19 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Amazonas abre mais empresas e cria mais empregos ao final do primeiro ano da pandemia

Diverse people working in the office

Ao contrário do que se poderia esperar, o Amazonas registrou um número superior de empresas ativas e abertura de empregos, ao final do primeiro ano da pandemia. A quantidade de pessoas jurídicas teve um impulso de 6%, em paralelo com o acréscimo de pessoas ocupadas (+1,1%), assalariados (+0,7%) e –principalmente –sócios-proprietários (+6,9%). O mesmo não pode ser dito da remuneração dos trabalhadores. O valor dos salários e “outras remunerações” caiu 4,1%, enquanto o rendimento médio mensal encolheu 3%, na mesma comparação.

O Estado superou o ritmo de crescimento (+3,7%) de CNPJs (5,4 milhões) alcançado pela média nacional no mesmo período, além de ir na direção oposta em termos de empregos. Em 2020, o número de assalariados brasileiros chegou a 45,4 milhões, recuando 1,8% ante 2019. A massa salarial do país (R$ 1,8 trilhão) retrocedeu 6%, na maior queda desde 2013. O salário médio (R$ 3.043,81) caiu 3%. Os números são do Cempre (Cadastro Central de Empresas) 2020, uma pesquisa do IBGE. O órgão de pesquisa ressalta que o levantamento não inclui os MEIs (Microempreendedores Individuais).

Entre 2019 e 2020, o número de pessoas jurídicas subiu 6% no Amazonas, passando de 38.589 para 40.905, e alcançando a maior marca da série histórica do IBGE, iniciada em 2013 (40.205). O Estado ficou na segunda posição na região Norte, ficando atrás do Pará (88.955) e à frente de Rondônia (38.149). Em dez anos a alta foi de 11,76%. Manaus (30.567), Itacoatiara (921), Manacapuru (714), Parintins (712) e Humaitá (673) lideraram o ranking estadual, enquanto Caapiranga (18), Guajará, Ipixuna e Tapauá (28) ficaram no extremo oposto. Apenas a capital avançou na variação anual.

O comércio (17.552) –que incluiu também as atividades de “reparação de veículos automotores –é o setor com mais empresas, representando 42,9% do resultado do Amazonas e alta anual de 6%. Na sequência estão as atividades administrativas e serviços complementares (2.871 e 7% do total) e os serviços profissionais, científicos e técnicos (2.708 unidades e 6,6%). O maior crescimento veio das atividades imobiliárias (+14,9%) e das atividades financeiras (+14,7%).

As entidades empresariais (37.027 e 90,5%) aumentaram em 6,8%, entre 2019 e 2020. Em contraste, as entidades sem fins lucrativos (3.508 e 8,6%) e a administração pública (370 e 0,9%) retrocederam 0,8% e 1,9%, respectivamente. A maioria esmagadora das organizações amazonenses contava com apenas nove pessoas ocupadas ou menos. Ainda assim, o IBGE destaca que empresas com 250 trabalhadores responderam pela maior fatia dos assalariados (58,9%).

Mais empregos

A quantidade de trabalhadores em empresas amazonenses formais também cresceu, no primeiro ano da pandemia. Foram 648.699 (2020) contra 641.442 (2019), uma diferença de 1,1%. O contingente se dividiu entre assalariados (605.077) e profissionais na condição de sócio ou proprietário do próprio negócio (43.622). O Amazonas também ficou na segunda colocação no Norte do país, neste caso, respondendo por 22,2% do contingente da região. O primeiro também foi o Pará (1,2 milhão).

Os municípios com maiores números de pessoas ocupadas foram Manaus (562.003), Itacoatiara (10.118), Coari (6.991), Parintins (6.989) e Tefé (6.447). Em contraste, Santa Isabel do Rio Negro (270), Itapiranga (306) e Ipixuna (343) colecionaram os piores resultados. Coari e Manacapuru perderam mais de mil ocupações, ao passo que Tefé (+362) e Itacoatiara (+212) seguiram direção contrária. Em dez anos, Brasil (52,7 milhões), região Norte (2,92 milhões) e Amazonas (648.699) conseguiram avançar nos empregos, embora o mesmo não tenha ocorrido em Manaus (526.003).

Os serviços de administração pública, defesa e seguridade social (133.401 e 22% do total) responderam pela maior parte dos postos de trabalho, seguidos pela indústria de transformação (95.822 e 15,8%) e comércio (95.434 ou 15,8%). A maior alta anual veio dos segmentos de água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação (+23,1%), enquanto o setor de eletricidade e gás (-23%) atingiu a maior queda.

Salários em queda

O salário médio mensal do Amazonas foi de R$ 2.927,34 em 2020, apresentando queda de 3% na comparação com 2019. Já os salários e outras remunerações somaram R$ 23,05 bilhão e tiveram recuo de 4,1%, na mesma comparação. O Estado (2,8 salários mínimos) ficou na quarta posição do ranking da região Norte, que foi liderado por Amapá (3,7 mínimos), Roraima (3,1 mínimos), e Acre (2,9 mínimos). Na outra ponta está Rondônia (2,6 mínimos).

Os maiores salários médios mensais foram pagos pela indústria extrativa (R$ 11.208,40) e os menores, na agropecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (R$ 1.220,46). Entre os municípios, o maior valor médio veio de Presidente Figueiredo (3,1 mínimos), superando Manaus (3 salários mínimos) –que experimentou queda ante o ano anterior –e Coari (2,9 mínimos). Silves (2,2 mínimos) obteve a maior alta e as menores remunerações vieram de Japurá e Maraã (ambos com 1,3 mínimos). De acordo com o IBGE, em dez anos, os salários encolheram em todo o país. 

Fator pandemia

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, avalia que os resultados apontados pela sondagem foram “bem satisfatórios” para o Amazonas, levando em conta que a pesquisa considera somente as empresas formais. Ele reforça que o aumento no número de empresas registrado nos últimos dez anos foi recorde, e que houve progressão também na quantidade de pessoal ocupado e sócios, a despeito da nota negativa vinda da queda nos salários. No entendimento do pesquisador, todas as circunstâncias estão ligadas à ocorrência da pandemia e as políticas anticíclicas federais implementadas na época. 

“A estabilidade ocorreu impulsionada por ações como Programa de Manutenção do Emprego e da Renda, que beneficiou quase 10 milhões de trabalhadores em todo país. O Auxílio Emergencial, que colaborou para consumo das famílias, possivelmente contribuiu para dar uma sobrevida às empresas. E o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) liberou mais de R$ 37 bilhões em crédito para 517 mil empresas em todo o país. Já a queda nos salários é fruto de uma mão de obra que não teve horas extras e sofreu com a queda nas gratificações, além de enfrentar uma alta taxa de desocupação”, finalizou.

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