AM traz medalhas no tiro com arco

Em uma performance histórica, jovens indígenas do Amazonas alcançaram ouro, prata e bronze no 23º Pan-Americano de Tiro com Arco, realizado na Costa Rica, entre os dias 23 e 30 de maio. Os atletas fazem parte do projeto “Arquearia Indígena do Amazonas” e trouxeram seis medalhas para o Estado em sua primeira participação na competição internacional.
No Pan-Americano, o projeto, que tem o apoio do governo do Amazonas, esteve representado por três atletas, que compuseram a equipe brasileira. Ao todo, o Brasil, que também teve na disputa competidores do Rio de Janeiro e São Paulo, trouxe 19 medalhas para casa.
Entre os destaques da equipe está Drean Braga, que também atende pelo nome de “Iagoara”. Na competição, ele conquistou duas medalhas de bronze e uma de prata, sendo o maior medalhista da equipe. O atleta da etnia Kambeba começou a treinar há apenas dois anos no projeto “Arquearia Indígena”, da FAS (Fundação Amazônia Sustentável).
“Eu treinei muito para superar meus limites todos os dias e fazer bonito na competição. O resultado do meu trabalho agora está pendurado no meu peito, trazendo muito orgulho para mim e toda a minha família e equipe”, explica o ribeirinho de 19 anos, que cresceu em uma comunidade a 60 quilômetros de Manaus, na margem esquerda do rio Negro.
Além dele, também receberam medalhas os atletas Nelson Silva, de 16 anos, da etnia Kambeba, e Gustavo dos Santos, de 19 anos, da etnia Karapanã. A equipe amazonense é composta ainda pelos arqueiros Gibson dos Santos, 24, Jardel Gomes Cruz, 19, e Graziela Paulino, 20. Em julho, os competidores devem participar de um novo evento, desta vez na Argentina.
Paciência e insistência – Diretor técnico da Federação Amazonense de Tiro com Arco e técnico da Arquearia Indígena, Aníbal Fortes conta que muita gente acha que a origem indígena é uma vantagem para ingressar no esporte. “Eles têm um gosto pela prática do esporte, e isso é o mais importante. Não a técnica, porque eles têm que reaprender totalmente. O pessoal comenta que eles têm vantagem por já terem praticado quando jovem, mas essa vantagem não existe. Os arcos são totalmente diferentes”, explica Aníbal.
O gosto dos jovens indígenas inscritos no projeto pelo arco também ajudou porque, em nível esportivo, a modalidade requer paciência e insistência. “O mais importante do tiro com arco é a constância. O atleta tem que executar o movimento de formas exatamente iguais todas as vezes que praticar o tiro. Isso não acontece com o tiro nativo, porque uma vez ele está agachado, outra está em pé, outra, abaixado”, conta Aníbal.

Rotina pesada – Em sua preparação para as competições internacionais, os atletas do tiro com arco do projeto treinam sete horas diariamente, além de manter em dia a vida escolar. Em um dia de treino, eles chegam a disparar 300 a 400 vezes no alvo que fica a 70 metros de distância. Nem sempre é possível acertar o centro, mas errar o alvo como um todo é considerado um erro grosseiro.

A preparação inclui ainda exercícios aeróbicos e natação para melhorar a respiração, a postura e a circulação sanguínea, detalhes que ajudam a manter a mira mais estável na hora de se posicionar. “O batimento cardíaco tem que ser o mais baixo possível para não afetar a precisão”, explica o treinador.

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