Amazonas de volta ao topo da produção

O guaranazeiro é uma planta típica da Amazônia e desde que foi trazido à luz da ciência, em 1669, pelo jesuíta João Felipe Bettenford, quando observou que os índios Maués ao tomar uma cuia d’água com guaraná amassado, passavam o dia inteiro caçando, sem comer, que a produção desse fruto era hegemonicamente amazonense e daqui, mais especificamente de Maués, saía para o Brasil e o mundo. Mas isso mudou.
Em 2012, enquanto o Amazonas produziu mil toneladas de frutos do guaraná, Taperoá, na Bahia, chegou a 2.400 toneladas do produto, e desde então o município baiano tem se mantido como o maior produtor de guaraná do país. Mas parece que novamente isso está mudando.
Pesquisas realizadas pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) vêm tornando os guaranazeiros amazônicos cada vez mais produtivos e resistentes às pragas como a antracnose.
O engenheiro agrônomo paulista Firmino José do Nascimento Filho, especialista em genética e melhoramento de plantas contou que as pesquisas com o guaraná de Maués começaram em 1976. “O Amazonas era um grande produtor de guaraná, mas, desde meados da década de 1960, doenças estavam provocando a queda dessa produtividade. Para se ter uma ideia do problema, após quatro a cinco anos de boa produção, ela caía pela metade e só 10% do plantio continuava sadio e dando a mesma quantidade de frutos como no início. Os guaranazeiros davam apenas 100 gr de sementes por safra, ou 40 kg por hectare”.
Observando as plantas, os técnicos verificaram que algumas delas não adoeciam, ou seja, possuíam uma resistência natural. Foi em cima dessas matrizes que se começou o trabalho de seleção.

2 mil gramas por safra

“Naquela época ainda não se tinha a técnica para se fazer uma muda assexuada, bem mais vantajosa. As sementes é que eram plantadas. Em 1981 conseguimos desenvolver essa técnica e o plantio passou a ser com o enraizamento de estacas”, explicou.
Em 40 anos de pesquisas da Embrapa chegou a 18 tipos de cultivares do guaraná. Cultivares são espécies de plantas que foram melhoradas devido à alteração ou introdução, pelo homem, de uma característica que antes não possuíam. Elas se distinguem das outras variedades da mesma espécie de planta por sua homogeneidade, estabilidade e novidade.
“Nas cultivares há uma variação nas folhas, nos ramos, na forma dos frutos, na cor das folhas novas e na produtividade. Houve uma época em que as cultivares BRS Maués e BRS Amazonas eram as que mais produziam frutos. Hoje a que se destaca é a BRS Luzeia, com uma produtividade média de 1.600 gr por planta”, contou.
Nas plantações dos campos de pesquisa da Embrapa, em Manaus, os guaranazeiros chegam a produzir 2 mil gramas por safra. “O guaranazeiro floresce de junho a setembro e seus frutos amadurecem de setembro a dezembro. Estamos bem distantes daquelas 100 gramas que os guaranazeiros de Maués estavam produzindo na década de 1960, mas podemos ir mais longe”, adiantou.
O ir mais longe prognosticado por Firmino José significa levar o Amazonas a ser novamente o maior produtor de guaraná do Brasil. “Estive visitando a Bahia recentemente e verifiquei que eles já não estão mais produzindo como antes, enquanto nós estamos avançando. No ano passado só a fazenda Jayoro, em Presidente Figueiredo, produziu 100 toneladas de frutos. Imagina quando outras fazendas estiverem no mesmo patamar”.
Voltando a falar do jesuíta João Felipe Bettenford, ele também observou que o guaraná era usado para curar febres, câimbras e dores de cabeça dos indígenas. Firmino, hoje com 64 anos, toma guaraná há 20. “Não tenho problema nenhum de saúde. O guaraná não é um energético. É um estimulante que atua nos sistemas cardiovascular e nervoso central, músculos lisos e rins. Duas a três colheres de café por dia, diluídas em água, suco, café ou leite fazem muito bem para saúde, com certeza”, finalizou.

Pesquisas que rendem bons frutos

Além do guaraná, a Embrapa Amazônia Ocidental pesquisa e trabalha com diversas frutas nativas e exóticas, a fim de dar suporte científico à produção de alimentos local. Na cultura da bananeira, já estão disponíveis cultivares produtivas e resistentes a problemas como a sigatoka-negra, principal doença que afeta a cultura. A empresa também dispõe de técnica para manter saudáveis os plantios não resistentes, como a tecnologia de aplicação de fungicida na axila da segunda folha da bananeira, método eficaz e ambientalmente correto. Para a cultura do cupuaçu, a Embrapa lançou cultivares de cupuaçuzeiro mais produtivas e resistentes à doença vassoura de bruxa. Também já lançou sistema de produção para cultivo da melancia em terra firme e trabalha com outros frutos de importância econômica, como o açaí, citros, tucumã e pupunha, entre outros. A Embrapa também disponibiliza ao setor produtivo tecnologias para a produção de milho, feijão-caupi, mandioca, piscicultura e produção de carne e leite, sempre visando maiores produtividades e resistência a doenças e pragas.

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