Alta no preço do etanol ameaça combate à inflação, dizem economistas

A alta nos preços do etanol será mais um obstáculo que o governo federal terá de enfrentar no combate à inflação. Economistas descartam o risco imediato de descontrole dos preços, mas advertem que o encarecimento do combustível exigirá cuidados adicionais da equipe econômica para que a inflação termine o ano abaixo do teto da meta (6,5%).
Para o ex-presidente do Banco Central e diretor do Centro de Economia Mundial da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Carlos Langoni, ainda é cedo para saber se a alta persistirá ou se é um fenômeno momentâneo. “Apesar de ser misturado à gasolina, o etanol não tem o mesmo peso que os demais combustíveis na formação dos preços”, avaliou.
Langoni, no entanto, acredita que a trégua nos preços dos alimentos, da energia e dos combustíveis, que tem contribuído para a queda da inflação nos últimos meses, não durará tanto quanto as autoridades estimam. Segundo ele, o Banco Central deverá prolongar o ciclo de juros elevados.
A economista-chefe do Royal Bank of Scotland, Zeina Latif, avalia que a influência do reajuste do etanol sobre a inflação não será tão grande. “Os fretes são afetados pelo diesel e o impacto sobre a gasolina pode ser contido com a redução de etanol na mistura”, opinou. Apesar disso, ela disse que o aumento do combustível dificultará o retorno da inflação ao intervalo da meta.

Dólar barato

Zeina Latif também pondera que a elevação dos índices de inflação por causa da alta do etanol pode contaminar as projeções dos analistas financeiros e exigir mais aumentos nos juros. Para ela, o governo precisará contar com a ajuda do dólar barato e com a estabilidade nos preços dos alimentos para que a inflação termine 2011 dentro da meta.
O diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), Adriano Pires, é menos otimista. Para ele, os aumentos de preço do biocombustível em plena safra da cana-de-açúcar não é sazonal. “A alta é provocada pelo descompasso entre a oferta e a demanda do combustível. Nos últimos dois anos, a produção quase não cresceu, enquanto as vendas de carros cresceram 10% só no primeiro semestre [deste ano]”, concluiu.

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