados são motocicletas, totalizando também 75,0% de todas as motocicletas em circulação no estado. Por sua vez, Manaus possui a menor proporção de motocicletas na RMM, equivalente a 32,0%.

Os dez principais municípios do estado possuem 93,0% de toda a frota registrada e detém 70,0% de todas as motocicletas do Amazonas são eles: Manaus, Itacoatiara, Parintins, Manacapuru, Tefé, Coari, Humaitá, Tabatinga Iranduba e Presidente Figueiredo. Correspondendo a frota de 1.106.153 e 425.373 motocicletas.

Esses números representam um desafio em termos de infraestrutura viária no Estado. O especialista em engenharia de tráfego Manoel Paiva avaliou sobre o crescimento histórico da quantidade de veículos e suas implicações. Para ele, trata-se de um número alarmante considerando a capacidade da infraestrutura viária local. “Somando os 60,5% dos carros e os 32% das motocicletas que trafegam em Manaus, obtém-se um total de 92,5% de veículos destinados exclusivamente ao transporte individual de passageiros. Em outras palavras, esses veículos concorrem diariamente com os ônibus do transporte público tradicional, alternativo e das linhas do Distrito Industrial, que representam apenas 2,5% da nossa frota total, mas são responsáveis por transportar mais de 55% da população”, analisou.

Ele aponta que o aumento se deve a várias razões. Uma delas é a ausência de um transporte público de qualidade suficiente para atrair aqueles que possuem carro ou moto a deixá-los em casa e optar pelo transporte coletivo urbano. Segundo ele, o transporte não oferece segurança, é demorado, desconfortável e gera uma sensação de insegurança significativa para os passageiros. Ele também destaca problemas na infraestrutura viária da cidade, como terminais de integração, pontos de ônibus e sinalização deficiente, que contribuem para afastar as pessoas do sistema de transporte público.

Segundo o especialista, atualmente, há um dado curioso, claramente de todas as cidades do estado do Amazonas, Manaus é a cidade onde existe a menor presença de motocicletas em nossa frota, com 32% sendo um índice bastante alto para uma frota tão grande como a de Manaus. Ao analisarmos as 10 maiores cidades do Amazonas, observamos que em Itacoatiara, por exemplo, a utilização de motocicletas no transporte de pessoas chega a 70%, contrastando com os 32% em Manaus; em Parintins, representa aproximadamente 87%; em Manacapuru, 72%; e em Tefé, também 87%. Enfim, nas cidades que não dispõem de transporte coletivo, é natural que as pessoas optem por caminhar, pedalar ou então recorram à motocicleta como meio de locomoção. O problema reside na má qualidade ou até mesmo na ausência do transporte público de passageiros. Isso nos coloca diante de uma responsabilidade redobrada já que são justamente os motociclistas que estão envolvidos no maior número de acidentes de trânsito e vítimas fatais.

“Quanto maior for a quantidade de veículos nas ruas e avenidas, e consequentemente o número de deslocamentos individuais, maiores serão os problemas no trânsito, tornando as vítimas de acidentes mais vulneráveis. É essencial que neste mês do movimento Maio Amarelo seja destacada a preocupante quantidade de mortos e feridos no trânsito em todo o mundo. É urgente refutar  a falta de investimento no transporte público como prioridade, assim como a não implementação imediata de medidas para aumentar a segurança viária dos motociclistas. Essas medidas devem favorecer principalmente o funcionamento eficiente do transporte de passageiros nos sistemas viários de Manaus e demais municípios, considerando que essa é a escolha da maioria esmagadora da população do Estado. A atual política de mobilidade urbana representa um perigo para mais de 93% dos habitantes locais e para a grande maioria dos veículos registrados, resultando em altos índices de vítimas. Isso é reflexo direto da precariedade do sistema de transporte, da escassez de alternativas e da falta de segurança nas vias

Números

Informações do IMMU (Instituto de Mobilidade Urbana) indicam que entre janeiro e abril, 95 pessoas morreram nas ruas de Manaus, com média mensal de 24 mortes. De 1º de janeiro a 30 de abril de 2024, o número de vítimas aumentou +21,8% em relação ao mesmo período de 2023, o número de 95 mortes de veículos na cidade, incluindo 27 ultrapassagens e 58 colisões. O número de acidentes em Manaus aumentou 31,0% de janeiro a abril deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 71 para 93. Os ciclistas apresentaram um aumento significativo de mortes com um aumento de 300,0% em relação a 2023. No caso de 49 motociclistas, um aumento de 44,0% em relação ao ano passado, enquanto os condutores de automóveis contribuíram responsáveis ​​pela morte de 3 pessoas. aumentou +50,0% em relação ao mesmo período do ano passado. O número de pedestres envolvidos em acidentes de trânsito diminuiu 11,1% em relação ao ano passado.

No primeiro quadrimestre do ano, os bairros Norte, Leste e Oeste da cidade de Manaus foram responsáveis ​​por 78,0% das 95 mortes em acidentes de trânsito.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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