22 de abril de 2021

Amazonas produz mais ovos no terceiro trimestre

A produção pecuária do Amazonas apresentou dados positivos para a avicultura de postura, mas voltou a pontuar desempenhos negativos para os abates da bovinocultura e da suinocultura, na virada do segundo para o terceiro trimestre, a despeito da transição de um período de pico da pandemia para outro marcado pela flexibilização e retomada econômica. A conclusão vem dos dados mais recentes da Pesquisa Trimestral de Abate de Animais e de Produção de ovos de Galinha, do IBGE – que não apresentou os dados de produção leiteira, desta vez.

De julho a setembro, foram abatidos 52.257 bovinos, quantidade 12,7% inferior à obtida no mesmo período do ano passado (59.622) e 7,7% abaixo da registrada entre abril e junho de 2020 (56.632). Segundo o IBGE, este é o resultado mais baixo para o período desde 2011, levando em consideração a série histórica iniciada em 1997. Na variação anual, houve uma diminuição de 6,9% no peso das carcaças (quase 12,19 milhões de toneladas) e o número de informantes locais da sondagem permaneceu caiu de 17 para 16.

O terceiro trimestre de 2020 registrou abate de 1.680 cabeças de suínos, uma queda de 16,7% em relação ao acumulado de julho a setembro de 2019 (2.107) e decréscimo de 1,6% no confronto com os o segundo trimestre de 2020 (1.703) – auge da pandemia da covid-19, em nível local. A queda amazonense seguiu na contramão da média nacional que colecionou percentuais positivos (+8,1% e +4,5%, respectivamente). 

A variação mensal rendeu decréscimo de 2,68% no peso das carcaças, de 104,523 para 101,718 para toneladas. No confronto com o acumulado de julho a setembro do ano passado (137,291 toneladas), o recuo foi ainda maior: 25,91%.

Produção de ovos

Em sentido contrário, a produção amazonense de ovos de galinha cresceu 29,5% no terceiro trimestre deste ano (14.839 mil dúzias) em relação ao registro do acumulado de julho a setembro de 2019 (11.458 mil dúzias). A produção também foi 19,4% superior à apresentada no segundo trimestre de 2020 (12.419 mil dúzias). 

Na comparação com os anos anteriores, o número de ovos produzidos do terceiro trimestre de 2020 é o maior desde o 1º trimestre de 2010 (16.382 mil dúzias), além de ser o número mais elevado para o período, desde 2009 (16.262 mil). A produção nacional de ovos de galinha, por sua vez, foi a maior registrada na série histórica, iniciada em 1987, e chegou a 1,01 bilhão de dúzias no terceiro trimestre deste ano.

“O aumento na produção de ovos ocorreu porque, apesar de o número de informantes permanecer o mesmo (31), cresceu o número de galinhas poedeiras nos estabelecimentos agropecuários, que possuíam 2.022.993 cabeças, no terceiro trimestre de 2020. O aumento no número de galinhas foi de 4,8%, em relação ao 2º trimestre de 2020, e foi de 7,3%, em relação ao terceiro trimestre de 2019”, explicou o IBGE-AM, no texto de divulgação da sondagem.

De acordo com o supervisor das pesquisas, Bernardo Viscardi, o aumento na produção de ovos em âmbito nacional reflete uma mudança no consumo das famílias. “A alta no preço das carnes, registrada ao longo do terceiro trimestre, tende a fomentar o consumo de ovos de galinha, por se tratar de uma fonte de proteína mais acessível”, declarou, no mesmo texto.

O IBGE destaca que os dados do abate de frango e da produção de couro não foram divulgados para o Amazonas, em razão do número reduzido de informantes locais e da necessidade de manter o sigilo sobre os mesmos. A ausência dos dados da produção leiteira, por outro lado, estaria ligada indiretamente à mesma dificuldade, só que registrada em Roraima.

Estiagem e capacidade

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, aponta que um dos motivos para o desempenho negativo dos abates está nos efeitos locais da pandemia, que ocasionou restrições à circulação e medidas de isolamento social no segundo trimestre – período de pico para os registros e mortes pela covid-19, no Estado –, embora o terceiro trimestre já tenha registrado refluxo nos casos e flexibilização econômica. O dirigente aponta ainda fatores sazonais para as quedas.

“A redução do abate de bovinos, por exemplo, tem relação com o período de estiagem, quando os pastos reduzem qualidade e há diminuição de oferta de animais para abate. Já o crescimento da produção de ovos em nosso Estado demonstra a grande capacidade produtiva desse tradicional segmento rural, que se soma à peculiaridade do aumento da demanda de consumo de ovos, que são alimentos de amplo acesso a toda população, ainda mais em momentos de crise, como o atual”, asseverou.

Mercado e ração

Já o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, considera que o aumento na produção de ovos deve estar relacionado ao crescimento do plantel de aves poedeiras no Estado, em função da preferência do consumidor amazonense, que não consegue acessar a proteína de carne bovina e suína em razão da alta dos preços, do dólar e das exportações.

Quanto à redução de abate dos bovinos, o secretário estadual avalia que a comercialização de bezerros deveria estar mais atrativa aos pecuaristas. O “preço bom” teria gerado saída de animais para outros Estados, reduzindo a disponibilidade de animais para abate nos frigoríficos. Em relação à retração da produção de suínos, a influência teria vindo da alta do custo da ração. O titular da Sepror ressalva que a flutuação de oferta e demanda é cíclica, e depende de outros fatores. 

“Estamos trabalhando para que a agropecuária possa continuar respondendo, nesse momento de pandemia, pois é o setor capaz de gerar emprego e renda no interior. Além disso, acreditamos que a MP que o governo federal está preparando para a Conab operar no mercado do milho, para manter o estoque nos Estados a preços acessíveis, deva influenciar positivamente para estimular todas essas cadeias produtivas de aves, bovinos e suínos”, concluiu. 

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email