Alta no dólar blinda contra importados

A elevada cotação do dólar –que subiu 0,6% na tarde de ontem e fechou em R$ 2,002, maior valor desde julho de 2009, pode favorecer o mercado interno e amenizar o ataque dos produtos importados ao PIM. Caso a valorização da moeda persista, representantes da indústria local estimam os primeiros efeitos positivos a partir da segunda quinzena de julho.
“A cotação favorece o mercado interno, já que a indústria brasileira sofre com a importação de produtos acabados, especialmente as fábricas do PIM. No entanto, os efeitos só poderão ser sentidos após no mínimo 60 dias”, avaliou o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
Já o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Athaydes Félix, pondera que a mudança na taxa de câmbio não resolve o problema, mas concorda que importadores de produtos como carros, bicicletas,motos e eletroeletrônicos serão afetados, ajudando a diminuir o desequilíbrio da competitividade com os asiáticos. “Esperamos alcançar um equilíbrio, mas somente nos próximos três meses será possível avaliar”, reforçou.
De acordo com o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), no primeiro trimestre deste ano, o Amazonas importou o equivalente a US$ 3,17 bilhões, 12,3% a mais frente aos US$ 2,82 bilhões de igual período do ano passado.
Só a importação de produtos chineses custou ao Estado US$ 1,137 bilhão entre janeiro e março, (+ 20,77%). As importações da Coreia do Sul totalizaram US$ 466,23 milhões (+ 13,20%) e as do Japão, US$ 368,84 milhões.

Componentes

Wilson Périco acredita que as fábricas de componentes também podem ser favorecidas, uma vez que com a importação mais cara, a expectativa é de que os empresários optem pelo insumo produzido no próprio PIM.
O presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Bens de Informática e Componentes da Amazônia), Cristóvão Marques, discorda.
“Para o setor de componentes do PIM não vai fazer a menor diferença. A mudança não vai alterar a competitividade dos componentistas e só vai encarecer o produto. Muitos insumos, principalmente do setor eletroeletrônico precisam ser importados. Então acreditamos em um impacto considerável no preço de produtos como LCD, tablets, aparelhos celulares e motocicletas”, detalhou.
Para o economista Edson Fernandes, os dois dirigentes estão corretos, já que, tanto para a indústria de componentes como para as fábricas de produtos acabados, o impacto pode ser ‘lido’ de duas maneiras.
“Na primeira, o fabricante pode se sentir desestimulado de comprar o componente importado e passar a adquirir o nacional. Na segunda, ele pode simplesmente somar esses custos de importação e encarecer o produto final. Vamos ter que aguardar para ver qual vai ser o comportamento.
No entanto ele critica que a incerteza quanto ao efeito é resultado da barreiras de importação eficazes por parte do governo para impedir o ataque dos importados.
“Assim, a atitude do empresário é regida pelo lucro. É ele que vai ditar até que ponto vale a pena importar ou comprar o insumo nacional”, encerrou.

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