Amazonas reforça contraste entre cidades

A maioria esmagadora das residências do Amazonas pertence a seus moradores e os serviços de energia e coleta de lixo aumentaram sua abrangência. Mas, o aluguel ainda é uma realidade para parcela considerável da população, enquanto o acesso à água e – principalmente – ao saneamento básico ainda se mostram precários no Estado mais rico em recursos hídricos em todo o país. Os dados são da Pnad Contínua – Características dos Domicílios e dos Moradores, uma pesquisa do IBGE.

Em 2019, a sondagem estimou em 1,1 milhão o número de domicílios particulares permanentes no Amazonas. Em torno de 68,5% (755 mil) estavam situados na Região Metropolitana de Manaus, e 60% (657 mil) estavam na capital amazonense. As casas responderam pela maior parte das habitações do Estado (86,7% e 954 mil), da RMM (81,7% e 617 mil) e da cidade (79,6% e 523 mil). Em sentido contrário, dos 139 mil apartamentos contabilizados no Amazonas, 92,09% estavam em Manaus (128 mil).

Em torno de 74,1% (815 mil) dos imóveis eram próprios e já pagos, e 2,3% (25 mil) ainda estavam sendo quitados pelos moradores. Uma fatia de 14,5% (160 mil) eram alugados, outros 8,9% (98 mil) eram cedidos e 0,2% (2.000) eram considerados como casos de invasão. Em Manaus, os números foram, respectivamente: 65,9% (433 mil), 3,5% (23 mil), 20,1% (132 mil), 10,4% (68 mil) e 0,1% (mil).

Água e saneamento

Entre as residências do Amazonas, 73,8% (812 mil) tinham como principal fonte de abastecimento de água a rede geral de distribuição. Poço profundo ou artesiano eram a solução para 14,3% (157 mil), enquanto 2,3% (25 mil) dependiam de poço raso, freático ou cacimba, e 4,5% (49 mil) se arranjavam com fontes ou nascentes. As proporções pouco diferiram em Manaus – 84,9% (558 mil), 14,1% (93 mil), 0,4% (3.000) e 0,3% (2.000), respectivamente.

Em torno de 91% dos imóveis contabilizados no Estado (1 milhão) tinham água canalizada – sendo 98,9% (650 mil) em Manaus. A disponibilidade de água, contudo, se mostrou abaixo do desejável. Em 94,8% dos lares amazonenses (770 mil) era diária, mas a frequência do serviço declinava para 4 a 6 dias na semana para outros 3,8% (31 mil) e para um a três dias semanais no caso de 1,1% (9.000). Na capital, 528 mil domicílios (94,2%) pertenciam ao primeiro grupo, 23 mil domicílios (4,1%) estavam no segundo e 5.000 (0,9%) se situaram no terceiro.

O saneamento ainda é o maior gargalo. Só 36,5% (402 mil) das habitações amazonenses contavam com rede geral ou pluvial como principal tipo de esgotamento sanitário. Em seguida, vinham aqueles que usavam fossa séptica ligada à rede (10,2% e 112 mil), fossa séptica não ligada à rede (26,6% e 293 mil) e “outro tipo de esgotamento sanitário” (24,9% e 274 mil). Os respectivos números da capital foram pouco melhores: 54,9% (361 mil), 16% (105 mil), 22,4% (147 mil), 6,5% (43 mil).

Lixo e energia

A coleta de lixo também se mostrou deficitária, já que o serviço de limpeza era o principal meio para um percentual não superior a 76,1% (837 mil) das residências no Estado. Os domicílios onde o lixo era coletado em caçamba representavam 7,7% (85 mil). Em 13,2% (145 mil) os dejetos eram queimados na própria propriedade, e em 3% (33 mil), o destino dos resíduos sólidos não foi informado. Os números foram, novamente, melhores em Manaus: 96,2% (632 mil), 1,5% (10 mil), 0,3% (2.000) e 2% (13 mil).

Do total de domicílios, 98,4% (1,083 milhão) contavam com alguma fonte de energia (rede geral ou fonte alternativa) e 1,055 milhão (95,9%) estavam ligados à rede geral – na capital, essa fatia foi de 99,8% (656 mil). A disponibilidade era em tempo integral para 96,6% (1,019 milhão) das habitações no Amazonas e para 97,7% (641 mil), em Manaus.

“Aumentou sensivelmente o número de moradias inadequadas no Amazonas. A precarização vem ao encontro da série histórica, mas esse problema piorou nos últimos dois anos, com a maior ocorrência de invasões. O fornecimento de água melhorou e, em Manaus, as boas notícias vêm da coleta de lixo e da rede de energia elétrica. Mas há um bom percentual da população que ainda não dispõe dos serviços”, arrematou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Fonte: Marco Dassori

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