Amazonas abaixo da média no consumo de álcool, aponta IBGE

O Amazonas é ponto fora da curva nacional em termos de consumo de álcool. Em torno de 14,4% de sua população com mais de 18 anos (384 mil pessoas) bebia uma vez ou mais por semana, no ano passado, sendo esse o segundo menor percentual do país. Manaus (14,8% e 229 mil pessoas) ocupou a mesma posição entre as capitais. Em nível nacional, o hábito de beber era comum para 26,4% e avançou significativamente em relação a 2013 (23,9%). O mesmo se deu em termos de “consumo abusivo” de álcool.

O Estado (20,8% e 89 mil pessoas), por outro lado, aparece com níveis acima da média brasileira (17% e 7,239 milhões pessoas) na proporção de motoristas que conduziram carro ou motocicleta após o consumo álcool, independentemente da quantidade. Os dados estão na PNS 2019 (Pesquisa Nacional de Saúde), realizado pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde. O levantamento não apresentou dados sobre comparativos regionais.

O órgão federal de pesquisa ressalta que o uso prejudicial do álcool é um dos maiores fatores de risco para a população, sendo um dos mais conhecidas motivos para DCNTs (Doenças Crônicas Não Transmissíveis), assim como uma das principais causas para acidentes e violências. Em todo o mundo, 3 milhões de mortes por ano resultam do uso nocivo da bebida, representando 5,3% do total de óbitos registrados no período. 

As unidades federativas com as maiores proporções de consumo semanal de álcool foram Rio Grande do Sul (34%), Mato Grosso do Sul (31,3%) e São Paulo (31%), ao passo que o Acre (12,8%), Amazonas (14,4%) e Alagoas (16%) tiveram os menores números. Do lado das capitais, as cidades com maior frequência de pessoas bebendo foram Salvador, Florianópolis (ambos empatados com 40,2%) e Porto Alegre (39,4%), enquanto Rio Branco (14,7%), Manaus (14,8%) e Porto Velho (19,2%) figuraram no rodapé.

No Amazonas, a proporção de homens (21,5% e 277 mil) que bebia uma ou mais vezes por semana em 2019 foi o triplo do apresentado pelas mulheres que compartilhavam o mesmo costume (6,2% e 66 mil). O desnível é ainda maior em Manaus, com 23,1% (165 mil) e 7,7% (64 mil), respectivamente. O mesmo se dá na média nacional, mas o público masculino (de 36,3% para 37,1%) cresceu menos do que o feminino (de 12,9% para 17%), desde 2013.

Em 2019, o típico amazonense adulto que bebia pelo menos uma vez na semana era branco (16,2% e 71 mil), tinha entre 25 e 39 anos (18,1% e 162 mil), contava com ensino superior completo (17,9% e 63 mil) e renda mensal acima de cinco salários mínimos (29,4% e 20 mil). Vale ressaltar, contudo, que o hábito era proporcionalmente mais comum entre desempregados (21,7% e 32 mil) do que entre empregados (294 mil e 18,1%), embora aqueles perdessem para estes em números absolutos. 

Abuso e volante

O levantamento informa ainda que o consumo abusivo de álcool (seis ou mais doses em uma única ocasião) também é menos frequente no Estado (13,9% e 370 mil pessoas), que ocupou a penúltima posição, atrás do Acre (13,7%) e de Alagoas (13,6%), e bem atrás da média nacional (17,1%). Homens (20,8% e 269 mil) brancos (17,2% e 76 mil) de 25 a 39 anos (18,5% e 166 mil), com ensino médio completo ou superior incompleto (16,3% e 167 mil), ocupados (18% e 292 mil) e ganhando mais de cinco mínimos mensais (22,8% e 16 mil) foram o publico preferencial, em nível local.

O IBGE-AM reforça, por outro lado, que a condução de veículos motorizados após o consumo de bebidas alcoólicas é fator de risco para acidentes, sendo mais frequente em nível local. Enquanto o percentual de brasileiros que optaram por essa combinação perigosa no ano passado foi de 17%, a fatia de amazonenses que fizeram o mesmo foi de 20,8% (89 mil pessoas), no mesmo período. Manaus, entretanto, (14,8% e 36 mil pessoas) ficou aquém da média. Tocantins (31,4%), Maranhão (27,4%) e Sergipe (25,7%), assim como São Luís (28,5%), Palmas (25,9%) e Campo Grande (24,2%) tiveram os maiores índices. 

No Amazonas, dirigir embriagado também é mais um hábito mais masculino (23,3% e 74 mil) do que feminino (13,5% e 15 mil), embora a vantagem seja menor, neste caso. É mais comum entre os brancos (25,1% e 22 mil), os jovens de 18 a 24 anos (23,7% e 17 mil) – diminuindo com a progressão da faixa etária – e as pessoas empregadas (23,3% e 76 mil), com ensino fundamental completo ou médio incompleto (30% e 19 mil) e ganhando mais de cinco mínimos por mês (24,5% e 7.000).

Estilo e contradição

Em nível nacional, pessoas com rendimentos mensais acima de cinco salários mínimos também são maioria no consumo de álcool, em todos os seus níveis. Em texto da Agência de Notícias IBGE, o analista do órgão de pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, assinala que o padrão não está necessariamente ligado ao preço dos produtos, já que há bebidas baratas também. “O acesso ao consumo influencia, claro, mas não dá para cravar o quão determinante é. Tem a ver com estilo de vida de pessoas com maior renda também”, comentou.

Procurado pela reportagem do Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, considerou positivo o fato de o consumo de álcool no Amazonas se situar na penúltima posição do ranking nacional. Mas, não deixou de lamentar a contradição indicada no fato de que o mesmo não possa ser dito a respeito do Estado em relação à frequência da mistura perigosa de bebida, volante e acidentes automobilísticos.

“Embora os amazonenses adultos estejam entre os menores consumidores de álcool do país, o percentual daqueles que admitiram ter dirigido logo depois de beber está acima da média do país, sendo os homens os maiores consumidores. O consumo de álcool entre os motoristas está distribuído em todas as faixas de idade, sendo mais concentrado na faixa de idade de 18 a 24 anos, o que indica que a inciativa é fruto principalmente de iniciativa de jovens”, finalizou.

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