Amazonas reativa economia agregando competitividade aos produtos do PIM

A quebra do Lehman Brothers, o segundo maior banco de investimentos dos Estados Unidos, mudou o rumo da economia global para sempre. Um ano depois de deflagrada a crise, o Polo Industrial de Manaus (PIM) sinaliza mais do que uma simples recuperação nos níveis de faturamento: “a crise foi uma grande escola de aprendizado para o comércio, a indústria e a sociedade”.
O diagnóstico quem fez foi o diretor-executivo da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Flávio Dutra, destacando que a instabilidade econômica pela qual passamos deva servir de lição para o Estado se organizar ainda melhor.
“Quem não teve que fazer um novo planejamento no seu orçamento? Todos tiveram que reduzir custos. As empresas reavaliaram sua estrutura interna: sua necessidade de pessoal, modernização de equipamentos, seu nível de estoque de insumos de matéria-prima, seus processos de logística, de comercialização, como forma de reduzir os impactos”, ressaltou Dutra. Para ele, as perdas geradas com as demissões do PIM foram o maior impacto negativo da crise. Mas esse quadro se altera em ritmo acelerado.
O último trimestre do ano superou as expectativas de muitos setores. Os Indicadores de Desempenho do PIM mais recentes, divulgados no mês de agosto pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), demonstram crescimento expressivo na ocupação da mão-de-obra. O parque fabril emprega, atualmente, 91.062 trabalhadores, segundo dados fornecidos por 394 empresas. O número representa um acréscimo de 3,56% em relação a julho, alta que tem se mantido constante mês após mês.
“É utopia compararmos 2009 com 2008 (US$ 30 bilhões de faturamento no PIM). Temos que segregar esses dois momentos e olhar o crescimento mês a mês. O último trimestre desse ano ainda vai deixar muita gente surpresa”, alertou o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus (Sinaees), Wilson Périco.

Mudança na conjuntura

O advento da crise fez com que o mercado do Amazonas se retraísse. “Não havia compradores. Os poucos existentes precisaram ser conquistados pelas empresas, as quais tiveram que reformular todos os seus processos, visando reduzir seus custos e o preço dos seus produtos no mercado, tornando-os mais atrativos e competitivos. Muitas reformularam toda a sua estratégia de marketing de comercialização e logística”, lembrou Dutra.

Recuperação setorial

De acordo com o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Armando Monteiro, há setores que foram fortemente atingidos pela crise e que já estão se reerguendo.
“O setor de bens de capital, que produz máquinas e equipamentos, se estabilizou. A indústria de celulose já recupera os mercados no setor externo. A construção civil voltou a andar num ritmo mais forte. Então, esses setores estão ajudando no processo de recuperação da economia brasileira como um todo”, comemora ele.
Para Monteiro, o desafio da atualidade é colocar-se diante de um mundo totalmente diferente, marcado pelo acirramento da competição em escala global e por uma forte disputa por mercados que estarão mais retraídos.
“Precisamos reforçar a competitividade da produção do país e, para isso, temos que encarar uma agenda capaz de reduzir o Custo Brasil, eliminando um conjunto de ineficiências que, de alguma maneira, prejudicam a competitividade do produto nacional”, orienta Monteiro.
Nesse contexto, a execução de algumas ações será necessária, entre elas, atuar para melhorar o ambiente na área tributária, investir em infraestrutura para melhorar a logística do país e reduzir o custo de capital.
Quanto às empresas, cada uma deverá fazer sua lição de casa, empregando esforços para elevar a produtividade, sobretudo, a partir da inovação, que é a palavra-chave do momento.

Natal

O comércio também atrasou esse ano. Numa situação de normalidade, as encomendas para a indústria são feitas em junho, julho e agosto, para atender às compras natalinas. Assim, ela (a indústria) tem tempo de se programar e poder produzir, comprar componentes, insumos, muitas vezes advindos do oriente etc.
“Esse ano, por força da indecisão e indefinição geradas pela crise, o comércio atrasou essas encomendas. Entregou em outubro os pedidos para o Natal”, informou o diretor-executivo da Fieam.
Com a mudança, acredita Dutra, cria-se uma expectativa em relação ao registro de crescimento econômico ainda em outubro, novembro e até em dezembro, mês destinado às empresas para programação das férias de seus funcionários.

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