Alto preço de insumos impacta a construção civil no AM

O aumento do custo da construção civil e consequentemente do valor final na venda, atraso nas obras por falta de material e demora na retomada econômica, estão entre os impactos que devem trazer reflexos para o setor com o acréscimo dos preços de materiais de construção durante a pandemia.

O incremento, considerado abusivo  pelo setor de construção civil, fez a Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) encaminhar ao governo federal nesta semana um documento que confirma a alta no país e também no Amazonas. 

Marco Bolognese, presidente da comissão da indústria imobiliária do Sinduscon-AM, reforça que os preços aumentaram substancialmente “Praticamente  todos os insumos da construção civil, com ênfase no cimento, tijolo, madeira e aço”. Segundo o representante o setor registrou aumento superiores a 20%.

“Isso impacta negativamente, visto que custa da construção civil aumentou em todo o Brasil, sem contar a falta sistemática de alguns produtos. Num momento de retomada da economia essa uma uma notícia muito ruim que afeta  diretamente o setor”.

Ele espera que os aumentos parem e que o fornecimento de insumos e matéria prima sejam regularizados.

O isolamento social animou parte das pessoas que tinham obras paradas ou algum projeto para construção. A consequência de toda essa demanda, refletiu na alta de muitos produtos e na escassez de boa parte deles. Os produtos que impactam mais as obras, citados por Bolognese, principalmente o tijolo, foi alvo de reclamações por parte dos consumidores nos canais de atendimento do Procon-AM, pela alta no valor do produto. À época, o órgão notificou várias lojas de materiais de construção sobre os preços praticados na venda não apenas do tijolo, mas também do cimento e de materiais elétricos, desde o mês de março deste ano.

O presidente do Sindicer-AM (Sindicato de Indústria Cerâmica  e Olarias do Amazonas), Frank Lopes Pereira, diz que o valor do tijolo em Manaus custa entre R$ 700  a R$ 1 mil, é a variação média.  Dependendo do produto ,local de entrega, prática comercial. e diz que fora desse número podemos considerar abuso.

“Produtos que ficaram com preços depreciados por 5 anos. Ceramistas endividados em todo Brasil. Muitos vendendo o que tinham de carros, imóveis, reduzindo máquinas e equipamentos. A maioria acreditando numa virada do mercado”. 

O  processo fabril dos insumos foi compulsoriamente interrompido, por conta da pandemia, o que fez minguar todo o processo de distribuição nas lojas amazonenses que não dispunha de um bom estoque. 

Na mesma linha,  o vice-presidente da área de Infraestrutura da CBIC, Carlos Eduardo Lima Jorge reitera que o cenário de aumento dos preços e desabastecimento terá uma série de consequências, como desemprego, aumento do custo das obras públicas e dificuldades para viabilização do programa Pró-Brasil, criado para impulsionar obras em infraestrutura. Para as construtoras de obras públicas, já com dificuldades de capital de giro, a busca pelo reequilíbrio dos contratos em função desses aumentos é um processo demorado. “A consequência imediata será a redução do ritmo das obras e o desemprego de funcionários”.

O material, levado à Secretaria de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia, comprova causas e consequências para os aumentos e para o desabastecimento, além de apresentar propostas para mitigar os seus efeitos na economia nacional.

O presidente da CBIC, José Carlos Martins, afirma que o aumento nos preços é resultado da falta de oferta de produtos em quantidade suficiente para atender o mercado, uma vez que foi criado um desequilíbrio artificial por parte das empresas.

“Com a insegurança inicial gerada pela pandemia, em março, foi gerado um falso desabastecimento, que foi sendo aproveitado pelos fornecedores para recuperar preços. Se não houver um choque de oferta urgente, a memória inflacionária irá criar um caminho sem volta para a nossa economia”, disse José Carlos.

Sondagens

Nos últimos meses, a CBIC realizou duas pesquisas para verificar o que estava ocorrendo em relação ao desabastecimento e ao aumento nos preços dos materiais. A primeira, entre os dias 16 e 21 de julho deste ano, contou com 462 respostas oriundas de construtoras e incorporadoras de 25 estados. A segunda, no início deste mês de setembro, compilou documentos apurados e recebidos das próprias empresas fornecedoras dos materiais.

Por meio das pesquisas, a entidade verificou que durante a pandemia, em especial nos meses de julho e agosto, houve um incremento expressivo nos preços dos materiais, um movimento completamente alheio à realidade inflacionária nacional. Evidências dessa afirmação já são observadas, inclusive, nos indicadores de custos setoriais. O ‘Índice Nacional de Custos da Construção – Materiais e Equipamentos’, calculado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, apresentou um aumento de 4,02% no período dos 12 meses encerrados em maio deste ano. Já no período de apenas três meses, entre junho e agosto, a alta registrada no indicador foi de 3,80%.

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