4 de março de 2021

AM produzirá sal para agronegócio

Serão 1,1 milhão de toneladas de cloreto de sódio extraídas de mina que foi um grande mar

A partir de 2017 os Estados que compõem as regiões Norte e Centro-Oeste serão abastecidos por aproximadamente 1,1 milhão de toneladas por ano de cloreto de sódio (sal de cozinha), para o consumo animal. As mesmas regiões também serão abastecidas por cloreto de potássio, utilizado como fertilizante. O fornecimento será viabilizado a partir do início das operações da mina subterrânea que vai extrair silvinita, no município de Autazes (distante 112 quilômetros de Manaus). O investimento previsto para os três primeiros anos de atuação é de US$1,1 bilhão.
Mesmo hoje, longe do litoral, onde há predominância do cloreto de sódio, a Amazônia já abrigou um grande mar há pelo menos 306 e 250 milhões de anos, durante a Era Paleozóica Superior, no final do Período Carbonífero e início do Período Permiano, cujas águas evaporaram e o sal solidificou formando a imensa bacia jazida, uma faixa com ocorrência de sal (com predominância de NaCl ou sal de cozinha), com aproximadamente 400 quilômetros de comprimento, dezenas de quilômetros de largura, e espessura de 40 a 60 metros, localizado entre 843 metros a 1,4 mil metros de profundidade
Inserido nesse “pacote” de sal há um nível enriquecido em cloreto de potássio que varia de alguns centímetros a alguns metros, podendo também estar ausente. Ou seja, dentro da bacia, há locais onde houve concentrações maiores e que podem representar depósitos economicamente lavráveis de potássio. A silvinita é uma mistura de silvita (cloreto de potássio) e halita (cloreto de sódio). A halita pode ser utilizada na produção de sal para gado e indústria.
O diretor de exploração da empresa Potássio do Brasil, José Fanton, afirma que boa parte do cloreto de sódio extraído, será comercializado às regiões Norte e Centro-Oeste do país. Enquanto outra porcentagem do recurso mineral será utilizada no preenchimento das galerias subterrâneas abertas durante a extração do minério.
O diretor explica que o funcionamento da mineração terá como base um projeto de lavra subterrânea, localizada entre 680 e 850 metros de profundidade pelo método de câmaras e pilares. A extração deve ocorrer por meio de dois poços com elevadores, um destinado aos colaboradores operacionais e outro, separado à produção e aos equipamentos. “É o mesmo processo desenvolvido na maioria das minas de potássio existentes no Canadá, Rússia e também na de Taquiri-Vassouras, em Sergipe”, informa.
De acordo com Fanton, no período de 2017 a 2022 a empresa deve investir cerca de US$1,8 bilhão. Porém, nos três primeiros anos esse valor será de US$1,1 bilhão.
“Pleiteamos, neste momento, a licença prévia. Solicitaremos a licença ambiental somente após a conclusão dos estudos de viabilidade técnica e econômica do projeto. A conclusão do detalhamento da engenharia está prevista para acontecer em meados de 2016”, informou o diretor.
A empresa busca junto ao Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) a LI (Licença de Instalação), que já tramita no órgão estadual. Para obter a licença, o instituto exige a entrega do projeto do empreendimento e do Eia/Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental), conforme a legislação ambiental. Após a entrega dos documentos ocorrem as audiências públicas junto à comunidade, que no caso será com os moradores de Autazes e logo após na comunidade rural Vila de Urucurituba, às margens do rio Madeira.
Segundo Fanton, a empresa pretende dar início às obras no início de 2017, após a conclusão dos estudos de viabilidade técnica e econômica do projeto e a obtenção da licença por parte do Ipaam. “A construção deve começar assim que recebermos a licença e os recursos financeiros obtidos por meio de aporte de capital dos acionistas e financiamentos bancários”, disse.
Atualmente, o Brasil importa 92% do potássio utilizado. A matéria-prima é adquirida a partir de países como Rússia, Canadá, Alemanha e Israel, que são os principais produtores do cloreto. De acordo com o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), em 2014 o Brasil importou 9,041 milhões de toneladas de cloreto de potássio, o equivalente a US$2,8 bilhões.
A primeira mina de produção de potássio instalada no Amazonas deve produzir anualmente cerca de dois milhões de toneladas do produto, com condições de atendimento entre 20% e 25% do total do potássio consumido no país.

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