Amazonas ganha centro hidrológico

As cenas fortes da grande seca de 2005 e da enchente histórica de 2012 ainda estão no imaginário de muitos amazonenses. Na vazante, os rios estão secando tanto que a mortandade de peixe está virando rotina. Nas comunidades mais distantes, até água potável falta. O isolamento prejudica os estudantes e o ano escolar fica comprometido. Na cheia, a produção agrícola vai embora e os preços ao consumidor disparam. Milhares de famílias ficam desabrigadas. O sofrimento é geral. Agora, o governo do Estado, em conjunto com outros parceiros pretende mudar esse cenário.
De acordo com a Secretaria de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos (SEMGRH), o Amazonas vai inaugurar, amanhã (14), o Centro de Monitoramento Hidrológico (Cemoham). A ideia é concentrar num só lugar todas as informações repassadas por uma rede formada por mais de 300 estações hidrometereológicas que estão espalhadas por todas as calhas de rios do Estado. De posse desses dados, os técnicos deverão planejar as ações preventivas para minimizar os prejuízos causados pelos desastres naturais.
De acordo com o titular da SEMGRH, Daniel Nava, a partir da entrada em operação do Cemoham, o Amazonas amplia sua capacidade de previsão, diminuindo os impactos junto às populações ribeirinhas atingidas por grandes cheias e vazantes. “Vai nos permitir fazer uso de um planejamento para o enfrentamento desses eventos, como por exemplo, a aquisição de equipamento e bens necessários para atender essas populações”, explica o secretário Daniel Nava.
O secretário destaca ainda que as informações produzidas a partir do Cemoham serão incorporadas ao Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos do Amazonas, previsto como instrumento da Política Estadual de Recursos Hídricos na Lei Estadual de Recursos Hídricos (lei 3.167 de agosto de 2007). As informações também serão aproveitadas no Plano Estadual de Recursos Hídricos que está sendo elaborado pelos técnicos da SEMGRH.
O Centro de Monitoramento Hidrológico é resultado de convênio entre o órgão estadual e a Agência Nacional de Águas (ANA) e conta com as parcerias institucionais do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), além dos principais executores das ações de atendimento à população, como é o caso da Defesa Civil do Estado e dos municípios, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Comando Militar da Amazônia e Prefeitura de Manaus.
Nesta fase inicial de implantação do Cemoham serão desenvolvidas ações de monitoramento da cheia e da vazante deste ano, pela Defesa Civil do Amazonas, em parceria com o Sipam, CPRM e ANA. Caberá à SEMGRH buscar analisar, validar e aperfeiçoar o atual sistema a partir das estações meteorológicas existentes que terão um programa de manutenção e de novas estações que serão instaladas em regiões onde exista vazio das informações. É nesse cenário que as informações de monitoramento devem funcionar para que ações como a entrega de cartões de ajuda financeira para as comunidades atingidas cheguem mais rapidamente. Os convênios com o governo federal, representado por diversos ministérios, serão agilizados dentro de uma programação onde será possível haver um planejamento. Para se ter uma idéia de como é complicado receber ajuda nesses tempos de crise, somente a pouco tempo, os ribeirinhos receberam os recursos prometidos desde a última grande cheia.
Ferrenho defensor de medidas para o interior do Estado, o deputado estadual Tony Medeiros (PSL) disse que o Centro de Monitoramento vem ao encontro dos anseios das populações ribeirinhas. Para ele, órgãos como Sipam e a CPRM precisam dar uma resposta positiva para o bem da população. “Há muito tempo que nós do interior cobramos uma ação mais efetiva e imediata dos órgãos que utilizam a tecnologia para prever possíveis desastres naturais. Os investimentos em equipamentos e treinamento de pessoal especializado vão ajudar a minimizar os problemas que todos os anos acontecem”, salientou o parlamentar. Tony deve ser um dos primeiros deputados a visitar o Cemoham com a intenção de conhecer todas as possibilidades de aproveitamento desse novo órgão do governo do Estado.
Já adiantando ao parlamentar, de acordo com o secretário Daniel Nava, ainda este ano as secretarias estaduais de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos e de Planejamento executarão estudos logísticos nas hidrovias que cortam o Estado, iniciando pela composição do Plano Estratégico Amazonas 2030, estruturante das Hidrovias do rio Madeira e dos rios Jatapú/Uatumã/Amazonas.

Há indícios de uma grande enchente no Estado, diz deputado

O deputado estadual Tony Medeiros destaca que há indícios de uma grande enchente no Amazonas neste ano, a exemplo do que aconteceu em 2012, o que é preocupante.Por este motivo, ele disse que são importantes ações preventivas e de fiscalização da subida do nível das águas . “O Centro Hidrológico será a grande força que o governo do Amazonas terá com relação ao regime das águas”, ressaltou.
Com relatório da Defesa Civil do Amazonas em mãos, Tony revelou que entre os dias 10 e 11 de março, o rio Negro subiu mais de 8 centímetros e a cota d’água ontem (dia 12 de março) foi de 25,86 metros. “A diferença para o mesmo período de 2012 é de quase 2 metros”, comparou.
Estado de emergência
O deputado informou que os municípios de Ipixuna, Itamarati, Eirunepé, Carauari e Apuí já decretaram estado de emergência por causa da subida das águas. “Apesar de está nas margens da Transamazônica, algumas comunidades de Apuí já estão alagadas pela cheia dos rios Aripuaná e Roosevelt”, disse Tony.
Na região do Alto Solimões, acrescentou o deputado, várias localidades já estão em estado de atenção -lá a maior enchente não foi a de 2012, mas a de 1999. “Estamos apenas há 1,44 metros da maior enchente. Até o final de abril a cheia ainda vai atingir aquela região do Alto Solimões”, completou.
Quanto à região do Baixo Amazonas, onde ficam os municípios de Parintins, Nhamundá, Barreirinha, Maués, Urucurituba e Boa Vista do Ramos, Tony disse que a partir da próxima semana alguns municípios entram em estado de atenção por conta do alto nível das águas nos rios Trombeta e Tapajós.
Na semana passada, o deputado solicitou estudos visando a possibilidade de mudança das sedes dos municípios do Careiro da Várzea e de Anamã, cujas enchentes dos últimos anos deixaram mais de 90% das cidades embaixo d’água.
Como presidente da Comissão de Assuntos Municipais da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas), Tony Medeiros está fazendo um projeto de lei que proíbe a criação de municípios em áreas de várzea no Estado do Amazonas.
“Termos uma mobilização nacional com a União Nacional das Assembleias Legislativas (Unale) para a criação de uma lei complementar e a partir daí vamos apresentar o projeto aqui no Amazonas”, completou Tony.

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