6 de maio de 2021

Amazonas – desenvolvimento e desigualdades

Todos os anos o Amazonas passa por fenômenos climáticos ambientais próprios de regiões tropicais, cheias e vazantes dos grandes rios amazônicos, ainda assim, os governantes ainda são pegos de surpresa, tanto o governo estadual quanto prefeitos municipais. É aquele corre-corre da Defesa Civil e outras Instituições para socorrer as populações que tem suas propriedades alagadas e/ou privadas de água.

O estado do Amazonas possui 62 Municípios, incluindo a capital, município de Manaus. Quando da situação de enchente, como nesse tempo que se passa, a agricultura familiar, principalmente aquela em várzea e em terras baixas, que forma um cinturão verde para a capital e demais cidades sedes municipais é muito prejudicada. No decurso de processos de desenvolvimento e crescimento econômico se depara com diversos fatores que se tornam empecilhos aos objetivos, um dentre os quais é a densidade populacional daquele espaço geográfico.

No Amazonas, os Municípios possuem baixa densidade populacional, sendo o município de maior população depois de Manaus é Parintins, um pouco acima de 100 mil habitantes. Ressalta-se que nesses municípios tem agravado sua base econômica, além da pandemia COVID-19, a situação desse fenômeno climático ambiental da enchente dos rios da bacia amazônica, contribuindo mais ainda para uma situação econômica (estagnação/recessão) grave, estado que já vinha antes desses fatos.

A pandemia da COVID-19, além de não ser um fato só biológico, de saúde, de doença, de morte, mas sobretudo, que se relaciona com fatores socioeconômicos que afeta parcela da população mais carente da sociedade. Visto assim, a desigualdade no Amazonas tende a alargar em decorrência desses fatores, na qual os pobres ficam mais pobres – jogados na miséria absoluta e na fome, inclusive na capital Manaus. Por outro lado, se vê que certos indivíduos e grupos populacionais estão desigualmente submetido a fatores protetores e de riscos, por algumas variantes dispostas na sociedade e de mercado.

Todos tiveram a oportunidade em ‘ver’ o que aconteceu no Amazonas no pico da “crise do oxigênio”, nos hospitais que acolhem doentes da COVID-19. Também, se pode verificar melhor, no caso que ocorreu no desastre do Titanic, quando pessoas foram “escolhidas” para morrer por estarem submetidas a um risco diferencial de mortalidade (passageiros de 3ª classe), relacionado com as condições ambientais do lugar onde vivem, com suas condições de trabalho, o status socioeconômico, educacional e com a distribuição desigual dos recursos à que têm acesso (passageiros de 1ª e 2ª classes).

Assistindo o que se passa no interior do estado, sem que se possa fazer nenhuma ação contra o estado de coisa que acontece (enchente que prejudica milhares de pessoas, que perdem tudo, inclusive ativos produtivos de sua renda mínima), são variantes que agravam e impedem determinados processos que podem levar ao crescimento econômico sem que os governantes atentem para as estratégias que possam suplantar tais situações visando minimizar perdas na produção de alimentos da agricultura familiar e situações deprimentes para populações carentes atingidas pelas águas.

Quanto mais se alarga as desigualdades sociais mais difícil de se por em marcha projetos de desenvolvimento econômico regional. Toda desigualdade social leva à pobreza, à miséria e à fome. Para melhor compreensão entre a desigualdade e o crescimento econômico os economistas-pesquisadores do Clube de Economia da Amazônia (CEA) lançam mão da Curva de Kuznets (CK) a qual relaciona ‘desigualdade de renda’ ao ‘crescimento do produto’ de uma economia.

Essa Curva demonstra que sobre a desigualdade de renda, sendo que essa desigualdade aumenta com o desenvolvimento econômico, atingindo um nível máximo e, posteriormente, diminui consideravelmente, o que resulta em uma curva com formato de U invertido, quando se tem desenvolvimento e crescimento econômico. O gráfico se assemelha a uma parábola com concavidade para baixo, ou seja, nos estágios iniciais do crescimento econômico de certa economia a desigualdade (medida, por exemplo, pelo índice de GINI) vai aumentar. Isso acontece porque nessa fase do crescimento vai ocorrer um aumento grande da demanda por mão de obra qualificada, elevando os salários dos trabalhadores qualificados em detrimento dos não qualificados.

A medida que o desenvolvimento econômico da economia progride vai haver ganhos de educação e as pessoas  buscarão mais qualificação, logo a proporção de mão de obra qualificada/mão de obra não qualificada vai aumentar, reduzindo a desigualdade de renda. Se sabe que o Brasil está entre os países mais desiguais do mundo. Segundo dados dos Indicadores de Desenvolvimento Mundial, do Banco Mundial, dentre 127 países para os quais há valores disponíveis, o Brasil possui o 11º maior coeficiente de Gini, de valor igual a 57.0.

O Brasil, segundo o último relatório divulgado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), ficando atrás apenas de nações do continente africano, como África do Sul, Namíbia, Zâmbia, República Centro-Africana, Lesoto e Moçambique. Esta situação é agravada pela dificuldade de se reverter a concentração de renda, atualmente muito mais com o agravamento da pandemia COVID-19.

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