Amazonas é bronze em informalidade

O IBGE apontou que o Amazonas tinha, em agosto, um total de 668 mil (55%) de trabalhadores atuando por conta própria, no segundo trimestre de 2020. Foi a terceira maior taxa de informalidade da população ocupada do Brasil e só perdeu para o Pará (56,4%) e o Maranhão (55,6%). A média nacional é de 36,9%. A informalidade vem avançando em nível local, tendo ultrapassado as marcas de maio, com 641 mil (49%), e de julho, com 652 mil (50,4%). Também em agosto, 116 mil pessoas estavam ocupadas no setor privado sem carteira assinada e 104 mil atuavam como trabalhador familiar auxiliar.

Agosto registrou nova alta no desemprego do Amazonas, com a taxa de desocupação alcançando 17,9%, ou 286 mil amazonenses. Com isso, o indicador superou os registros dos três meses anteriores – 12%, 15,1%, 17%, respectivamente. É a terceira maior taxa de desocupação do país, atrás apenas do Maranhão e da Bahia (ambos com 18,1%). Os dados estão na última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Covid19, e na mais recente Pnad Contínua Trimestral.

A busca por emprego vem caindo desde maio, ou por falta de oferta, ou devido à pandemia. De 560 mil, em junho, decresceu para 484 mil no mês seguinte, para alcançar 446 mil pessoas, em agosto.

Conforme a Pnad Covid19, 116 mil amazonenses permaneciam afastados do trabalho em agosto, número inferior ao de julho (182 mil), de junho (271 mil) e de maio (367 mil). Para 75 mil, o motivo foi o distanciamento social. Pelo menos 44 mil deixaram de contar com remuneração no período, enquanto os 72 mil restantes continuaram recebendo ou já não eram remunerados. Entre os  não afastados, 62 mil (5,2%) trabalhavam de forma remota, uma queda considerável desde maio (87 mil e 9,3%). Em agosto, 61,9% dos domicílios do Amazonas receberam o auxílio emergencial do governo federal, no valor de R$ 955, em média.

MEIs e quebras

Sobre o trabalho informal, a diretora-técnica do Sebrae Amazonas, Adrianne Gonçalves, lembra que houve um volume considerável de abertura de novos MEIs durante a pandemia. “Inicialmente essa informalidade cresceu principalmente para quem perdeu o emprego formal e tinha alguma habilidade para artesanato ou para culinária. Ou para quem sabia consertar maquinários, mas era informal. Daí, a necessidade foi reforçada pela pandemia, pela perda do emprego ou dos serviços que a pessoa prestava. Não era emprego formalizado, mas um acesso à renda, e daí essa pessoa foi para a informalidade”, relatou.

Por outro lado, a quebra de pequenos negócios também foi uma das principais motivações para que estes trabalhadores empreendessem na informalidade, segundo a diretora do Sebrae. “Por exemplo, aquela pessoa que vendia na lanchonete formalizada próxima a escolas. Geralmente, mais de 80% da circulação desses lanches vinha desses pequenos mercados e, com essa quebra, os pequenos negócios sentiram. E essas pessoas foram, em sua maior parte, para a informalidade”, explicou.

De acordo com a pesquisa Perfil das Cidades Amazonenses – Pequenos Negócios no Município de Manaus (2019), os principais setores/segmentos formalizados como MEI estão concentrados em comércio e serviços, nas atividades de Comércio Varejista de Mercadorias em Geral com Predominância de Produtos Alimentícios – Minimercados, Mercearias e Armazéns; Comércio Varejista de Artigos do Vestuário e Acessórios; Cabeleireiros, Manicure e Pedicure; Lanchonetes, Casas de Chá, de Sucos e Similares; Restaurantes e Similares; Comércio Varejista de Cosméticos, Produtos de Perfumaria e de Higiene Pessoal; Comércio Varejista de Bebidas e Promoção de Vendas.

Artesãos no prejuízo 

Outro segmento bastante afetado durante a pandemia foi o de artesanato. A diretora do Sebrae conta sobre a interrupção total dos eventos, durante os primeiros meses de fechamento do comércio e cancelamento das feiras, e destaca que faltou trabalho para artesãos que produziam itens personalizados, como camisetas, brindes e outros. “Quando eles viram as primeiras feiras fecharem – até antes de o comércio fechar–, migraram para a produção de máscaras de tecido. Você já via que tinha máscara no mercado, em formatos e modelos variados, antes delas serem exigidas por lei municipal”, ressaltou.

Criatividade contra a crise

A Vivartes Kits e Tal foi a saída que a Relações Públicas, Viviane Oliveira, encontrou para continuar trabalhando. “Comecei a trabalhar em home office por ser de grupo de risco. Em 17 de abril, fui demitida”, contou. Viviane começou a fazer os kits de tie-dye e outros para fazer em casa e criou a loja virtual no instagram e os clientes divulgavam a novidade. “Pedi sugestões sobre o que as crianças queriam fazer e lembrei de coisas que fazia na infância. Durante a pandemia, vendi muito mesmo, e agora eu estou me reinventando”, frisou.

O Tacacá das Amigas

“O ‘Tacacá das Amigas’ foi uma forma de continuar pagando as contas de casa”, explicou Andreia Freire, que é fonoaudióloga graduada e prestava serviço para uma clínica antes do isolamento social exigido pelo governo estadual. “Eu já vendia algumas coisas, como kikão, lingerie e bijuteria, sempre para completar a minha renda. Mas, como eu ia vender, se não podia sair de casa?”, indagou. Andreia passou a vender tacacá, divulgando o negócio no whatsapp. O cardápio ficou variado, com camarão internacional, vatapá, arroz, farofa e lasanha – o preferido dos clientes. 

Formação e legalidade

Aos 60, Paulo Ribeiro cursa graduação em engenharia elétrica, motivação que veio do trabalho no PIM, nos anos 1980. Hoje, em processo de aposentadoria, o futuro engenheiro já trabalha de casa prestando serviço para a empresa que passou para os filhos. Depois de oito idas à prefeitura de Manaus, três contadores, e parcerias que não deram certo, finalmente o eletricista por formação conseguiu, após seis anos, o tão esperado CNPJ e licenças necessárias para atender na legalidade. Atualmente, a APP Automação e Elétrica atende a nove empresas, inclusive multinacionais instaladas no Polo.

Comemorando na quarentena

Jornalista e mãe, Mayrlla Motta começou a trabalhar com papelaria personalizada desde o início da quarentena, quando criou a Clara Papelaria Criativa. “Engravidei no auge da minha carreira. Quando a Clara nasceu, decidi cuidar e estar perto dela, que hoje tem 1 ano e 10 meses”, contou. Como o coronavírus afetou o mercado de festas, Mayrlla resolveu criar kits para comemorações em casa. “Faço topos de bolo, caixa explosão e personalizados para festas. Meu principal público são mães”, listou a empreendedora, que busca se qualificar e pretende se formalizar como MEI.

De faxineira a manicure

Andreia Ferreira conta que trabalhou com carteira assinada em dois salões de beleza, mas saiu por conta da pandemia. Ela diz que começou a atuar na área depois de ver outras funcionárias do salão onde trabalhava, quanto ainda atuava com serviços gerais. “Vi as meninas fazendo unha, meti a cara e aprendi a fazer”, relatou. No momento, a manicure concilia o serviço atendendo clientes em casa – com hora marcada – e o período de experiência do atual emprego. Pé e mão simples saem por R$ 25. “Na pamonharia atendo, vou para a chapa, fico no caixa. E continuo fazendo unha nos intervalos e nas minhas folgas”, conta.

Saída nas vendas virtuais

Natanael Dias começou a empreender informalmente quando investiu em segurança eletrônica, com instalação de câmeras, softwares, etc, em condomínios da cidade. “Vi que a área ocupava muito tempo no dia e trazia pouco retorno. Então, mudei de ideia e montei uma loja virtual de smartphones”, explicou. O empresário passou a representar marcas importadas de telefones e videogames e conseguiu se consolidar. “Durante a pandemia, fiquei mais focado na atualização do mercado, em vendas online, negociação de despesas, novas parcerias, uso de ferramentas on-line e no que os consumidores iriam optar”, disse. 

Reportagem de Fabíola Abess

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