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Amazonas, o maior produtor de pitayas

A pitaya é originária do México, seu cultivo no Brasil iniciou na década de 1990, com produção concentrada em São Paulo e atualmente o Amazonas, segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) é o maior produtor deste fruto no Brasil, tendo como centro a fazenda Toca da Pitaya, de Cleber Medeiros, localizada na AM 010.

“Mas não foi fácil chegar até aqui. Em 2015 adquiri uma chácara, na AM 010, e fui pesquisar o que plantar no local. Vasculhei, na internet, vários frutos amazônicos apreciados pelos amazonenses, mas percebi que muita gente já os produziam. Um dia minha mãe me trouxe uma pitaya, que havia ganhado de uma amiga, então passei a pesquisar sobre aquela fruta”, contou.

“Descobri apenas uma família, em Santa Catarina, cultivando pitaya. Ampliei minha pesquisa para outros países e a internet estava cheia de vários produtores. Vi que havia pitaya no mundo inteiro. Fui ao mercado, comprei duas pitayas e plantei suas sementes. Nasceram 50 mudas. Dos frutos que nasciam fui plantando as sementes e aumentando minha plantação. Hoje são 130 mil pés de uma das três principais variedades da fruta, a Hylocereus polyrhizus, vermelha por dentro com casca rosada, conhecida como pitaya vermelha”, falou.

Cleber é paulista, de Mogi das Cruzes. Cresceu em meio a plantações de verduras onde havia uma granja com 20 mil codornas. Em 1994 foi morar nos Estados Unidos e lá viveu por doze anos. Voltou ao Brasil, plantou soja, o negócio deu errado. Retornou aos Estados Unidos e passou a atuar como voluntário numa ONG da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Dez toneladas

“Em 2008 estava de volta ao Brasil, mais especificamente Manaus, de onde, pilotando um barco, partia rumo a comunidades no interior levando mantimentos, remédios e vários tipos de ajuda. Fiquei uns quatro anos atuando assim, na ONG. Depois trabalhei com um amigo até que decidi comprar a chácara, em 2015”, lembrou.

Em 2018, Cleber adquiriu a nova propriedade onde atualmente cultiva os 130 mil pés de pitaya. E ampliou os investimentos. Montou um meliponário no qual as abelhas produzem mel de pitaya e cria algumas cabeças de gado para produção de adubo. Detalhe: os animais são alimentados com ração preparada a partir dos galhos da pitaya.

“O adubo que utilizamos é orgânico, feito de esterco e terra preta”, disse.

“Mas comecei pequeno, com a produção de uma caixa, depois duas, até chegar ao estágio atual abastecendo semanalmente todos os supermercados de Manaus, com toneladas de frutos. Semana passada foram dez toneladas. Meu objetivo é atingir o mercado internacional, mas eles só compram de container cheio. Um dia chego lá”, avisou.    

Cleber comemora o fato de o verão de Manaus ser quase perene, pois a luz solar faz a pitaya produzir o ano inteiro, diferente dos estados do Sul.

“Lá, a pitaya produz uma única vez, no verão, o que faz o mercado ser ‘inundado’ pela fruta e o preço cair devido à grande demanda. Aqui na Toca da Pitaya os frutos nascem e crescem o tempo todo. O botão leva 30 dias para se transformar em flor e a flor mais 30 dias para fazer surgir o fruto, isso num processo ininterrupto em todos os 130 mil pés”, revelou.

Se aproveita tudo  

Com o apoio da prefeitura de Manaus e do Governo do Estado, Cleber está desenvolvendo um projeto ambicioso, agregar mais produtores de pitaya e trabalhar com o congelamento da fruta.

“A prefeitura e o governo compram as mudas para distribuição aos produtores rurais e depois eu compro a produção de pitaya deles para vender no mercado local e nacional. A ideia é agregar mais produtores e congelar a pitaya para que, em 2025, o Estado tenha pitaya congelada para ser distribuída tanto na capital quanto em outros estados do Brasil”, informou.

“Hoje nós adquirimos a produção de todos os produtores rurais, no âmbito da agricultura familiar, que estão inseridos nos projetos, por exemplo, de Rio Preto da Eva, Manacapuru e outros municípios. Nós captamos a pitaya, vendemos para o uso na merenda escolar e para os supermercados. Em breve teremos uma associação de produtores de pitaya”, completou.

Da pitaya se aproveita tudo, desde a polpa até os galhos. Além dos galhos, que viram ração para animais, os talos mais tenros podem ser cozidos como legumes, pois possuem alto valor protéico, e as flores, possuidoras de muitas vitaminas, dão uma saborosa salada.

A Toca da Pitaya possui 62 hectares e 25 funcionários, a maioria moradores daquela região da AM 010. São responsáveis em cuidar dos cactos de onde nascem as pitayas, colhendo, limpando e encaixotando as frutas para serem enviadas aos supermercados de toda a cidade.

PS. Pitaya ou pitaia são grafias corretas

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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