Mais uma vez o Estado do Amazonas vira manchete nacional, com direito a horário nobre e os comentários os mais diversificados. Da primeira vez mais recente, foi por conta da pandemia que nos colocou em um recorde maléfico e com a situação de enterros em covas rasas e caixões supostamente acumulados em fileiras e agrupados uns em cima dos outros.

Desta vez, ainda ligado ao setor da saúde e por conta da pandemia, a operação Sangria deflagrada pela polícia Federal, prende entre outros a secretária de Saúde e tentou inclusive prender o governador do Estado. As acusações embora bastante fortes, já vinham sendo da desconfiança pública há um bom tempo, além de servir como chacota no caso da empresa de importação de vinho que forneceu os respiradores ao governo por preços bem acima da média nacional.

Logicamente esta novela ainda vai longe e os culpados, como sempre, vão se declarar os mais inocentes do mundo, se dizendo enganados e sem conhecimento de nada. No entanto o que está acontecendo no Brasil com esta pandemia e agora se confirmando em nosso estado, é um verdadeiro escárnio à dignidade humana. No momento em que milhares de pessoas estão morrendo com este maldito vírus e o estado não consegue se mostrar em condições de atender à população, aparecem os aproveitadores que simplesmente roubam os recursos que deveriam SALVAR VIDAS.

Aqui no Amazonas, desde o aluguel do Hospital Nilton Lins por valores questionáveis, com a contratação de uma secretária de saúde de fora do Estado como se não houvesse por aqui alguém em condições para assumir a pasta, nosso Estado começou a adoecer gravemente. A partir daí os sintomas foram piorando com as notícias de compras irregulares, superfaturadas como o caso da empresa importadora de vinhos. As compras de remédios e de equipamentos que não chegaram ao destino final, deixando os profissionais à mercê da doença e alguns até mesmo da morte, agravaram o estado de saúde do nosso estado.

Esta operação sangria, nome bastante sugestivo, veio simplesmente levar à UTI este estado que se encontra completamente abandonado em termos de governança e de orientação política. A gestão pública está completamente capenga e à mercê de pessoas que só estão preocupadas com seus próprios interesses, deixando as necessidades de nosso estado para um segundo plano, como vem acontecendo já há algum tempo.

Logicamente existe uma parcela de responsabilidade e culpa do próprio povo, que votou e colocou no poder os que aí estão, aliado a um sistema político doentio como este sistema político brasileiro que cada vez mais ajuda a levar nosso país para o fundo do poço, se é que ainda existe lugar mais fundo. Porém mesmo o incompetente quando assume uma função pública, está assumindo um compromisso e o mínimo que poderia oferecer a quem o elegeu seria a honestidade. Por isso mesmo, quando levantamos a ficha de nossa política e da nossa economia, vemos a inércia nas atitudes e o aproveitamento das situações para ganhos ilegítimos por parte dos mais diversos níveis de governo.

Não adianta acusar apenas o governador e imputar-lhe o fato de ser de fora do estado. Muitos amazonenses que estão em funções indiretas e mesmo aqueles que apenas circundam os poderosos, estão se aproveitando para ganhar com as mais diversas situações e não somas ABSOLUTAMENTE NADA AO NOSSO DESENVOLVIMENTO. A discussão em relação à reforma tributária e ao impacto que pode ter em relação ao Polo Industrial deixa de lado outra discussão tão ou mais importante: “quais as opções econômicas que devem ser estimuladas para criar novas matrizes para a nossa região?”

Infelizmente nem os de fora nem os amazonenses discutem estas ações de fundamental importância pois preferem ficar na moleza de ganhar com o que a ZFM já vem proporcionando, sem se tocar que o mundo é cada vez mais volátil em suas mudanças tecnológicas e não aceita esta mesmice que vem pautando o comportamento oficial nestas décadas de isenção fiscal e falta de iniciativa pública. Será que teremos alguém que resolva tirar REALMENTE nosso estado do leito da UTI e transforma-lo novamente em VIDA?

*Origenes Martins Jr é professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa Sinérgio

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