AM tem escassez de engenheiros

Atualmente cerca de 400 engenheiros são formados nas instituições de ensino do Amazonas. Os números confirmam uma reclamação recorrente nos setores da indústria, construção e comunicações: a escassez destes profissionais. De acordo com o site engenhariadata, que traz indicadores de todo o Brasil na área de engenharias, no ano de 2011, o Estado formou 1,35 engenheiros, em todas as áreas, para cada 10 mil habitantes. No mesmo ano, o índice no Estado de São Paulo foi de 3,62 concluintes por 10.000 habitantes.
Um dos setores que mais sofrem com a falta de engenheiros é a indústria. De acordo com o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco, o PIM (Polo Industrial de Manaus) sofre para suprir tanto a demanda por profissionais com qualificação técnica –do ensino médio –, como a por profissionais com ensino superior.
“As áreas mais carentes são as que necessitam de engenheiros eletrônicos, mecatrônicos e tecnologia da informação. Esses profissionais têm espaço no Polo Industrial. A demanda existe e as empresas têm tido um pouco de dificuldade para suprir as vagas que estão em aberto”, disse Périco, sem precisar números.
Um outro problema apontado por ele é com relação à qualificação desses profissionais que em muitas vezes está muito aquém da expectativa das empresas que estão contratando.

Ensino

Frederico Pinagé, coodernador do curso de engenharia de produção e de telecomunicações da Fucapi, confirma a escassez de engenheiros no mercado local. Segundo os números da própria Fucapi, a evasão de alunos que iniciam o curso de engenharia na Fundação pode superar 90%.
“Realmente há falta porque o índice de alunos que se formam em engenharia é bem pequeno. Aqui na nossa instituição entram uma faixa de cem alunos por ano e no fim do ano se formam, em média, de 8 a 20 alunos –dependendo do curso”, explicou. Na grade da Instituição constam cinco cursos na área: engenharia de produção, engenharia de telecomunicações, engenharia de computação, engenharia ambiental e sanitária e engenharia de bio-processos.
Apesar do ainda alto índice de evasão, o Relatório Engenhariadata 2012 -Formação e Mercado de Trabalho em Engenharia no Brasil -, da Engenhariadata, afirma que, entre os anos 2000 e 2011, “todos os Estados apresentaram significativo crescimento no seu número de concluintes, ainda que as desigualdades regionais referentes à oferta de ensino superior tenham se mantido quase inalteradas”. As diferenças regionais se explicam: enquanto em 2011 São Paulo contribuiu com 30,01% dos engenheiros formados no país, o Amazonas formou apenas 1,95% -ocupando a 13ª colocação entre os 26 Estados e o Distrito Federal.
O coordenador da Fucapi rechaça, porém, as críticas em relação à qualidade dos engenheiros formados na instituição. De acordo com Pinagé, os alunos na Fucapi têm tido prioridades nas contratações dentro do PIM.
“Temos recebido elogios de empresas em relação aos funcionários que se formaram aqui. Quando chegam funcionários de outros Estados para fazer cursos em Manaus as empresas indicam a Fucapi. Temos recebido inclusive alunos da Argentina que estão vindo para Manaus”, explicou.

Polo Naval Busca Alternativa

Outro setor que é bastante prejudicado pela falta de profissionais na área da engenharia é o Polo Naval. Os dados do Crea-AM (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas) mostram que, atualmente, existem 67 profissionais cadastrados sendo 63 com visto e quatro com registro do Crea-AM. Destes, os engenheiros navais com registro no Amazonas, três formaram-se no Rio de Janeiro e 1 em São Paulo, o que é legalmente permitido.
Essa escassez de profissionais motivou o Governo do Estado, por meio da Secti-AM (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas), a buscar soluções para estimular a qualificação de engenheiros que desejam ingressar nesse setor.
Essa escassez de profissionais motivou o Governo do Estado, por meio da Secti (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas), em parceria com a Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) a abrir, até o dia 16 de outubro, inscrições para o Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados em Engenharia Naval do Estado do Amazonas (RH-NAVAL).
De acordo com o edital, mais de R$ 3 milhões serão destinados para atender à demanda de mão de obra do setor naval, através de programas de pós-graduação stricto sensu no Brasil, reconhecidos pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Serão oferecidas 20 bolsas de Mestrado e 10 de Doutorado.
O secretário de CT&I, Odenildo Sena, ressaltou a importância do investimento para a região em virtude dos fluxos fluviais existentes e da ampliação do conhecimento.
“Não temos aqui no Amazonas nenhum doutor em engenharia naval, o que é um paradoxo, porque as nossas estradas são os rios, nossa principal fonte de comunicação com o interior. Tivemos a ideia de fazer um investimento de futuro não tão distante com formação de mestres e doutores que possam multiplicar seus conhecimentos e ampliar o universo de pessoas nessa atuação, isso vai fazer com que a gente ganhe autonomia nessa área”, afirmou Sena.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Anúncio

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Siga-nos

Notícias Recentes

JC Play

Podcast

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email